Qual das seguintes alternativas é verdadeira sobre a neuralgia do trigêmeo?
AÉ mais comum em jovens adultos do que em idosos.
BÉ caracterizada por dor unilateral e lancinante na região da mandíbula.
CÉ geralmente causada por compressão do nervo trigêmeo pelo músculo masseter.
DO tratamento de primeira linha inclui o uso de antidepressivos tricíclicos.
Ecirurgia de descompressão microvascular é frequentemente realizada como tratamento inicial.
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GabaritoB — É caracterizada por dor unilateral e lancinante na região da mandíbula.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neuralgia do trigêmeo: características clínicas e tratamento
Gabarito: letra B. A neuralgia do trigêmeo é caracterizada por dor unilateral, lancinante e em choque, que acomete preferencialmente as divisões maxilar (V2) e mandibular (V3) do nervo trigêmeo — exatamente o que a alternativa B afirma. As demais alternativas erram ao atribuir a doença a jovens, ao músculo masseter, aos antidepressivos tricíclicos como primeira linha ou à cirurgia como tratamento inicial.
A neuralgia do trigêmeo (também chamada de tic douloureux) é a mais frequente das neuralgias cranianas. Trata-se de uma dor neuropática paroxística, ou seja, que surge em crises breves e intensas, descritas como pontadas, choques ou facadas. A dor é sempre unilateral e segue a distribuição de um ou mais ramos do nervo trigêmeo (V1 oftálmico, V2 maxilar e V3 mandibular), sendo mais comum nos ramos maxilar e mandibular. Os ataques duram de segundos a poucos minutos, mas podem se repetir muitas vezes ao dia, por semanas. Um traço marcante é a presença de zonas-gatilho: áreas da face (lábios, gengivas, bochechas) cujo leve toque — ao escovar os dentes, falar, mastigar ou lavar o rosto — dispara a crise.
A causa mais aceita é a compressão da raiz do nervo trigêmeo na ponte por uma alça arterial aberrante, o que leva à desmielinização focal e à hiperexcitabilidade neuronal. Uma minoria dos casos é secundária a esclerose múltipla, tumores do ângulo pontocerebelar, aneurismas ou malformações arteriovenosas — nesses casos, diferentemente da forma clássica, costuma haver déficit neurológico objetivo (como hipoestesia). A doença é mais frequente em idosos e em mulheres, com início geralmente após os 40 anos.
O tratamento de primeira linha é farmacológico, com destaque para os anticonvulsivantes — carbamazepina e oxcarbazepina são os fármacos de escolha, com eficácia comprovada (NNT de 1 a 5). Outras opções incluem gabapentina, pregabalina, baclofeno e lamotrigina. Os antidepressivos (como amitriptilina e duloxetina) podem ser úteis como adjuvantes, mas não são a primeira linha. A cirurgia — notadamente a descompressão microvascular — é reservada para casos refratários ao tratamento clínico ou com efeitos adversos intoleráveis, nunca como abordagem inicial.
A banca explora justamente a confusão entre o que é característico da doença (dor unilateral lancinante em mandíbula) e o que é causa, tratamento ou perfil epidemiológico. Guarde o tripé: dor unilateral em choque + gatilhos táteis + idosos — é nele que as alternativas se separam.
Neuralgia do trigêmeo: Perfil (Idosos, Mulheres); Dor típica (Unilateral, Lancinante/choque, Ramos V2 e V3, Zonas-gatilho); Causa (Compressão vascular na ponte, Secundária: EM, tumor); Tratamento (1ª linha: carbamazepina/oxcarbazepina, Adjuvante: antidepressivos, Refratário: descompressão microvascular)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a neuralgia do trigêmeo é mais comum em jovens adultos do que em idosos. É o inverso: a doença é mais frequente em idosos, com início na maioria dos casos após os 40 anos. A banca inverte o perfil epidemiológico clássico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a dor típica: unilateral e lancinante na região da mandíbula. A dor é unilateral por definição e acomete preferencialmente os ramos maxilar (V2) e mandibular (V3) — a mandíbula é justamente o território do ramo mandibular. É a única alternativa que espelha a semiologia característica da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui a causa à compressão pelo músculo masseter. A causa clássica é a compressão da raiz do nervo trigêmeo na ponte por uma alça arterial aberrante (estrutura vascular, não muscular). O masseter é um músculo da mastigação, relacionado ao transtorno da articulação temporomandibular (ATM), não à neuralgia do trigêmeo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Indica antidepressivos tricíclicos como tratamento de primeira linha. A primeira linha são os anticonvulsivantes — carbamazepina e oxcarbazepina. Os antidepressivos (amitriptilina, duloxetina) podem ser úteis como adjuvantes ou em dores neuropáticas de outra natureza, mas não são a escolha inicial na neuralgia do trigêmeo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a descompressão microvascular é frequentemente realizada como tratamento inicial. A cirurgia é reservada para casos refratários ao tratamento farmacológico, com efeitos adversos intoleráveis ou contraindicações aos medicamentos. O tratamento inicial é sempre clínico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o perfil epidemiológico (idosos por jovens), a causa (alça arterial por músculo masseter) e a ordem terapêutica (cirurgia como inicial, quando é reservada à refratariedade). O candidato que decora apenas a dor em choque acerta a B, mas quem confunde tratamento de primeira linha com adjuvante cai na D. Fique atento: na neuralgia do trigêmeo, a primeira linha é anticonvulsivante, nunca cirurgia.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o mapa mental da neuralgia do trigêmeo: quem (idosos, mulheres), como (dor unilateral, lancinante, em choque, com gatilhos táteis), por quê (compressão vascular na ponte), tratamento (carbamazepina/oxcarbazepina → refratários: cirurgia). Essa sequência cobre 90% das questões sobre o tema.