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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg175049
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Passo Fundo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Qual intervenção é mais recomendada para minimizar o risco de recorrência de Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico?
  1. ATerapia com altas doses de vitamina E.
  2. BControle da pressão arterial.
  3. CUso de estatinas, independentemente dos níveis de colesterol.
  4. DAdministração de heparina de baixo peso molecular a longo prazo.
  5. ETerapia com corticosteroides para reduzir a inflamação vascular.
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GabaritoB — Controle da pressão arterial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prevenção secundária do AVE isquêmico

Gabarito: letra B. O controle da pressão arterial é a intervenção mais recomendada para minimizar o risco de recorrência de AVE isquêmico, pois a hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável e sua redução diminui em cerca de 28% o risco de AVE recorrente, independentemente da história prévia de HAS. As demais alternativas apresentam intervenções sem evidência robusta ou com indicações específicas que não se aplicam à prevenção secundária de forma geral.

A prevenção secundária do AVE isquêmico visa evitar um novo evento cerebrovascular em pacientes que já sofreram um primeiro episódio. Diferentemente da prevenção primária, que atua antes do primeiro evento, a secundária é mais agressiva e baseada em evidências de ensaios clínicos randomizados. O controle pressórico é a pedra angular dessa estratégia: estudos demonstram que a redução da pressão arterial em pacientes com doença cerebrovascular diminui o risco de AVE recorrente em 28%, mesmo naqueles sem diagnóstico prévio de hipertensão. As diretrizes atuais recomendam o uso de anti-hipertensivos para atingir metas tensionais individualizadas, em vez de priorizar um agente específico.

As estatinas também têm papel importante na prevenção secundária, especialmente em pacientes com doença aterosclerótica. O estudo SPARCL demonstrou que a atorvastatina 80 mg/dia reduziu o risco de AVE recorrente de 13,1% para 11,2% ao longo de 5 anos, e o estudo Treat Stroke to Target mostrou benefício adicional com LDL abaixo de 70 mg/dL. No entanto, a alternativa C afirma que as estatinas devem ser usadas "independentemente dos níveis de colesterol", o que é uma generalização incorreta: a indicação se baseia no risco cardiovascular global e na presença de doença aterosclerótica, não sendo uma recomendação universal sem avaliação do perfil lipídico.

A anticoagulação com heparina de baixo peso molecular a longo prazo (alternativa D) não é recomendada na prevenção secundária do AVE isquêmico. Na fase aguda, a anticoagulação precoce não reduz mortalidade e aumenta o risco de hemorragia intracraniana sintomática. A longo prazo, a anticoagulação oral (como varfarina ou anticoagulantes diretos) é indicada apenas para pacientes com fibrilação atrial ou outras fontes cardioembólicas, não como terapia universal. A vitamina E (alternativa A) e os corticosteroides (alternativa E) não têm evidência de benefício na prevenção de recorrência do AVE isquêmico e não fazem parte das diretrizes atuais.

A pegadinha desta questão está em distinguir as intervenções com evidência sólida daquelas que são mitos ou têm indicações restritas. O candidato pode ser tentado a escolher estatinas (alternativa C) por sua relevância na prevenção secundária, mas a redação "independentemente dos níveis de colesterol" torna a alternativa incorreta. Da mesma forma, a heparina pode parecer atraente por ser um anticoagulante, mas seu uso prolongado não é recomendado sem indicação específica. O controle pressórico é a intervenção mais universal e com maior impacto na redução de recorrência, sendo a resposta correta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A terapia com altas doses de vitamina E não tem evidência de benefício na prevenção de recorrência do AVE isquêmico. Estudos não demonstraram redução significativa do risco cardiovascular com suplementação de vitamina E, e ela não faz parte de nenhuma diretriz de prevenção secundária. A alternativa confunde antioxidantes com intervenções comprovadas, mas a evidência científica não sustenta seu uso para essa finalidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O controle da pressão arterial é a intervenção mais recomendada para minimizar o risco de recorrência de AVE isquêmico. A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável, e ensaios clínicos randomizados demonstraram que a redução da PA em pacientes com doença cerebrovascular diminui o risco de AVE recorrente em 28%, independentemente da história prévia de HAS. As diretrizes atuais recomendam anti-hipertensivos para atingir metas tensionais individualizadas, sendo esta a medida com maior impacto populacional na prevenção secundária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As estatinas são benéficas na prevenção secundária do AVE isquêmico, especialmente em pacientes com doença aterosclerótica, como demonstrado pelos estudos SPARCL e Treat Stroke to Target. No entanto, a alternativa afirma que devem ser usadas "independentemente dos níveis de colesterol", o que é incorreto. A indicação de estatina baseia-se na avaliação do risco cardiovascular global e do perfil lipídico, não sendo uma recomendação universal sem essa avaliação. A redação torna a alternativa exagerada e, portanto, errada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A administração de heparina de baixo peso molecular a longo prazo não é recomendada na prevenção secundária do AVE isquêmico. Na fase aguda, a anticoagulação precoce não reduz mortalidade e aumenta o risco de hemorragia intracraniana sintomática. A longo prazo, a anticoagulação oral é indicada apenas para pacientes com fibrilação atrial ou outras fontes cardioembólicas, não como terapia universal para todos os pacientes com AVE isquêmico. A alternativa generaliza uma intervenção que tem indicações restritas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A terapia com corticosteroides para reduzir a inflamação vascular não tem evidência de benefício na prevenção de recorrência do AVE isquêmico. Os corticosteroides não fazem parte de nenhuma diretriz de prevenção secundária e podem até aumentar o risco de eventos cardiovasculares. A alternativa confunde o processo inflamatório na aterosclerose com uma indicação terapêutica que não é suportada por ensaios clínicos.

Gabarito: letra B

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