Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FUNDATEC 2024
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
qg174443
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Panambi - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico da Família
Em relação aos princípios do SUS, assinale a alternativa correta.
AO princípio da integralidade considera as pessoas como um todo, atendendo todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação.
BO princípio da equidade traz a igualdade para todos, isto é, todos têm os mesmos direitos sobre os serviços de saúde, sem distinção. Isso demonstra que todos têm as mesmas necessidades e serão atendidos da mesma maneira.
CNa regionalização, os serviços devem ser organizados em níveis decrescentes de complexidade, planejados a partir de critérios epidemiológicos em determinada área geográfica, sem conhecimento da população a ser atendida.
DA descentralização é retirar o poder da União e distribuí-lo para os estados. Dessa maneira, os serviços são prestados com maior qualidade e a fiscalização por parte do estado não permite que o nível de atenção diminua em cada município.
ENa universalização, o direito de acesso à saúde pertence a todos e está assegurado por cada município, de acordo com regras ditadas por seus gestores, que são direcionados pela União.
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GabaritoA — O princípio da integralidade considera as pessoas como um todo, atendendo todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Princípios do SUS: integralidade, equidade, universalidade e diretrizes organizacionais
Gabarito: letra A. A alternativa correta descreve com precisão o princípio da integralidade: considerar a pessoa como um todo, integrando ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação. As demais alternativas distorcem os conceitos de equidade, regionalização, descentralização e universalização, como veremos em detalhe.
A Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) estabelece os princípios doutrinários do SUS — universalidade, equidade e integralidade — e as diretrizes organizacionais — regionalização, hierarquização, descentralização e participação social. É fundamental distinguir esses dois grupos: os princípios doutrinários expressam os valores do sistema, enquanto as diretrizes organizacionais definem como o sistema se estrutura e funciona na prática.
Integralidade significa que o sistema de saúde deve enxergar o indivíduo de forma completa, não como um conjunto de partes isoladas. Isso implica integrar ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação, superando a histórica separação entre saúde pública (preventiva) e assistência médica (curativa). Na prática, um paciente diabético não deve ser tratado apenas com medicamentos: precisa de orientação nutricional, atividade física, acompanhamento psicológico e educação em saúde — tudo articulado.
Equidade é frequentemente confundida com igualdade, mas são conceitos distintos. Igualdade significa tratar todos da mesma forma; equidade significa tratar de forma diferente aqueles que têm necessidades diferentes, priorizando quem mais precisa. É a chamada "discriminação positiva": dar mais a quem tem menos, para reduzir desigualdades. Por exemplo, uma região com alta mortalidade infantil deve receber mais recursos e ações específicas do que uma região com indicadores melhores.
Universalidade garante que todos os cidadãos têm direito de acesso às ações e serviços de saúde, sem qualquer tipo de discriminação. Esse direito é assegurado pelo Estado, em todas as esferas de governo, e não depende de contribuição prévia — diferentemente da seguridade social, que exige contribuição para alguns benefícios. A universalidade é um direito constitucional, não uma concessão dos gestores municipais.
Regionalização e hierarquização organizam os serviços em níveis crescentes de complexidade, distribuídos em uma região de saúde, com base em critérios epidemiológicos e no conhecimento da população a ser atendida. A descentralização redistribui poder e responsabilidades entre União, estados e municípios, com direção única em cada esfera de governo, visando aproximar a gestão do cidadão.
A pegadinha central desta questão é a troca de conceitos: a banca apresenta definições de um princípio usando características de outro, ou inverte o sentido das diretrizes. O candidato que domina a diferença entre igualdade e equidade, e entre os princípios doutrinários e as diretrizes organizacionais, resolve a questão com segurança.
Critério
Universalidade
Equidade
Integralidade
Conceito
Acesso para todos
Tratar diferente os desiguais
Pessoa como um todo
Foco
Direito de todos, sem discriminação
Priorizar quem mais precisa
Integrar ações de saúde
Ações
Garantia estatal de acesso
Discriminação positiva
Promoção, prevenção, tratamento e reabilitação
Erro comum
Confundir com concessão municipal
Confundir com igualdade
Confundir com atendimento isolado
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a integralidade: "considera as pessoas como um todo, atendendo todas as suas necessidades". Isso exige "integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação". A integralidade é um princípio doutrinário do SUS, previsto na Lei nº 8.080/1990, que supera a dicotomia entre ações preventivas e curativas, articulando um amplo espectro de intervenções.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa confunde equidade com igualdade. A equidade não significa tratar todos da mesma maneira, mas sim priorizar quem tem mais necessidade — a chamada "discriminação positiva". A igualdade formal (todos têm os mesmos direitos) é um aspecto da universalidade, não da equidade. O erro está em afirmar que "todos têm as mesmas necessidades e serão atendidos da mesma maneira", o que contraria o princípio da equidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que os serviços devem ser organizados em "níveis decrescentes de complexidade" e "sem conhecimento da população a ser atendida". A regionalização organiza os serviços em níveis crescentes de complexidade (da atenção básica à alta complexidade), planejados a partir de critérios epidemiológicos e do conhecimento da população da área geográfica. O planejamento em saúde exige conhecer as necessidades da população para organizar a oferta de serviços.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta uma visão distorcida da descentralização. A descentralização não é apenas "retirar o poder da União e distribuí-lo para os estados" — envolve também os municípios, que são os principais executores das ações de saúde. Além disso, a fiscalização não é função exclusiva do estado, e a descentralização não garante automaticamente que "o nível de atenção não diminua em cada município". A diretriz correta é a redistribuição de responsabilidades entre as três esferas de governo, com direção única em cada uma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o acesso à saúde "está assegurado por cada município, de acordo com regras ditadas por seus gestores". A universalização é um direito constitucional garantido pelo Estado como um todo, não uma concessão dos gestores municipais. O acesso deve ser igualitário em todo o território nacional, sem depender de regras locais que possam restringir o direito. A universalidade é um princípio doutrinário do SUS, não uma diretriz organizacional sujeita à discricionariedade municipal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre igualdade e equidade (alternativa B) e entre princípios doutrinários e diretrizes organizacionais (alternativas C, D e E). Na prova, desconfie de alternativas que usam "todos da mesma maneira" para definir equidade — o correto é "priorizar quem mais precisa".
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: Universalidade = acesso para todos; Equidade = tratar diferente os desiguais; Integralidade = pessoa como um todo, ações integradas. As diretrizes (regionalização, hierarquização, descentralização, participação social) respondem ao "como organizar", não ao "para quem".