Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Epidemiologia
Código
qg175065
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Passo Fundo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
O aumento do contato humano-animal, a exposição direta à água contaminada e as condições precárias de higiene durante e após enchentes contribuem para a disseminação da leptospirose. Sobre essa doença, assinale a alternativa correta.
AA sufusão conjuntival é um achado característico da leptospirose, sendo encontrada na maioria das pessoas contaminadas.
BO período de incubação varia de 60 a 90 dias.
CAinda que haja um contato prolongado, a bactéria não consegue penetrar na pele humana íntegra.
DA antibioticoterapia está indicada quando há confirmação diagnóstica da doença, evitando-se utilizar nos casos em que há apenas a suspeição clínica.
EA Síndrome de Weil (icterícia, insuficiência renal e hemorragias) pode ser encontrada em pacientes com manifestações clínicas graves.
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GabaritoE — A Síndrome de Weil (icterícia, insuficiência renal e hemorragias) pode ser encontrada em pacientes com manifestações clínicas graves.
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Leptospirose: manifestações clínicas e síndrome de Weil
Gabarito: letra E. A Síndrome de Weil é a forma grave clássica da leptospirose, caracterizada pela tríade icterícia, insuficiência renal e hemorragias — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas erram ao afirmar que a sufusão conjuntival é encontrada na maioria dos casos (na verdade, é um achado sugestivo, mas não majoritário), que o período de incubação é de 60 a 90 dias (o correto é de 1 a 30 dias), que a bactéria não penetra na pele íntegra (ela penetra, sim, através de microlesões ou mesmo pele íntegra após contato prolongado com água) e que a antibioticoterapia só é indicada com confirmação diagnóstica (na prática, inicia-se com base na suspeita clínica).
A leptospirose é uma zoonose causada pela espiroqueta Leptospira interrogans, transmitida ao ser humano principalmente pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais infectados, especialmente roedores. O quadro clínico é extremamente variável: pode ser subclínico, apresentar-se como uma síndrome febril inespecífica autolimitada ou evoluir para formas graves e potencialmente fatais. A doença tem duas fases: a fase precoce (ou leptospirêmica), com início abrupto de febre, calafrios, mialgia e cefaleia, e a fase tardia (ou imune), em que podem surgir complicações como meningite asséptica, uveíte e as manifestações graves.
A forma grave mais clássica é a Síndrome de Weil, que ocorre em cerca de 15% dos pacientes e se caracteriza pela tríade icterícia, insuficiência renal e hemorragias, geralmente pulmonares. A icterícia costuma aparecer entre o 3º e o 7º dia da doença, com tonalidade alaranjada intensa (icterícia rubínica), e é um preditor de pior prognóstico. A letalidade da Síndrome de Weil varia entre 5% e 40%, podendo ultrapassar 50% nos casos com hemorragia pulmonar. O reconhecimento precoce dessa forma grave é crucial, pois exige internação em unidade de terapia intensiva e suporte avançado.
A sufusão conjuntival — hiperemia ou hemorragia na conjuntiva ocular — é um sinal clássico e sugestivo de leptospirose, mas não está presente na maioria dos casos. Ela integra os critérios diagnósticos, mas é apenas um dos achados possíveis. O período de incubação da leptospirose é de 1 a 30 dias, com média de 7 a 14 dias, e não de 60 a 90 dias. Quanto à transmissão, a bactéria penetra através da pele, especialmente se houver microlesões ou após contato prolongado com água contaminada — a pele íntegra não é barreira absoluta. Por fim, o tratamento com antibióticos (doxiciclina ou penicilina) deve ser iniciado com base na suspeita clínica, não se aguardando confirmação laboratorial, pois o atraso aumenta o risco de complicações.
A banca explora aqui o conhecimento das manifestações clínicas e dos aspectos epidemiológicos da leptospirose, cobrando a distinção entre o que é característico e o que é frequente, e entre o que é regra e o que é exceção. A alternativa E é a única que descreve corretamente uma entidade clínica bem definida — a Síndrome de Weil —, enquanto as demais distorcem informações sobre sinais, prazos, mecanismos de transmissão e conduta terapêutica.
Início na suspeita clínica (doxiciclina/penicilina)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A sufusão conjuntival é um achado sugestivo de leptospirose, mas não é encontrada na maioria dos pacientes. Ela é um dos critérios diagnósticos (febre + pelo menos um dos sinais: sufusão conjuntival, insuficiência renal aguda, icterícia ou fenômeno hemorrágico), porém sua prevalência não é majoritária. A banca troca o termo "sugestivo" por "característico e majoritário", o que torna a afirmação incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O período de incubação da leptospirose varia de 1 a 30 dias, com média de 7 a 14 dias. A alternativa afirma 60 a 90 dias, o que não corresponde à realidade. Esse prazo longo não tem respaldo na literatura e provavelmente foi inserido como distrator numérico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A bactéria consegue penetrar na pele humana íntegra, especialmente após contato prolongado com água ou lama contaminadas. A pele íntegra não é uma barreira absoluta contra a leptospira, que também pode entrar através de microlesões ou mucosas. A alternativa inverte o mecanismo de transmissão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A antibioticoterapia está indicada desde a suspeita clínica, não apenas após confirmação diagnóstica. O tratamento precoce com doxiciclina ou penicilina reduz a gravidade e a duração da doença. Aguardar confirmação laboratorial pode atrasar o tratamento e piorar o prognóstico. A alternativa contraria a conduta recomendada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Síndrome de Weil é a forma grave clássica da leptospirose, caracterizada pela tríade icterícia, insuficiência renal e hemorragias, geralmente pulmonares. Essa descrição está correta e é amplamente reconhecida na literatura médica. A alternativa espelha exatamente a definição da síndrome.