A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é um diagnóstico histológico que se refere à proliferação de tecido epitelial glandular, músculo liso e tecido conjuntivo dentro da próstata. Pode ser assintomática e, nesse caso, não necessita de tratamento. No entanto, a HBP pode levar a um importante aumento da próstata e resultar em sintomas do trato urinário inferior devido à obstrução ao nível do colo da bexiga. Em relação a essa patologia, assinale a alternativa correta.
ABloqueadores dos receptores alfa-adrenérgicos são utilizados como agentes farmacológicos iniciais na maioria dos pacientes com sintomas do trato urinário inferior.
BA HPB tem por característica manifestar-se na cápsula posterior da próstata, assim como o câncer prostático.
CInibidores da fosfodiesterase tipo 5 demonstraram em vários ensaios randomizados não serem benéficos na melhoria dos escores de sintomas em pacientes com HPB.
DO tratamento inicial de escolha geralmente é o cirúrgico, através da ressecção transuretral da próstata (RTU de próstata).
EA HBP é uma causa comum de retenção urinária aguda (AUR) em homens jovens.
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GabaritoA — Bloqueadores dos receptores alfa-adrenérgicos são utilizados como agentes farmacológicos iniciais na maioria dos pacientes com sintomas do trato urinário inferior.
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Gabarito: letra A. Os bloqueadores dos receptores alfa-adrenérgicos (alfabloqueadores) são, de fato, o tratamento farmacológico de primeira linha para a maioria dos pacientes com sintomas do trato urinário inferior (STUI) atribuíveis à HPB, conforme diretrizes de urologia. As demais alternativas contêm erros conceituais: a HPB se desenvolve na zona de transição (periuretral), e não na cápsula posterior; os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) são benéficos; o tratamento inicial não é cirúrgico; e a retenção urinária aguda é mais comum em homens idosos, não em jovens.
A HPB é um diagnóstico histológico caracterizado pela proliferação de tecido epitelial glandular, músculo liso e tecido conjuntivo na próstata, predominantemente na zona de transição (periuretral). Essa proliferação pode levar à obstrução da saída da bexiga (OSB), que se manifesta por dois mecanismos: obstrução mecânica (pelo aumento do volume tecidual) e obstrução dinâmica (pelo aumento do tônus da musculatura lisa no colo vesical e na próstata). Os sintomas resultantes são os STUI, que podem ser de armazenamento (bexiga hiperativa) ou de esvaziamento (obstrutivos).
O manejo da HPB depende da gravidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida. Pacientes assintomáticos ou com sintomas leves a moderados podem ser apenas observados (watchful waiting). Quando há indicação de tratamento farmacológico, os alfabloqueadores (como tansulosina e doxazosina) são a primeira linha para a maioria dos pacientes, pois atuam relaxando a musculatura lisa do colo vesical e da próstata, reduzindo o componente dinâmico da obstrução. Outras opções incluem inibidores da 5-alfa-redutase (para próstatas maiores), anticolinérgicos (para sintomas de bexiga hiperativa) e inibidores da PDE5 (que também demonstraram benefício).
O tratamento cirúrgico, como a ressecção transuretral da próstata (RTU), é reservado para casos com sintomas graves, complicações (retenção urinária refratária, insuficiência renal, litíase vesical, hematúria, infecções urinárias recorrentes) ou falha do tratamento clínico. A RTU ainda é o padrão-ouro cirúrgico, mas não é o tratamento inicial de escolha.
A retenção urinária aguda (AUR) é uma complicação comum da HPB, mas ocorre predominantemente em homens mais velhos, não em jovens. Em homens jovens, a AUR é mais frequentemente associada a outras causas, como obstrução uretral, trauma ou causas neurológicas.
A alternativa correta é a que afirma que os bloqueadores alfa-adrenérgicos são utilizados como agentes farmacológicos iniciais na maioria dos pacientes com STUI. Essa é uma recomendação consolidada nas diretrizes de urologia, como as da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU).
Característica
HPB
Câncer de Próstata
Zona de origem predominante
Zona de transição (periuretral)
Zona periférica (cápsula posterior)
Faixa etária típica
Homens acima de 50 anos
Homens acima de 50 anos (mais comum em idosos)
Apresentação clínica comum
STUI (obstrutivos e de armazenamento)
Frequentemente assintomático; pode cursar com STUI em fases avançadas
Tratamento inicial de escolha
Clínico (alfabloqueadores, inibidores da 5-alfa-redutase)
Depende do estadiamento; pode incluir vigilância ativa, cirurgia, radioterapia ou hormonioterapia
A alternativa está correta. Os alfabloqueadores (doxazosina, tansulosina, entre outros) são o tratamento farmacológico de primeira linha para a maioria dos pacientes com STUI atribuíveis à HPB. Eles atuam bloqueando os receptores alfa-1-adrenérgicos, promovendo relaxamento da musculatura lisa do colo vesical e da próstata, o que melhora o fluxo urinário e os sintomas obstrutivos. Essa recomendação é amplamente aceita e consta nas principais diretrizes de urologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta. A HPB se desenvolve predominantemente na zona de transição (periuretral) da próstata, e não na cápsula posterior. O câncer de próstata, por sua vez, tem predileção pela zona periférica, que é a região mais posterior e palpável ao toque retal. Essa distinção é fundamental: a HPB cresce na região central, enquanto o câncer costuma se originar na periferia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta. Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), como o tadalafila, demonstraram benefício na melhoria dos escores de sintomas em pacientes com HPB. Eles são uma opção terapêutica válida, especialmente em pacientes com disfunção erétil associada. Embora não sejam a primeira linha para todos, os ensaios clínicos mostraram melhora nos sintomas e na qualidade de vida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta. O tratamento inicial de escolha para a HPB sintomática é o clínico, com alfabloqueadores ou outras medicações, e não o cirúrgico. A ressecção transuretral da próstata (RTU) é o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico, mas é indicada apenas para casos com sintomas graves, complicações ou falha do tratamento clínico. A cirurgia não é a primeira opção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta. A HPB é uma causa comum de retenção urinária aguda (AUR), mas em homens idosos, não em jovens. Em homens jovens, a AUR é mais rara e geralmente está associada a outras causas, como obstrução uretral, trauma, infecção ou causas neurológicas. A HPB é uma condição que afeta predominantemente homens acima de 50 anos.