Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg173806
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Monte Castelo - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral
É um critério diagnóstico de síndrome do intestino irritável:
AA dor abdominal melhora com a defecação.
BPresença de dor abdominal sem relação com a frequência de evacuações.
CPresença de dor abdominal sem relação com a frequência das evacuações e com a mudança na forma das fezes.
DPresença de dor abdominal, duas vezes por dia, nos últimos seis meses.
EDor abdominal constante que não melhora com a defecação.
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GabaritoA — A dor abdominal melhora com a defecação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome do intestino irritável: critérios diagnósticos
Gabarito: letra A. O critério diagnóstico central da síndrome do intestino irritável (SII) é a dor abdominal que melhora com a defecação, conforme os critérios de Roma e a literatura médica (Harrison, capítulo sobre SII). As demais alternativas ou negam essa relação (B, C, E) ou trazem critérios inexistentes (D).
A síndrome do intestino irritável é um distúrbio funcional gastrointestinal crônico, caracterizado por dor ou desconforto abdominal associado a alterações do hábito intestinal (constipação, diarreia ou alternância entre ambos), na ausência de doença orgânica que explique os sintomas. É um dos diagnósticos mais frequentes em gastroenterologia, afetando cerca de 12% da população global, e sua fisiopatologia envolve alterações na motilidade, na sensibilidade visceral, na microbiota e no eixo intestino-cérebro.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que exigem dor abdominal recorrente, pelo menos um dia por semana nos últimos três meses, associada a dois ou mais dos seguintes: relação com a defecação, alteração na frequência das evacuações e alteração na forma (aspecto) das fezes. A dor tipicamente melhora após a evacuação, e não piora — esse é o ponto-chave que a questão explora.
Na prática clínica, o médico deve perguntar ao paciente se a dor alivia com a defecação, se está relacionada à frequência das evacuações e à consistência das fezes. A presença de dor que não melhora com a defecação, ou que não tem relação com o hábito intestinal, sugere outros diagnósticos, como dor abdominal funcional ou doença orgânica. Além disso, sinais de alarme (perda de peso, anemia, sintomas noturnos, início após os 50 anos) afastam o diagnóstico de SII e indicam investigação de doença orgânica.
A banca explora exatamente a inversão do critério: em vez de "melhora com a defecação", apresenta alternativas com "sem relação" ou "não melhora". O candidato que não domina o critério de Roma pode marcar uma alternativa que nega a relação, caindo na pegadinha.
Critérios de Roma IV (SII)
1Dor abdominal recorrente
≥ 1 dia/semana nos últimos 3 meses
2Associada a ≥ 2 critérios
Relação com a defecação
Melhora com a defecação
Alteração na frequência das evacuações
Alteração na forma das fezes
3Sinais de alarme (afastam SII)
Perda de peso
Anemia
Sintomas noturnos
Início após 50 anos
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dor abdominal na SII melhora com a defecação. Esse é um dos critérios diagnósticos centrais dos critérios de Roma: a dor está associada à defecação, e o alívio após evacuar é característico. O texto de apoio confirma: "Esses critérios incluem dor associada à mudança do ritmo intestinal, aliviada com a defecação ou acompanhada de distensão ou plenitude." Portanto, a alternativa A está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a dor abdominal não tem relação com a frequência de evacuações. Isso contraria o critério de Roma, que exige que a dor esteja associada à defecação (melhora ou piora) e à alteração da frequência ou forma das fezes. A SII é definida justamente pela relação entre dor e hábito intestinal; sem essa relação, o diagnóstico não se sustenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repete o erro da B, acrescentando que também não há relação com a mudança na forma das fezes. Na SII, a dor está associada tanto à frequência quanto à consistência das fezes — a alteração do formato é um dos critérios de Roma. A alternativa nega exatamente o que define a síndrome.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta um critério inexistente: "dor abdominal duas vezes por dia nos últimos seis meses". Não há previsão de frequência diária nem de duração de seis meses nos critérios de Roma. O critério temporal é de pelo menos um dia por semana nos últimos três meses, e a frequência da dor não é especificada em número de episódios diários.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a dor é constante e não melhora com a defecação. Isso é o oposto do critério de Roma: a dor na SII tipicamente melhora após evacuar. Dor constante e sem relação com a defecação sugere outras condições, como síndrome da dor abdominal funcional, e não SII.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o critério central: em vez de "melhora com a defecação", apresenta alternativas com "sem relação" ou "não melhora". O candidato que decora o critério de forma incompleta pode marcar B ou C, achando que a dor "não tem relação" é o correto. Lembre-se: na SII, a dor SEMPRE tem relação com o hábito intestinal e melhora com a evacuação.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de SII, memorize os três pilares dos critérios de Roma: (1) dor abdominal recorrente, (2) associada à defecação, (3) associada a alteração na frequência ou forma das fezes. Se a alternativa negar qualquer uma dessas relações, está errada.