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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg175064
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Passo Fundo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
A síndrome do anticorpo antifosfolipídio (SAF) está associada à trombose e ao aborto espontâneo recorrente, com autoanticorpos direcionados contra fosfolipídios. Acerca dessa patologia, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) Um único exame com um nível elevado de Anticoagulante Lúpico (AL) é suficiente para se considerar um critério laboratorial positivo para SAF.( ) Pode ocorrer trombose tanto arterial quanto venosa.( ) A rivaroxabana, um anticoagulante oral direto, não é tão satisfatória quanto a varfarina para tromboprofilaxia a longo prazo em pacientes com SAF.( ) O diagnóstico é eminentemente clínico, não sendo necessária a realização de exames laboratoriais para confirmar a doença.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. AF – V – V – F.
  2. BV – F – V – F.
  3. CF – F – V – V.
  4. DV – V – F – V.
  5. EF – V – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — F – V – V – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídio (SAF)

Gabarito: letra A — sequência F – V – V – F. A primeira assertiva é falsa porque o critério laboratorial exige positividade em duas ou mais ocasiões com intervalo de pelo menos 12 semanas; a segunda é verdadeira, pois a SAF cursa com trombose tanto arterial quanto venosa; a terceira é verdadeira, pois a varfarina permanece como fármaco de escolha, sendo os anticoagulantes orais diretos (como a rivaroxabana) menos satisfatórios na SAF; a quarta é falsa, pois o diagnóstico exige critério clínico E critério laboratorial (critérios de Sydney/Sapporo revisados).

A SAF é uma doença autoimune adquirida, caracterizada por hipercoagulabilidade, em que autoanticorpos (anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-β2-glicoproteína I) se dirigem contra proteínas ligadoras de fosfolipídios, e não contra os fosfolipídios em si. O nome "anticoagulante lúpico" é enganoso: apesar de prolongar testes de coagulação in vitro, sua presença predispõe à trombose, não ao sangramento. As manifestações clínicas decorrem de trombose venosa ou arterial recorrente, trombocitopenia e perda fetal recorrente por insuficiência vascular placentária.

O diagnóstico segue os critérios de Sydney (Sapporo revisados), que exigem, simultaneamente, pelo menos um critério clínico (trombose confirmada por imagem ou histologia, ou perda gestacional — como três ou mais abortos espontâneos consecutivos antes de 10 semanas, ou morte fetal após 10 semanas) e um critério laboratorial (anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-β2-glicoproteína I positivos em duas ou mais ocasiões, com intervalo de pelo menos 12 semanas). A positividade isolada de um exame não basta — é exatamente o que a primeira assertiva erra.

Na prática, a confirmação laboratorial exige repetição do teste após 12 semanas, justamente para excluir positividades transitórias (como infecções ou uso de medicamentos). O anticoagulante lúpico é detectado por testes de coagulação dependentes de fosfolipídios (como o TTPa ou o tempo de veneno de víbora de Russell), enquanto anticardiolipina e anti-β2-glicoproteína I são detectados por ELISA. A distinção entre SAF primária (sem doença autoimune associada) e secundária (associada a LES, por exemplo) não altera o tratamento.

O tratamento da SAF com trombose prévia é a anticoagulação vitalícia, sendo a varfarina o fármaco de escolha. Os anticoagulantes orais diretos (ACODs), como a rivaroxabana, não são recomendados como primeira linha, pois estudos mostram inferioridade em relação à varfarina na prevenção de eventos trombóticos nessa população — ponto que a terceira assertiva acerta. Em gestantes, a varfarina é teratogênica, sendo substituída por heparina de baixo peso molecular (HBPM).

A pegadinha central desta questão é a primeira assertiva: o candidato pode pensar que um único exame positivo já confirma o critério laboratorial, mas a regra exige duas ou mais ocasiões com intervalo de pelo menos 12 semanas. A quarta assertiva também é uma armadilha clássica: o diagnóstico não é apenas clínico — exige a combinação de critério clínico E laboratorial. Guarde essa fronteira: clínico + laboratorial (repetido em 12 semanas) é o que separa o diagnóstico correto do incorreto.

Assertiva

V/F

Justificativa

Um único exame com nível elevado de AL é suficiente para critério laboratorial

F

Exige positividade em duas ou mais ocasiões com intervalo ≥ 12 semanas

Pode ocorrer trombose arterial e venosa

V

SAF cursa com hipercoagulabilidade, causando trombose venosa e arterial

Rivaroxabana é menos satisfatória que varfarina na SAF

V

Varfarina é o padrão-ouro; ACODs são inferiores na prevenção de trombose

Diagnóstico é eminentemente clínico, sem exames laboratoriais

F

Exige critério clínico + laboratorial (Sydney/Sapporo)

1Critério clínico (≥1)
Trombose (arterial ou venosa)
Perda gestacional
2Critério laboratorial (≥1)
Anticoagulante lúpico
Anticardiolipina
Anti-β2-glicoproteína I
3Exige repetição
2+ ocasiões
Intervalo ≥12 semanas
SAF (diagnóstico)
LEVELsoulevel.com.br
SAF (diagnóstico): Critério clínico (≥1) (Trombose (arterial ou venosa), Perda gestacional); Critério laboratorial (≥1) (Anticoagulante lúpico, Anticardiolipina, Anti-β2-glicoproteína I); Exige repetição (2+ ocasiões, Intervalo ≥12 semanas)

Assertiva 1 — ❌ Falsa

Afirma que um único exame com nível elevado de anticoagulante lúpico é suficiente para o critério laboratorial. Errado: o critério exige positividade em duas ou mais ocasiões com intervalo de pelo menos 12 semanas. A positividade isolada pode ser transitória e não confirma o diagnóstico. O erro está em ignorar a necessidade de repetição do teste após 12 semanas.

Assertiva 2 — ✅ Verdadeira

Correta. A SAF cursa com trombose tanto arterial quanto venosa, além de complicações obstétricas. O contexto confirma: "Todas as manifestações da SAF estão relacionadas com a hipercoagulabilidade, incluindo trombose venosa ou arterial recorrente". A trombose venosa profunda é a manifestação mais comum, mas eventos arteriais (AVC, infarto) também ocorrem.

Assertiva 3 — ✅ Verdadeira

Correta. A varfarina continua sendo o fármaco de escolha para tromboprofilaxia a longo prazo em pacientes com SAF. Os ACODs (como rivaroxabana) não são tão satisfatórios — o contexto afirma: "A varfarina continua sendo o fármaco de escolha para esses pacientes, apesar do desenvolvimento de vários outros anticoagulantes orais novos". Estudos mostram inferioridade dos ACODs na prevenção de eventos trombóticos nessa população.

Assertiva 4 — ❌ Falsa

Afirma que o diagnóstico é eminentemente clínico, sem necessidade de exames laboratoriais. Errado: o diagnóstico exige pelo menos um critério clínico E um critério laboratorial (critérios de Sydney/Sapporo revisados). Sem a confirmação laboratorial (anticorpos positivos em duas ocasiões com 12 semanas de intervalo), não se pode firmar o diagnóstico de SAF.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) a primeira assertiva sugere que um único exame positivo basta, mas o critério exige repetição em 12 semanas; (2) a quarta assertiva sugere que o diagnóstico é só clínico, mas exige a combinação clínico + laboratorial. Essas inversões são típicas em questões de SAF — fique atento a qualquer afirmação que simplifique demais o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os critérios diagnósticos da SAF, lembre-se: 1 clínico + 1 laboratorial (repetido em 12 semanas). Na prova, desconfie de assertivas que mencionem "um único exame" ou "diagnóstico apenas clínico" — são quase sempre falsas. E lembre: varfarina é o padrão-ouro; ACODs são inferiores na SAF.

Gabarito: letra A — F – V – V – F.

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