Questão de Enfermagem — Doenças Crônicas Não Transmissíveis — FUNDATEC 2024
Enfermagem›Doenças Crônicas Não Transmissíveis
Código
qg175665
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Paulo Bento - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro
A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico degenerativo e lentamente progressivo, que afeta os centros cerebrais responsáveis pelo controle e regulação do movimento. Qual dos seguintes neurotransmissores está predominantemente envolvido na regulação motora e é significativamente afetado na doença de Parkinson?
AAcetilcolina.
BDopamina.
CSerotonina.
DGABA (ácido gama-aminobutírico).
ENorepinefrina.
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GabaritoB — Dopamina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença de Parkinson: o papel da dopamina
Gabarito: letra B. A dopamina é o neurotransmissor predominantemente envolvido na regulação motora e significativamente afetado na doença de Parkinson, pois a degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra leva à redução da dopamina no corpo estriado, causando os sintomas motores característicos (bradicinesia, rigidez, tremor de repouso).
A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo crônico e progressivo que afeta principalmente os gânglios da base, estruturas cerebrais responsáveis pelo controle fino do movimento. A fisiopatologia central é a degeneração dos neurônios produtores de dopamina na substância negra (parte compacta), cujos axônios projetam-se para o corpo estriado (putâmen e núcleo caudado). Essa via dopaminérgica nigroestriatal é essencial para a modulação do movimento voluntário: a dopamina atua como um "facilitador" do movimento, equilibrando a atividade dos circuitos motores. Quando há perda de aproximadamente 60-80% desses neurônios, os sintomas motores começam a aparecer.
O desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina nos gânglios da base é a base fisiopatológica clássica: a dopamina inibe a via indireta e excita a via direta, favorecendo o movimento; a acetilcolina, por sua vez, tem efeito contrário. Na doença de Parkinson, a redução da dopamina leva a um predomínio relativo da acetilcolina, o que explica por que os medicamentos anticolinérgicos (como o biperideno) podem ser usados como adjuvantes no tratamento, e por que a reposição de dopamina (levodopa) é a base do tratamento. Essa relação é um dos pontos mais cobrados em provas de enfermagem e medicina.
Na prática clínica, o paciente com Parkinson apresenta a tríade clássica: tremor de repouso (em "contar moedas"), rigidez plástica (em "cano de chumbo") e bradicinesia (lentificação dos movimentos). Além disso, há instabilidade postural, marcha festinante e hipomimia facial. Esses sintomas são diretamente atribuídos à deficiência dopaminérgica. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento farmacológico visa repor a dopamina ou potencializar sua ação.
A banca explora a confusão entre os neurotransmissores: o candidato pode lembrar que a acetilcolina está envolvida no sistema motor (na junção neuromuscular), mas na doença de Parkinson o neurotransmissor crítico é a dopamina. A acetilcolina está mais relacionada à doença de Alzheimer (déficit colinérgico) e à transmissão neuromuscular. A serotonina está ligada ao humor, sono e apetite; o GABA é o principal neurotransmissor inibitório do SNC; e a norepinefrina está envolvida na resposta ao estresse e no sistema simpático. Nenhum deles é o protagonista da fisiopatologia parkinsoniana.
Guarde a associação direta: Parkinson → dopamina (déficit) e Alzheimer → acetilcolina (déficit). Essa é a fronteira que separa as alternativas desta questão.
A acetilcolina é um neurotransmissor excitatório importante no sistema nervoso central e periférico, mas na doença de Parkinson o problema central é a deficiência de dopamina, não de acetilcolina. Na verdade, há um excesso relativo de acetilcolina nos gânglios da base devido à falta de dopamina, o que justifica o uso de anticolinérgicos no tratamento. A acetilcolina está mais associada à doença de Alzheimer (déficit colinérgico) e à transmissão neuromuscular (junção neuromuscular).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dopamina é o neurotransmissor cuja deficiência na via nigroestriatal é a causa dos sintomas motores da doença de Parkinson. A degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra reduz a dopamina no corpo estriado, levando ao desequilíbrio com a acetilcolina e aos sintomas clássicos: tremor, rigidez e bradicinesia. O tratamento de primeira linha, a levodopa, é um precursor da dopamina que atravessa a barreira hematoencefálica e é convertido em dopamina no cérebro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A serotonina (5-hidroxitriptamina) está envolvida na regulação do humor, sono, apetite e temperatura corporal. Não é o neurotransmissor central na doença de Parkinson. Alterações serotoninérgicas podem ocorrer em comorbidades como depressão, comum em pacientes parkinsonianos, mas não são a causa dos sintomas motores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O GABA (ácido gama-aminobutírico) é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Embora participe dos circuitos dos gânglios da base, não é o neurotransmissor cuja deficiência causa a doença de Parkinson. A disfunção GABAérgica está mais relacionada a condições como ansiedade, epilepsia e espasticidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A norepinefrina (noradrenalina) é um neurotransmissor e hormônio envolvido na resposta ao estresse, no sistema nervoso simpático e na regulação do humor e da atenção. Não é o neurotransmissor central na doença de Parkinson. Sua deficiência pode estar associada a sintomas não motores, como hipotensão ortostática, mas não aos sintomas motores cardinais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao listar a acetilcolina como alternativa, pois ela também está envolvida no controle motor (na junção neuromuscular). No entanto, na doença de Parkinson, o neurotransmissor crítico é a dopamina, e a acetilcolina está em excesso relativo. Lembre-se: Parkinson = déficit de dopamina; Alzheimer = déficit de acetilcolina. Essa troca é clássica em provas.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe cada neurotransmissor a uma doença-chave: dopamina → Parkinson; acetilcolina → Alzheimer; serotonina → depressão; GABA → ansiedade/epilepsia; norepinefrina → estresse/simpático. Essa tabela mental resolve muitas questões de farmacologia e neurologia.