Questão de Veterinária — Suinocultura — FUNDATEC 2024
Veterinária›Suinocultura
Código
qg173830
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Monte Castelo - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Veterinário
A suinocultura é caracterizada por ser uma atividade de alto impacto mundial, tendo no Brasil altos índices de produção e exportação de carne suína. Essa atividade representa importante fonte econômica e comercial no país, principalmente na região Sul. A parvovirose suína está entre as doenças de maior importância em função dos prejuízos causados pela infecção nos plantéis infectados pelo vírus. Nesse sentido, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) A parvovirose é de distribuição global e é uma das principais causas de falhas reprodutivas em fêmeas gestantes.( ) O vírus apresenta alta afinidade por células em fase de mitose.( ) Os maiores problemas em uma granja de suínos infectada pelo parvovírus são observados nos cornetos nasais dos leitões.( ) Os machos suínos podem desempenhar um importante papel na epidemiologia da doença, uma vez que o vírus pode ser encontrado no sêmen.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AF – V – F – V.
BF – F – F – V.
CV – V – V – F.
DV – V – F – V.
EV – F – V – F.
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GabaritoD — V – V – F – V.
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Parvovirose suína: falhas reprodutivas e epidemiologia
Gabarito: letra D (V – V – F – V). A parvovirose suína é uma doença viral de distribuição mundial e uma das principais causas de falhas reprodutivas em fêmeas gestantes; o vírus tem tropismo por células em divisão ativa (mitose); os problemas clínicos se manifestam como morte fetal, mumificação e natimortos — não nos cornetos nasais (isso é rinite atrófica, causada por Bordetella bronchiseptica e Pasteurella multocida); e os machos podem eliminar o vírus no sêmen, participando da disseminação. A assertiva III é a única falsa.
A parvovirose suína é causada pelo parvovírus suíno tipo 1 (PPV1), um vírus de DNA de fita simples, não envelopado, extremamente resistente no ambiente. A doença é conhecida mundialmente e está associada a um quadro reprodutivo clássico: quando uma fêmea soronegativa é infectada durante a gestação, o vírus atravessa a barreira placentária e infecta os fetos. O desfecho depende da fase gestacional: infecções precoces levam à reabsorção embrionária e ao retorno ao cio; infecções no terço médio causam mumificação fetal; infecções tardias podem resultar em natimortos ou leitões fracos. O número de fetos afetados varia, e a ninhada pode apresentar leitões normais ao lado de mumificados — o chamado "complexo mumificação-natimorto-embrionário".
O tropismo do parvovírus por células em mitose é a chave da patogenia. O vírus depende de proteínas celulares expressas durante a fase S do ciclo celular para replicar seu genoma. Por isso, tecidos com alta taxa de divisão celular — como o feto em desenvolvimento — são os principais alvos. Essa característica explica por que a infecção em fêmeas gestantes causa danos fetais, enquanto em animais adultos, com baixa taxa de divisão celular, a infecção é geralmente subclínica. A afinidade por células em mitose é um conceito central para entender a epidemiologia e a patogenia da doença.
A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, mas a via venérea também é relevante. Os machos podem eliminar o vírus no sêmen, tanto na fase aguda da infecção quanto de forma intermitente, e o sêmen contaminado pode transmitir a doença para fêmeas durante a monta natural ou a inseminação artificial. Por isso, a introdução de reprodutores infectados em uma granja é um risco epidemiológico importante. A vacinação de fêmeas e machos é a principal medida de controle, e a biosseguridade é essencial para evitar a introdução do vírus.
A pegadinha da questão está na assertiva III, que troca a manifestação clínica da parvovirose (falhas reprodutivas) por uma lesão típica de outra doença: os cornetos nasais são afetados na rinite atrófica, uma doença bacteriana causada por Bordetella bronchiseptica e Pasteurella multocida, que causa atrofia dos cornetos nasais e deformidade do focinho. A banca explora a confusão entre doenças que afetam suínos, mas com manifestações clínicas distintas. Guarde a fronteira entre parvovirose (reprodutivo) e rinite atrófica (respiratório): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Assertiva 1 — ✅ Verdadeira
A parvovirose é de distribuição global e é uma das principais causas de falhas reprodutivas em fêmeas gestantes. A doença está presente em praticamente todos os países com suinocultura, e o vírus é endêmico na maioria dos plantéis. A infecção em fêmeas soronegativas durante a gestação leva a reabsorção embrionária, mumificação fetal, natimortos e leitões fracos, configurando um quadro de falha reprodutiva. A assertiva está correta.
Assertiva 2 — ✅ Verdadeira
O vírus apresenta alta afinidade por células em fase de mitose. Essa é uma característica fundamental do parvovírus: ele depende de células em divisão ativa para replicar, pois utiliza enzimas da fase S do ciclo celular. Por isso, os fetos em desenvolvimento, com alta taxa de divisão celular, são os principais alvos. A assertiva está correta.
Assertiva 3 — ❌ Falsa
Os maiores problemas em uma granja de suínos infectada pelo parvovírus não são observados nos cornetos nasais dos leitões. A parvovirose causa falhas reprodutivas, não lesões respiratórias. A atrofia dos cornetos nasais é característica da rinite atrófica, uma doença bacteriana causada por Bordetella bronchiseptica e Pasteurella multocida. A assertiva está incorreta.
Assertiva 4 — ✅ Verdadeira
Os machos suínos podem desempenhar um importante papel na epidemiologia da doença, uma vez que o vírus pode ser encontrado no sêmen. A transmissão venérea é uma via relevante de disseminação, tanto na monta natural quanto na inseminação artificial. A assertiva está correta.
Conclusão: Corretas: 1, 2 e 4 → portanto a alternativa é a letra D.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a manifestação clínica da parvovirose (falhas reprodutivas) pela da rinite atrófica (cornetos nasais). O candidato que confunde as duas doenças marca a assertiva III como verdadeira. Lembre-se: parvovirose = reprodutivo; rinite atrófica = respiratório. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar, monte uma tabela comparativa entre as principais doenças reprodutivas e respiratórias dos suínos, anotando o agente etiológico e a manifestação clínica típica. Isso ajuda a não confundir na hora da prova.