Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
qg175060
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Passo Fundo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Acerca da hepatite viral aguda, causada pelo vírus da hepatite B (HBV), assinale a alternativa correta.
  1. AO HBV apresenta um envelope e um capsídeo que contém o genoma de RNA e a polimerase do HBV.
  2. BA transmissão perinatal da mãe para o lactente (transmissão vertical) está associada a uma taxa muito baixa de infecção crônica.
  3. CA hepatite fulminante é mais frequente na infecção aguda pelo HBV do que em outros tipos de hepatite viral aguda.
  4. DA vacinação consiste na administração de HBsAg recombinante em duas injeções, aos 0 e 6 meses em adultos.
  5. EA infecção aguda pelo HBV habitualmente exige tratamento antiviral para todos os indivíduos com HBV-DNA positivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A hepatite fulminante é mais frequente na infecção aguda pelo HBV do que em outros tipos de hepatite viral aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatite B: aspectos virológicos, transmissão e prevenção

Gabarito: letra C. A hepatite fulminante é, de fato, mais frequente na infecção aguda pelo HBV do que em outras hepatites virais agudas comuns, como a hepatite A e a hepatite C. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o HBV possui genoma de DNA (não RNA), a transmissão vertical está associada a alta taxa de cronificação (não baixa), a vacina é administrada em três doses (não duas) e o tratamento antiviral não é indicado para todos os pacientes com HBV-DNA positivo na fase aguda.

O vírus da hepatite B (HBV) é um vírus envelopado, pertencente à família Hepadnaviridae, cujo genoma é composto por DNA de fita parcialmente dupla. Essa característica o distingue do vírus da hepatite C (HCV), que possui RNA de fita simples. O HBV é transmitido por via parenteral, sexual e vertical (mãe-filho), sendo altamente infectante — cerca de 10 vezes mais que o HCV e 100 vezes mais que o HIV em exposições percutâneas.

A transmissão vertical é um dos principais mecanismos de manutenção do HBV em áreas de alta endemicidade. O risco de cronificação é inversamente proporcional à idade de aquisição: cerca de 90% dos recém-nascidos infectados evoluem para hepatite crônica, enquanto menos de 5% dos adultos imunocompetentes cronificam. Por isso, a profilaxia com imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB) e vacina nas primeiras 12 horas de vida é essencial para prevenir a transmissão perinatal.

A vacina contra hepatite B é composta por HBsAg recombinante e, no esquema padrão para adultos, é administrada em três doses (0, 1 e 6 meses). A resposta vacinal é verificada pela dosagem de anti-HBs, considerando-se imunizado o indivíduo com título ≥ 10 UI/mL. O tratamento antiviral, por sua vez, é indicado para casos selecionados de hepatite crônica, como aqueles com alta replicação viral (HBV-DNA > 20.000 UI/mL) e elevação de aminotransferases, e não para todos os pacientes com HBV-DNA positivo na infecção aguda.

A hepatite fulminante é uma complicação rara, porém grave, da hepatite viral aguda. Sua incidência varia conforme o agente etiológico: é mais frequente na hepatite B (cerca de 1% dos casos) do que na hepatite A (0,01% a 0,5%) e na hepatite C (< 0,1%). Essa diferença é um dos pontos que a banca explora, pois o candidato pode confundir a frequência de cronificação (maior no HBV) com a de fulminância.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o risco de cronificação e o risco de hepatite fulminante. No HBV, a cronificação é alta (especialmente na transmissão vertical), mas a fulminância é rara — embora seja a mais frequente entre as hepatites virais agudas. Fique atento: a alternativa B inverte o risco de cronificação na transmissão vertical, afirmando que é baixo, quando na verdade é altíssimo (até 90%).

Alternativa A — ❌ Incorreta

O HBV possui genoma de DNA de fita parcialmente dupla, e não RNA. O envelope e o capsídeo contêm o genoma de DNA e a polimerase viral. A alternativa confunde o HBV com o HCV, que é um vírus de RNA de fita simples. Essa troca de material genético é um erro clássico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A transmissão vertical (perinatal) está associada a uma taxa muito alta de infecção crônica, e não baixa. O risco de cronificação é de aproximadamente 90% em recém-nascidos infectados, caindo para 25-30% em crianças de 1 a 5 anos e para menos de 5% em adultos. A alternativa inverte completamente o risco.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hepatite fulminante é mais frequente na infecção aguda pelo HBV (cerca de 1%) do que em outras hepatites virais agudas, como a hepatite A (0,01% a 0,5%) e a hepatite C (< 0,1%). Embora seja uma complicação rara, o HBV é o que apresenta maior incidência entre os vírus hepatotrópicos comuns.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vacina contra hepatite B é administrada em três doses (0, 1 e 6 meses) no esquema padrão para adultos, e não em duas. A alternativa erra o número de doses do esquema vacinal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A infecção aguda pelo HBV não exige tratamento antiviral para todos os pacientes com HBV-DNA positivo. O tratamento é indicado para casos selecionados de hepatite crônica, como aqueles com alta replicação viral (HBV-DNA > 20.000 UI/mL) e elevação de aminotransferases, ou em situações específicas (imunossupressão, gestantes com alta carga viral, etc.). Na fase aguda, a maioria dos adultos imunocompetentes elimina o vírus espontaneamente, sendo o tratamento de suporte a conduta inicial.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg175060