Dengue: sinais de choque e sinais de alarme
Gabarito: letra C. O choque na dengue é reconhecido pela presença de taquicardia, extremidades frias, pulso fraco e filiforme, enchimento capilar lento (>2 segundos), pressão arterial convergente (<20 mmHg), taquipneia, oligúria, hipotensão arterial (fase tardia) e cianose (fase tardia). A alternativa C, "pulsos cheios", é o oposto do que se observa — o pulso no choque é fraco e filiforme, não cheio. A questão pede o EXCETO, ou seja, o que NÃO é sinal de choque, e a resposta é a letra C.
O choque na dengue é uma complicação grave, resultante do extravasamento de plasma, que leva à hipovolemia e à má perfusão tecidual. É um quadro de rápida instalação e curta duração, podendo levar ao óbito em 12 a 24 horas se não tratado adequadamente. O reconhecimento precoce dos sinais de choque é fundamental para a instituição imediata da reposição volêmica e para a prevenção de desfechos fatais.
Os sinais de choque na dengue são manifestações de hipoperfusão periférica e central. A taquicardia é uma resposta compensatória inicial para manter o débito cardíaco. As extremidades frias e o enchimento capilar lento refletem a vasoconstrição periférica e a má perfusão. O pulso fraco e filiforme é consequência da redução do volume sistólico. A pressão arterial convergente (pressão de pulso <20 mmHg) indica a queda da pressão sistólica e o aumento da diastólica, refletindo a vasoconstrição intensa. A hipotensão arterial é um sinal tardio, quando os mecanismos compensatórios se esgotam.
É importante distinguir os sinais de choque dos sinais de alarme da dengue. Os sinais de alarme são aqueles que indicam o extravasamento de plasma e o risco de evolução para choque, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosas e letargia. O choque é uma manifestação mais grave, que já indica a falência circulatória. A presença de pulsos cheios é um achado de perfusão adequada, não de choque — no choque, o pulso é fraco e filiforme.
A banca explora a inversão do achado clínico: em vez de "pulso fraco e filiforme", apresenta "pulsos cheios" como se fosse um sinal de choque. O candidato que não domina a semiologia do choque pode ser induzido a marcar uma alternativa que descreve um achado normal ou até de hiperperfusão, como a letra C. A pegadinha está em reconhecer que o choque é um estado de hipoperfusão, e não de hiperperfusão.
Alternativa A — ✅ Correta (é sinal de choque)
A hipotensão arterial é um sinal de choque, mas na fase tardia. No choque compensado, a pressão arterial pode estar normal, com taquicardia e vasoconstrição periférica. A hipotensão surge quando os mecanismos compensatórios falham. O Ministério da Saúde define hipotensão como pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg ou pressão arterial média menor que 70 mmHg em adultos. Portanto, a alternativa A descreve um sinal de choque, não sendo o EXCETO.
Alternativa B — ✅ Correta (é sinal de choque)
A pressão arterial convergente, com pressão diferencial (pressão de pulso) menor que 20 mmHg, é um sinal clássico de choque na dengue. Reflete a vasoconstrição periférica intensa, com aumento da pressão diastólica e queda da sistólica. É um sinal precoce de hipoperfusão, presente antes da hipotensão franca. Portanto, a alternativa B descreve um sinal de choque, não sendo o EXCETO.
Alternativa C — ❌ Incorreta (NÃO é sinal de choque) ⟵ GABARITO
A alternativa C, "pulsos cheios", é o oposto do que se observa no choque. No choque, o pulso é fraco e filiforme, devido à redução do volume sistólico e à vasoconstrição periférica. Pulsos cheios indicam boa perfusão e débito cardíaco preservado, o que não ocorre no choque. Portanto, a alternativa C é o EXCETO, ou seja, o que NÃO é sinal de choque.
Alternativa D — ✅ Correta (é sinal de choque)
A taquicardia (pulsos rápidos) é um sinal precoce de choque, uma resposta compensatória para manter o débito cardíaco diante da hipovolemia. É um dos primeiros sinais a aparecer e está presente na maioria dos pacientes em choque. Portanto, a alternativa D descreve um sinal de choque, não sendo o EXCETO.
Alternativa E — ✅ Correta (é sinal de choque)
O enchimento capilar lento, maior que 2 segundos, é um sinal de má perfusão periférica e está presente no choque. O enunciado traz "menor de 2 segundos", o que é um erro de digitação, pois o correto é "maior de 2 segundos". No entanto, a alternativa E descreve o enchimento capilar lento como sinal de choque, o que está correto. Apesar do erro no valor, a alternativa E é um sinal de choque, não sendo o EXCETO.
Gabarito: letra C — a única alternativa que NÃO é sinal de choque na dengue é "pulsos cheios", pois no choque o pulso é fraco e filiforme.