Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg175707
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Paulo Bento - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Qual das seguintes complicações é uma das principais causas de morte durante as primeiras horas de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)?
AArritmias ventriculares malignas.
BPericardite constritiva.
CEmbolia pulmonar.
DDissecção de aorta.
EInsuficiência renal aguda.
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GabaritoA — Arritmias ventriculares malignas.
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Infarto Agudo do Miocárdio: complicações precoces e risco de morte
Gabarito: letra A. As arritmias ventriculares malignas — especialmente a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular (TV) — são a principal causa de morte nas primeiras horas do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), pois o miocárdio isquêmico se torna eletricamente instável e suscetível a gerar ritmos fatais. Essa é uma das bases do monitoramento cardíaco contínuo nas primeiras 48 horas após o evento, conforme a fisiopatologia clássica da doença.
O IAM é a necrose do miocárdio decorrente da obstrução de uma artéria coronariana, que interrompe o fluxo sanguíneo e leva à morte celular. Quando o miocárdio fica isquêmico, suas células tornam-se eletricamente instáveis, criando um substrato propício para o surgimento de arritmias. O risco de morte súbita é maior exatamente nas primeiras horas, antes mesmo de o paciente chegar ao hospital — mais da metade das mortes ocorre nos primeiros 60 minutos após o início dos sintomas, frequentemente por FV. Por isso, o monitoramento do ritmo cardíaco nas primeiras 48 horas é essencial para o reconhecimento e tratamento imediato dessas arritmias potencialmente fatais.
As complicações do IAM podem ser classificadas em três grandes grupos: funcionais (insuficiência ventricular esquerda ou direita, choque cardiogênico), mecânicas (ruptura de parede livre, comunicação interventricular, ruptura de músculo papilar) e elétricas (bradiarritmias, taquiarritmias, anormalidades de condução). As complicações mecânicas, embora graves, geralmente ocorrem durante a primeira semana após o infarto e são responsáveis por até 15% das mortes relacionadas ao IAM — não são, portanto, a principal causa de morte nas primeiras horas. Já as arritmias ventriculares malignas, como FV e TV, são a causa mais frequente de morte súbita nesse período inicial, com risco de FV de cerca de 3 a 5% nas primeiras horas, diminuindo ao longo de 24 a 48 horas.
A distinção crucial que a questão explora é entre o que mata precocemente (arritmias elétricas) e o que mata tardiamente (complicações mecânicas). Enquanto a FV e a TV são eventos elétricos que podem ocorrer em minutos, as complicações mecânicas como ruptura de parede livre ou de músculo papilar levam dias para se desenvolver. Essa diferença temporal é o critério que separa a alternativa correta das demais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece complicações reais do IAM, mas que ocorrem em momentos diferentes da evolução. O candidato que sabe que pericardite, embolia e dissecção podem se associar ao quadro clínico pode se confundir, mas a pergunta é específica: qual complicação mata nas primeiras horas. A resposta é a arritmia ventricular maligna, pois o miocárdio isquêmico gera instabilidade elétrica imediata. As complicações mecânicas (rupturas) são mais tardias, e as demais alternativas não são complicações típicas e precoces do IAM.
1Primeiras horasArritmias ventriculares (FV/TV)
22º ao 4º diaPericardite
31ª semanaRupturas mecânicas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As arritmias ventriculares malignas, especialmente a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular (TV), são a principal causa de morte nas primeiras horas do IAM. O miocárdio isquêmico torna-se eletricamente instável, favorecendo a geração de arritmias por mecanismos de microrreentrada. O risco de FV é de cerca de 3 a 5% nas primeiras horas, diminuindo ao longo de 24 a 48 horas. Por isso, o monitoramento contínuo do ritmo nas primeiras 48 horas é fundamental para o reconhecimento e tratamento imediato dessas arritmias potencialmente fatais, com desfibrilação elétrica para FV e cardioversão sincronizada para TV com comprometimento hemodinâmico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pericardite constritiva é uma complicação tardia do IAM, geralmente relacionada à pericardite que ocorre entre o 2º e o 4º dia pós-infarto, e não uma causa de morte nas primeiras horas. A pericardite constritiva crônica é uma condição de evolução prolongada, com espessamento e calcificação do pericárdio, levando a restrição ao enchimento ventricular. Não se enquadra como complicação precoce e fatal do IAM.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A embolia pulmonar não é uma complicação direta e precoce do IAM. Embora pacientes com IAM possam ter risco aumentado de tromboembolismo devido a imobilização e disfunção ventricular, a embolia pulmonar não é uma das principais causas de morte nas primeiras horas do infarto. As causas de morte precoce são predominantemente elétricas (arritmias) e, em menor escala, mecânicas (rupturas), que ocorrem mais tardiamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dissecção de aorta é um diagnóstico diferencial da dor torácica, não uma complicação do IAM. Embora possa causar IAM por comprometimento da origem das artérias coronárias (IAM tipo 2 por desequilíbrio oferta-demanda), a dissecção de aorta é uma entidade distinta, com manejo próprio. Não é uma complicação que ocorre como consequência do infarto, e sim uma causa alternativa de síndrome coronariana aguda.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A insuficiência renal aguda pode ocorrer como complicação do IAM, especialmente em quadros de choque cardiogênico com hipoperfusão renal, mas não é uma causa de morte nas primeiras horas. Ela é uma complicação secundária, que se desenvolve ao longo de horas a dias, e não representa o mecanismo de morte súbita precoce característico do IAM. A morte precoce é dominada pelas arritmias ventriculares malignas.
Gabarito: letra A — as arritmias ventriculares malignas são a principal causa de morte nas primeiras horas do IAM, por isso a monitorização contínua e o pronto tratamento desses ritmos são essenciais.