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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg177155
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Segredo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Em relação às diretrizes do Ministério da Saúde para o rastreamento de câncer de colo de útero, analise as assertivas abaixo:I. O rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa etária como para as demais mulheres.II. Após dois exames negativos consecutivos realizados anualmente, o intervalo entre os exames pode ser aumentado para cinco anos.III. Mulheres vacinadas contra o HPV não precisam realizar o exame de Papanicolau.IV. Mulheres HIV positivas devem realizar o exame de Papanicolau semestralmente no primeiro ano, e depois anualmente se os resultados forem negativos.V. O exame de Papanicolau deve ser interrompido em mulheres que tenham realizado histerectomia total por motivo benigno.Quais estão corretas?
  1. AApenas I e IV.
  2. BApenas III e V.
  3. CApenas I, II e IV.
  4. DApenas I, IV e V.
  5. EApenas II, III e V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I, IV e V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de colo de útero: diretrizes do Ministério da Saúde

Gabarito: letra D — estão corretas as assertivas I, IV e V. O rastreamento em gestantes segue a mesma periodicidade e faixa etária das demais mulheres; mulheres HIV positivas têm esquema mais intensificado (semestral no primeiro ano, depois anual); e a histerectomia total por motivo benigno, sem lesão prévia, permite interromper o rastreamento. As assertivas II e III estão incorretas: o intervalo após dois exames anuais negativos é de três anos (não cinco), e a vacina contra HPV não substitui o rastreamento.

O rastreamento do câncer de colo de útero no Brasil segue as diretrizes do Ministério da Saúde, publicadas em 2016, que estabelecem a citologia oncótica (Papanicolau) como método de rastreamento universal. A lógica do rastreamento é detectar lesões precursoras (displasias, NIC) antes que progridam para câncer invasivo, já que essa progressão é lenta, levando anos. Por isso, a periodicidade é definida para equilibrar a sensibilidade do exame com o custo e o desconforto de exames desnecessários.

A faixa etária recomendada é de 25 a 64 anos, com intervalo de três anos após dois exames anuais consecutivos negativos. Essa recomendação se baseia na história natural da doença: a infecção pelo HPV é muito comum em mulheres jovens, mas a maioria das infecções é transitória e regride espontaneamente. Rastrear antes dos 25 anos ou com intervalos muito curtos levaria a sobrediagnóstico e sobretratamento de lesões que não evoluiriam para câncer.

Em gestantes, o rastreamento segue as mesmas recomendações de periodicidade e faixa etária, pois a gravidez não altera o risco de câncer de colo de útero nem a validade do exame. A coleta é segura durante o pré-natal e deve ser feita se a mulher estiver com o exame atrasado.

Para mulheres HIV positivas, o risco de câncer de colo de útero é maior devido à imunossupressão, que favorece a persistência do HPV e a progressão mais rápida das lesões. Por isso, as diretrizes recomendam rastreamento mais intensificado: semestral no primeiro ano após o diagnóstico, e depois anual se os resultados forem normais. Essa conduta difere da população geral, que faz o exame a cada três anos.

A vacina contra HPV é uma medida de prevenção primária, mas não cobre todos os tipos oncogênicos do vírus (a vacina quadrivalente cobre os tipos 6, 11, 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero). Além disso, muitas mulheres vacinadas já tiveram contato com o vírus antes da vacinação. Portanto, a vacina não substitui o rastreamento, que deve ser mantido normalmente.

A histerectomia total (remoção do útero e do colo) por motivo benigno, sem história de lesão prévia de alto grau, elimina o órgão-alvo do rastreamento. Nesses casos, o exame de Papanicolau pode ser interrompido, pois não há mais colo uterino para desenvolver câncer. Porém, se a histerectomia foi por lesão precursora ou câncer, o rastreamento da cúpula vaginal deve continuar.

A pegadinha desta questão está na assertiva II: a banca troca o intervalo de três anos por cinco. O intervalo de cinco anos só se aplica à estratégia de testagem combinada (citologia + teste de HPV) em mulheres com mais de 30 anos, conforme diretrizes internacionais, mas não é a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento citológico isolado. Já a assertiva III explora a crença equivocada de que a vacina dispensa o rastreamento.

Assertiva

Afirmação

Veredito

I

Rastreamento em gestantes segue a mesma periodicidade e faixa etária das demais mulheres.

✅ Correta

II

Após dois exames anuais negativos, o intervalo passa a ser de cinco anos.

❌ Incorreta (o correto é três anos)

III

Mulheres vacinadas contra HPV não precisam realizar o Papanicolau.

❌ Incorreta (a vacina não substitui o rastreamento)

IV

Mulheres HIV+ fazem Papanicolau semestral no 1º ano e depois anual.

✅ Correta

V

Interrompe-se o rastreamento após histerectomia total por causa benigna.

✅ Correta

1População geral
Faixa: 25 a 64 anos
Intervalo: 3 anos após 2 anuais negativos
Gestantes: mesma conduta
2HIV positivo
Semestral no 1º ano
Depois anual
3Vacina HPV
Não substitui rastreamento
4Histerectomia total benigna
Interrompe rastreamento
Rastreamento de colo de útero (MS)
LEVELsoulevel.com.br
Rastreamento de colo de útero (MS): População geral (Faixa: 25 a 64 anos, Intervalo: 3 anos após 2 anuais negativos, Gestantes: mesma conduta); HIV positivo (Semestral no 1º ano, Depois anual); Vacina HPV (Não substitui rastreamento); Histerectomia total benigna (Interrompe rastreamento)

Assertiva I — ✅ Correta

O rastreamento em gestantes segue as mesmas recomendações de periodicidade e faixa etária das demais mulheres. A gravidez não é contraindicação para o exame, e a coleta pode ser feita durante o pré-natal se a mulher estiver com o exame atrasado. Não há necessidade de intervalo especial nem de adiamento por causa da gestação.

Assertiva II — ❌ Incorreta

Após dois exames negativos consecutivos realizados anualmente, o intervalo entre os exames deve ser de três anos, não cinco. O intervalo de cinco anos é utilizado apenas na estratégia de testagem combinada (citologia + HPV) em mulheres com mais de 30 anos, conforme diretrizes internacionais, mas não é a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento citológico isolado. A banca trocou o intervalo de três por cinco anos.

Assertiva III — ❌ Incorreta

A vacina contra HPV não substitui o rastreamento. A vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, que causam cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero, mas não cobre todos os tipos oncogênicos. Além disso, muitas mulheres vacinadas já tiveram contato com o vírus antes da vacinação. Portanto, o rastreamento deve ser mantido normalmente, mesmo em mulheres vacinadas.

Assertiva IV — ✅ Correta

Mulheres HIV positivas devem realizar o exame de Papanicolau semestralmente no primeiro ano após o diagnóstico, e depois anualmente se os resultados forem negativos. Essa recomendação se deve ao maior risco de câncer de colo de útero nessa população, relacionado à imunossupressão e à maior persistência do HPV. O rastreamento mais intensificado visa detectar lesões precocemente.

Assertiva V — ✅ Correta

O exame de Papanicolau deve ser interrompido em mulheres que tenham realizado histerectomia total por motivo benigno, desde que não haja história de lesão prévia de alto grau. Como o colo do útero foi removido, não há mais o órgão-alvo para desenvolver câncer. Porém, se a histerectomia foi por lesão precursora ou câncer, o rastreamento da cúpula vaginal deve continuar.

Conclusão: corretas as assertivas I, IV e V, portanto o gabarito é a letra D.

Gabarito: letra D

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