Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg175057
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Passo Fundo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem, 54 anos, ex-tabagista (20 anos/maço, tendo parado de fumar há 1 ano) chega na emergência por queixa de náusea, vômitos e dor abdominal em flanco direito, com início dos sintomas há 12 horas. Nega ter tido febre ou alteração do hábito urinário. Apresenta diagnóstico prévio de diabetes melito tipo 2, obesidade (IMC 31 kg/m²), hiperlipidemia, hipertensão arterial sistêmica e fibrilação atrial. Faz uso de atorvastatina, metformina, hidroclorotiazida, lisinopril e varfarina. Nega uso de álcool ou drogas ilícitas. Ao exame, FC 88 bpm, FR 20 mrpm, PA 183 x 92 mmHg, SpO2 96% em ar ambiente e Tax 36,4°C. O exame físico revela sensibilidade à palpação no quadrante superior direito e no flanco, mas sem defesa abdominal. A tomografia computadorizada de abdome sem contraste mostra rim direito aumentado e áreas de hipodensidade em forma de cunha; não há evidência de nefrolitíase. Qual das alternativas a seguir apresenta o principal fator de risco predisponente para a condição desse paciente?
AFibrilação atrial.
BHiperlipidemia.
CHipertensão arterial sistêmica.
DHistórico de tabagismo.
EDiabetes melito tipo 2.
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GabaritoA — Fibrilação atrial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infarto renal: diagnóstico e fatores de risco
Gabarito: letra A. O quadro clínico — dor abdominal/flanco direito, náuseas e vômitos, sem febre — associado à tomografia mostrando rim aumentado com áreas hipodensas em cunha, é clássico de infarto renal. O principal fator de risco predisponente nesse paciente é a fibrilação atrial, que é a causa mais comum de êmbolos renais, especialmente em um paciente que já faz uso de varfarina (anticoagulante), o que sugere que a anticoagulação pode ter sido inadequada ou interrompida.
O infarto renal é uma condição relativamente rara, mas subdiagnosticada, causada pela oclusão aguda da artéria renal ou de seus ramos, geralmente por um êmbolo. A apresentação clássica é a tríade de dor em flanco, náuseas/vômitos e febre, embora a febre possa estar ausente em muitos casos, como neste paciente. A tomografia computadorizada sem contraste é um exame útil, mostrando áreas hipodensas em forma de cunha, que representam zonas de infarto, e o aumento do rim afetado devido ao edema.
A causa mais comum de infarto renal é a embolia de origem cardíaca, sendo a fibrilação atrial o principal fator de risco. Outras causas incluem endocardite infecciosa, trombo mural ventricular esquerdo, mixoma atrial e, menos comumente, trombose in situ da artéria renal (associada a trauma, vasculite ou hipercoagulabilidade). A fibrilação atrial promove a formação de trombos no átrio esquerdo, que podem se desprender e ocluir a artéria renal, levando ao infarto.
É importante distinguir o infarto renal de outras causas de dor abdominal aguda, como cólica renal (nefrolitíase), pielonefrite, colecistite ou apendicite. A ausência de febre e de alterações urinárias, juntamente com os achados tomográficos característicos, ajudam a diferenciar o infarto renal de outras condições. A presença de fatores de risco cardiovascular, como diabetes, hipertensão e dislipidemia, também aumenta a suspeita, mas o fator de risco mais diretamente relacionado ao mecanismo embólico é a fibrilação atrial.
A banca explora a confusão entre fatores de risco cardiovascular gerais e o fator de risco específico para o mecanismo fisiopatológico do infarto renal. Enquanto diabetes, hipertensão e dislipidemia são fatores de risco para aterosclerose, a fibrilação atrial é o fator de risco direto para a formação de êmbolos cardíacos, que é a causa mais comum de infarto renal. O histórico de tabagismo também é um fator de risco cardiovascular, mas não é o principal fator predisponente para o evento embólico agudo.
Infarto renal: Mecanismo mais comum (Embolia de origem cardíaca, Fibrilação atrial (principal fator)); Outros fatores de risco (Aterosclerose (diabetes, HAS, dislipidemia, tabagismo), Não são a causa mais comum); Diagnóstico por imagem (Áreas hipodensas em cunha, Rim aumentado (edema))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fibrilação atrial é o principal fator de risco para o infarto renal, pois é a causa mais comum de embolia de origem cardíaca. O paciente apresenta fibrilação atrial e faz uso de varfarina, o que reforça a suspeita de que o infarto renal foi causado por um êmbolo originado no átrio esquerdo. A ausência de nefrolitíase e o padrão tomográfico em cunha confirmam o diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hiperlipidemia é um fator de risco para aterosclerose, mas não é o principal fator predisponente para o infarto renal agudo. Ela contribui para a formação de placas ateroscleróticas, que podem levar a trombose in situ, mas a causa mais comum de infarto renal é a embolia cardíaca, não a aterosclerose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial sistêmica também é um fator de risco cardiovascular, mas não é o principal fator predisponente para o infarto renal. Ela pode levar a dano renal crônico, mas o evento agudo de infarto renal é mais comumente causado por embolia cardíaca, como na fibrilação atrial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O histórico de tabagismo é um fator de risco para doença cardiovascular, mas não é o principal fator predisponente para o infarto renal. O tabagismo contribui para aterosclerose, mas a causa mais comum de infarto renal é a embolia cardíaca, não o tabagismo isoladamente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diabetes melito tipo 2 é um fator de risco para doença renal crônica e aterosclerose, mas não é o principal fator predisponente para o infarto renal agudo. A causa mais comum de infarto renal é a embolia cardíaca, e a fibrilação atrial é o fator de risco mais diretamente associado a esse mecanismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao listar vários fatores de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão, dislipidemia, tabagismo) como se todos fossem igualmente relevantes para o infarto renal. No entanto, o mecanismo fisiopatológico mais comum do infarto renal é a embolia de origem cardíaca, e a fibrilação atrial é o fator de risco que predispõe diretamente a essa embolia. Lembre-se: em um paciente com dor abdominal aguda, rim aumentado e áreas hipodensas em cunha na tomografia, a fibrilação atrial é o principal fator de risco a ser considerado.