A maioria dos episódios de Lesão Renal Aguda (LRA) ocorre no hospital, havendo uma incidência de 20% em todos os pacientes hospitalizados e de até 50% entre os pacientes em UTI. Assinale a alternativa que apresenta um tratamento que poderia ser utilizado em um paciente com hipercalemia grave, com vistas à redução rápida dos níveis de potássio em pacientes com LRA.
AInsulina e glicose.
BGluconato de cálcio, 10 ml de uma solução a 10%.
CPropranolol.
DFurosemida.
EHidrocortisona.
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GabaritoA — Insulina e glicose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipercalemia grave na LRA: tratamento de emergência
Gabarito: letra A. Na hipercalemia grave, o tratamento de escolha para redução rápida do potássio é a combinação de insulina e glicose, que promove a translocação do K+ para o meio intracelular, com início de ação em 15-30 minutos. O gluconato de cálcio (alternativa B) é usado como estabilizador de membrana, mas não reduz os níveis séricos de potássio; as demais opções (propranolol, furosemida e hidrocortisona) não têm papel na redução rápida do K+.
A hipercalemia é definida como potássio sérico > 5,5 mEq/L e representa uma emergência médica quando grave (K+ ≥ 6,5 mEq/L, alterações eletrocardiográficas ou sintomas). No paciente com Lesão Renal Aguda (LRA), a excreção renal de potássio está comprometida, o que torna ainda mais crítica a necessidade de medidas que atuem rapidamente. O manejo da hipercalemia grave segue uma lógica de três frentes: (1) estabilização da membrana cardíaca (proteção contra arritmias), (2) translocação do potássio para o intracelular (redução rápida do K+ sérico) e (3) remoção definitiva do potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca ou diálise).
A insulina + glicose é a medida translocacional de primeira linha. A insulina regular (10 UI) associada a glicose (25 g) por via intravenosa estimula a bomba Na+/K+-ATPase, que transporta potássio para dentro das células, reduzindo o K+ sérico em 0,5-1,5 mEq/L em 15-30 minutos, com efeito máximo em 1-2 horas. A glicose é administrada concomitantemente para prevenir hipoglicemia. Essa é a alternativa que atende exatamente ao que o enunciado pede: redução rápida dos níveis de potássio.
O gluconato de cálcio (alternativa B) é um estabilizador de membrana do miocárdio, indicado quando há alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, alargamento do QRS, etc.). Ele antagoniza o efeito do potássio na membrana celular, protegendo o coração, mas não reduz o potássio sérico. É uma medida adjuvante, não uma medida de redução rápida do K+.
A furosemida (alternativa D) é um diurético de alça que aumenta a excreção renal de potássio, mas seu efeito é lento (início em 30-60 minutos) e questionável no curto prazo, especialmente em pacientes com LRA e oligúria. Não é utilizada como medida isolada em emergências.
O propranolol (alternativa C) é um betabloqueador não seletivo que pode reduzir a captação celular de potássio mediada por catecolaminas, mas não é uma medida de redução rápida e não faz parte do manejo emergencial padrão da hipercalemia. A hidrocortisona (alternativa E) é um glicocorticoide sem papel no tratamento agudo da hipercalemia.
A pegadinha desta questão está em confundir as duas primeiras medidas do manejo: o aluno pode marcar gluconato de cálcio por ser uma medida "de emergência", mas ela não reduz o potássio — apenas protege o coração. A insulina + glicose é a única que promove redução rápida do K+ sérico, sendo a resposta correta.
1Cálcio (estabiliza membrana)
2Insulina + glicose (transloca K+)
3Diurético/resina/diálise (remove)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insulina + glicose é a medida translocacional de primeira linha para redução rápida do potássio sérico. A insulina estimula a bomba Na+/K+-ATPase, promovendo o influxo de K+ para o intracelular, com início de ação em 15-30 minutos. A glicose é administrada para prevenir hipoglicemia. Essa é a conduta indicada na hipercalemia grave, inclusive em pacientes com LRA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O gluconato de cálcio é um estabilizador de membrana do miocárdio, indicado na presença de alterações eletrocardiográficas. Ele antagoniza o efeito do potássio na membrana celular, protegendo contra arritmias, mas não reduz os níveis séricos de potássio. Portanto, não atende ao que o enunciado pede (redução rápida do K+).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O propranolol é um betabloqueador não seletivo que pode interferir na captação celular de potássio mediada por catecolaminas, mas não é uma medida de redução rápida do K+ e não faz parte do manejo emergencial padrão da hipercalemia. Não há evidência de benefício clínico relevante nesse contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A furosemida é um diurético de alça que aumenta a excreção renal de potássio, mas seu efeito é lento (início em 30-60 minutos) e questionável no curto prazo, especialmente em pacientes com LRA e oligúria. Não é utilizada como medida isolada em emergências, pois não promove redução rápida do K+ sérico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidrocortisona é um glicocorticoide sem papel no tratamento agudo da hipercalemia. Não há mecanismo fisiopatológico que justifique seu uso para redução rápida do potássio sérico. É um distrator sem fundamento clínico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as duas primeiras medidas do manejo da hipercalemia grave: o gluconato de cálcio (estabilizador de membrana) e a insulina + glicose (translocadora de K+). O candidato pode marcar a letra B por ser uma medida "de emergência", mas ela não reduz o potássio — apenas protege o coração. Lembre-se: estabilizar ≠ reduzir. Com treino, você identifica essa troca de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o manejo da hipercalemia grave, use a sequência: Cálcio (estabiliza), Insulina + glicose (transloca), Diurético/resina/diálise (remove). A questão pede "redução rápida" → só a translocação (insulina + glicose) ou o beta-2-agonista inalatório atendem. O cálcio é adjuvante, não redutor.