Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
- Código
- qg175048
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Passo Fundo - RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- ARepressão.
- BDeslocamento.
- CProjeção.
- DRacionalização.
- ENegação.
GabaritoE — Negação.
Gabarito: letra E. O paciente utiliza o mecanismo de defesa da negação, pois, ao afirmar que "sente tudo bem" na maior parte do tempo, ele recusa reconhecer a realidade de sua hipertensão mal controlada e o risco que ela representa — comportamento típico da negação, que opera de forma inconsciente para bloquear a percepção de uma verdade ameaçadora. A alternativa correta é a letra E.
Os mecanismos de defesa do ego são estratégias inconscientes que a mente utiliza para proteger o indivíduo de ansiedades, conflitos e ameaças à autoestima. Eles distorcem a realidade de alguma forma, permitindo que a pessoa lide com situações que seriam emocionalmente insuportáveis se fossem percebidas em sua totalidade. No caso clínico apresentado, o paciente tem um diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica mal controlada, histórico familiar fortíssimo de eventos cardiovasculares (mãe falecida por AVE, pai por infarto), e ainda assim minimiza a gravidade da situação, justificando o descuido com o tratamento por estar "muito ocupado" e "cansado".
A negação é o mecanismo mais primitivo e consiste na recusa inconsciente em aceitar uma realidade externa dolorosa ou ameaçadora. É como se a pessoa "não visse" o problema, mesmo quando as evidências são claras. No caso, o paciente não diz que não tem hipertensão — ele diz que "sente tudo bem", ou seja, nega a importância da doença e a necessidade de tratá-la, porque reconhecê-la plenamente geraria uma ansiedade insuportável. Essa é a essência da negação: bloquear a percepção da realidade ameaçadora.
A racionalização, por outro lado, é um mecanismo mais sofisticado: a pessoa reconhece o problema, mas cria explicações lógicas e aceitáveis para justificar comportamentos que, na verdade, são motivados por razões inconscientes. No caso, o paciente até oferece justificativas (estar ocupado, cansado, esquecer os comprimidos), mas o ponto central é que ele não reconhece a gravidade da doença — ele afirma que "sente tudo bem", o que indica que a negação é o mecanismo predominante. A racionalização viria como um complemento, mas a resposta à pergunta do profissional de saúde é marcada pela negação da própria doença.
Para diferenciar os mecanismos na prática clínica, é útil observar o que o paciente faz com a realidade ameaçadora:
Mecanismo | O que faz com a realidade | Exemplo clínico |
|---|---|---|
Negação | Recusa aceitar a realidade | "Não tenho problema nenhum, me sinto bem" |
Racionalização | Aceita a realidade, mas cria justificativas lógicas | "Sei que tenho pressão alta, mas não tenho tempo para me cuidar" |
Repressão | Remove da consciência um conteúdo que já foi percebido | Esquecer um trauma, sem perceber que está esquecendo |
Deslocamento | Transfere um sentimento de um alvo para outro mais seguro | Descontar a raiva do chefe na esposa |
Projeção | Atribui a outra pessoa sentimentos ou impulsos próprios | "Meu marido é que é negligente com a saúde" |
A pegadinha desta questão está em confundir negação com racionalização. O paciente justifica o descuido (racionalização), mas a justificativa é secundária — o que ele faz primeiro é negar que haja um problema real ("sente tudo bem"). A banca explora exatamente essa sobreposição: o candidato que se fixa nas justificativas escolhe racionalização, mas o mecanismo central, aquele que responde à pergunta do profissional, é a negação da doença. Guarde a fronteira: negação = recusa da realidade; racionalização = explicação lógica para um comportamento que já reconhece o problema.
A repressão é o mecanismo pelo qual conteúdos dolorosos são removidos da consciência de forma inconsciente, como esquecer um evento traumático. No caso, o paciente não esqueceu a doença — ele a reconhece (sabe que tem hipertensão), mas minimiza sua gravidade. A repressão atua sobre conteúdos internos (memórias, impulsos), enquanto a negação atua sobre a realidade externa. O paciente não está "esquecendo" a hipertensão; está recusando aceitar sua importância.
O deslocamento consiste em transferir um impulso ou sentimento de um objeto original para outro menos ameaçador. Por exemplo, um paciente que sente raiva do médico e a desconta na esposa. No caso, não há transferência de sentimento algum — o paciente simplesmente não reconhece a gravidade da doença. Não há deslocamento de afeto, há negação da realidade.
A projeção é o mecanismo pelo qual a pessoa atribui a outra pessoa sentimentos, impulsos ou características que são seus, mas que não consegue aceitar em si mesma. No caso, o paciente não atribui a ninguém a responsabilidade pelo descuido — ele mesmo justifica o comportamento. Não há projeção de culpa ou de sentimentos; há negação da doença.
A racionalização é o mecanismo pelo qual a pessoa cria explicações lógicas e aceitáveis para justificar comportamentos motivados por razões inconscientes. O paciente até oferece justificativas (estar ocupado, cansado), mas o ponto central é que ele não reconhece a gravidade da doença — ele afirma que "sente tudo bem", o que indica que a negação é o mecanismo predominante. A racionalização viria como um complemento, mas a resposta à pergunta do profissional de saúde é marcada pela negação da própria doença.
A negação é o mecanismo de defesa mais primitivo, no qual a pessoa recusa inconscientemente aceitar uma realidade externa dolorosa ou ameaçadora. O paciente, ao afirmar que "sente tudo bem" na maior parte do tempo, está negando a gravidade de sua hipertensão mal controlada, apesar do histórico familiar de eventos cardiovasculares. Essa recusa em reconhecer a doença é a essência da negação: bloquear a percepção da realidade ameaçadora para evitar a ansiedade que ela geraria. É exatamente o que o paciente faz ao responder às perguntas do profissional de saúde.
A banca explora a sobreposição entre negação e racionalização. O paciente justifica o descuido (racionalização), mas o que ele faz primeiro é negar que haja um problema real ("sente tudo bem"). O candidato que se fixa nas justificativas escolhe racionalização, mas o mecanismo central, aquele que responde à pergunta do profissional, é a negação da doença. Na prova, pergunte-se: o paciente reconhece o problema? Se não, é negação — mesmo que ele ofereça explicações.
Gabarito: letra E
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