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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
qg177157
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Segredo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Em relação às doenças das glândulas paratireoides, assinale a alternativa correta.
  1. ANo hiperparatireoidismo primário, espera-se encontrar níveis séricos elevados de fósforo e cálcio.
  2. BO hipoparatireoidismo congênito é mais frequentemente causado por uma mutação no gene PTH.
  3. CO hiperparatireoidismo secundário é caracterizado pela hiperplasia das glândulas paratireoides, elevados níveis séricos do paratormônio e uma doença óssea de alto remanejamento. É uma complicação frequente nos pacientes em diálise e pode desenvolver-se cedo no curso da doença renal crônica.
  4. DA osteíte fibrosa cística é uma complicação comum do hipoparatireoidismo não tratado.
  5. EO carcinoma de paratireoide é uma causa comum de hipocalcemia.
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GabaritoC — O hiperparatireoidismo secundário é caracterizado pela hiperplasia das glândulas paratireoides, elevados níveis séricos do paratormônio e uma doença óssea de alto remanejamento. É uma complicação frequente nos pacientes em diálise e pode desenvolver-se cedo no curso da doença renal crônica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doenças das glândulas paratireoides: hiperparatireoidismo e hipoparatireoidismo

Gabarito: letra C. O hiperparatireoidismo secundário é caracterizado por hiperplasia das paratireoides, elevação do PTH e doença óssea de alto remodelamento, sendo complicação frequente e precoce da doença renal crônica (DRC), especialmente em pacientes em diálise. As demais alternativas apresentam erros conceituais: no hiperparatireoidismo primário o fósforo está baixo (não elevado); o hipoparatireoidismo congênito raramente é por mutação no gene do PTH (mais comum na síndrome de DiGeorge); a osteíte fibrosa cística é complicação do hiperparatireoidismo (não do hipo); e o carcinoma de paratireoide causa hipercalcemia (não hipocalcemia).

O paratormônio (PTH) é o principal regulador do metabolismo do cálcio e do fósforo. Ele aumenta a reabsorção óssea, estimula a produção renal de calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D) e aumenta a reabsorção renal de cálcio, ao mesmo tempo que aumenta a excreção renal de fósforo. Por isso, quando há excesso de PTH (hiperparatireoidismo), espera-se cálcio elevado e fósforo baixo; quando há deficiência (hipoparatireoidismo), cálcio baixo e fósforo elevado. Essa relação inversa entre PTH e fósforo é a chave para entender as alternativas.

O hiperparatireoidismo primário (HPTP) é causado por superprodução autônoma de PTH, geralmente por adenoma solitário (cerca de 85% dos casos). O diagnóstico é feito pela hipercalcemia com PTH inapropriadamente normal ou elevado. As características bioquímicas típicas incluem hipofosfatemia (fósforo baixo), aumento de 1,25(OH)2D e cloreto, e redução do bicarbonato. A alternativa A inverte exatamente esse padrão.

O hiperparatireoidismo secundário (HPTS) é uma resposta fisiológica compensatória à hipocalcemia e/ou à deficiência de vitamina D. Na DRC, a queda da filtração glomerular leva a retenção de fosfato, redução do calcitriol e hipocalcemia, estimulando cronicamente as paratireoides, que sofrem hiperplasia. Essa condição pode se desenvolver precocemente, antes mesmo da diálise, e é uma das principais causas de osteodistrofia renal. A doença óssea resultante é de alto remodelamento, com aumento de marcadores de formação e reabsorção óssea.

A osteíte fibrosa cística (OFC) é a manifestação óssea clássica do hiperparatireoidismo grave e prolongado, seja primário, secundário ou terciário. Caracteriza-se por aumento acoplado de reabsorção osteoclástica e formação osteoblástica, com fibrose medular e cistos ósseos. Hoje é rara no HPTP (menos de 2% nos países com rastreio bioquímico), mas ainda ocorre em formas graves de HPTS/terciário e no carcinoma de paratireoide. A alternativa D a associa erroneamente ao hipoparatireoidismo.

O carcinoma de paratireoide é uma neoplasia rara, responsável por menos de 1% dos casos de hiperparatireoidismo primário. Ele secreta PTH em excesso, causando hipercalcemia grave, frequentemente com níveis muito elevados de cálcio e PTH. Portanto, não causa hipocalcemia — a alternativa E está invertida.

O hipoparatireoidismo congênito pode ocorrer como parte da síndrome de DiGeorge (deleção cromossômica), por agenesia das glândulas, ou por mutações genéticas, mas a causa mais frequente é a síndrome de DiGeorge, não a mutação isolada do gene do PTH. A alternativa B erra ao afirmar que a mutação no gene PTH é a causa mais frequente.

Guarde a relação PTH × cálcio × fósforo: é ela que separa as alternativas corretas das incorretas. No hiperparatireoidismo, PTH alto → cálcio alto e fósforo baixo; no hipoparatireoidismo, PTH baixo → cálcio baixo e fósforo alto.

Característica

Hiperparatireoidismo Primário

Hiperparatireoidismo Secundário (DRC)

Hipoparatireoidismo

Níveis de PTH

Elevado (autônomo)

Elevado (compensatório)

Baixo/deficiente

Níveis de cálcio sérico

Elevado (hipercalcemia)

Baixo ou normal (hipocalcemia/estimula PTH)

Baixo (hipocalcemia)

Níveis de fósforo sérico

Baixo (hipofosfatemia)

Elevado (retenção renal)

Elevado (hiperfosfatemia)

Mecanismo fisiopatológico

Adenoma (geralmente) → secreção autônoma de PTH

DRC → retenção de fosfato, ↓ calcitriol, hipocalcemia → hiperplasia das paratireoides

Deficiência de PTH (ex.: síndrome de DiGeorge)

Complicação óssea clássica

Osteíte fibrosa cística (rara hoje)

Osteíte fibrosa cística / osteodistrofia renal (alto remodelamento)

Baixo remodelamento ósseo, aumento da densidade óssea

1Hiperparatireoidismo (PTH alto)
Cálcio alto
Fósforo baixo
Osteíte fibrosa cística
2Hipoparatireoidismo (PTH baixo)
Cálcio baixo
Fósforo alto
3Carcinoma de paratireoide
Hipercalcemia grave
Paratireoides: PTH × cálcio × fósforo
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Paratireoides: PTH × cálcio × fósforo: Hiperparatireoidismo (PTH alto) (Cálcio alto, Fósforo baixo, Osteíte fibrosa cística); Hipoparatireoidismo (PTH baixo) (Cálcio baixo, Fósforo alto); Carcinoma de paratireoide (Hipercalcemia grave)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que no hiperparatireoidismo primário há níveis elevados de fósforo e cálcio. O erro está no fósforo: o PTH aumenta a excreção renal de fosfato, portanto o fósforo sérico está baixo (hipofosfatemia), não elevado. O cálcio, de fato, está elevado (hipercalcemia). A banca trocou o comportamento do fósforo, que é o oposto do cálcio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o hipoparatireoidismo congênito é mais frequentemente causado por mutação no gene PTH. Na verdade, a causa mais comum é a síndrome de DiGeorge (deleção do cromossomo 22q11), que cursa com agenesia ou hipoplasia das paratireoides. Mutações no gene do PTH são causa rara. A banca trocou a etiologia mais frequente por uma causa incomum.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o hiperparatireoidismo secundário: hiperplasia das paratireoides (pela estimulação crônica), PTH elevado, doença óssea de alto remodelamento (osteíte fibrosa cística ou osteodistrofia renal), complicação frequente em diálise e que pode surgir precocemente na DRC. Todos os elementos estão corretos e são bem fundamentados na fisiopatologia da DRC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a osteíte fibrosa cística é complicação do hipoparatireoidismo não tratado. Na verdade, a OFC é complicação do hiperparatireoidismo (primário, secundário ou terciário) grave e prolongado, caracterizada por alto remodelamento ósseo. No hipoparatireoidismo, o que se observa é baixo remodelamento e aumento da densidade óssea, não OFC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o carcinoma de paratireoide é causa comum de hipocalcemia. O carcinoma de paratireoide é raro e secreta PTH em excesso, causando hipercalcemia grave, não hipocalcemia. A banca inverteu o efeito: tumor produtor de PTH → cálcio alto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão da relação PTH–fósforo: no hiperparatireoidismo o fósforo está baixo, não elevado (alternativa A). Também troca a causa mais comum do hipoparatireoidismo congênito (DiGeorge, não mutação do gene PTH) e associa a osteíte fibrosa cística ao hipoparatireoidismo, quando ela é complicação do hiperparatireoidismo. Fique atento: sempre que a alternativa falar em "PTH alto", pense em cálcio alto e fósforo baixo; "PTH baixo", cálcio baixo e fósforo alto.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar, use a regra do "3 P": PTH alto → fósforo baixo (hiperparatireoidismo); PTH baixo → fósforo alto (hipoparatireoidismo). E lembre: osteíte fibrosa cística = hiperparatireoidismo; carcinoma de paratireoide = hipercalcemia.

Gabarito: letra C

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