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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2024

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg177160
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Segredo - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem, 37 anos, com histórico de dor lombar crônica, chega à unidade de saúde após uso excessivo de metadona. Apresenta respiração superficial, pupilas contraídas (miose) e está inconsciente. Qual deve ser a abordagem inicial mais adequada para esse paciente?
  1. AAdministrar naloxona e proporcionar suporte respiratório, se necessário.
  2. BMonitorá-lo e administrar oxigênio suplementar, se necessário.
  3. CAdministrar flumazenil para reverter a depressão do sistema nervoso central.
  4. DAdministrar carvão ativado para absorver o opioide ingerido.
  5. EIniciar hidratação intravenosa para acelerar a eliminação do opioide.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Administrar naloxona e proporcionar suporte respiratório, se necessário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intoxicação por opioides: abordagem inicial

Gabarito: letra A. O paciente apresenta a tríade clássica de intoxicação por opioides — depressão respiratória (respiração superficial), miose (pupilas contraídas) e rebaixamento do nível de consciência — após uso excessivo de metadona. A abordagem inicial adequada é administrar o antídoto específico, a naloxona, e proporcionar suporte respiratório, se necessário. Essa conduta é baseada no princípio de que a naloxona é um antagonista competitivo dos receptores opioides, revertendo rapidamente a depressão respiratória e o rebaixamento do nível de consciência.

A intoxicação por opioides é uma emergência médica potencialmente fatal, caracterizada pela tríade clássica: depressão do sistema nervoso central (rebaixamento do nível de consciência), depressão respiratória (respiração superficial, bradipneia) e miose (pupilas puntiformes). A metadona, um opioide de longa duração, pode causar intoxicação grave, especialmente em pacientes com uso crônico, devido ao seu acúmulo e meia-vida prolongada. O manejo inicial deve priorizar a estabilização do paciente, com ênfase na via aérea e na ventilação, e a administração do antídoto específico.

A naloxona é o antídoto de escolha para a intoxicação por opioides. Ela atua como antagonista competitivo dos receptores opioides, deslocando o opioide e revertendo rapidamente a depressão respiratória e o rebaixamento do nível de consciência. A dose inicial recomendada é de 0,2 a 1 mg, por via intravenosa ou intramuscular, podendo ser repetida até que a ventilação esteja adequada. Em pacientes usuários crônicos e dependentes de opioides, a dose inicial deve ser menor (0,1 mg) e administrada em intervalos de 30 a 60 segundos, para evitar a precipitação de síndrome de abstinência aguda. O suporte respiratório, incluindo oxigenação e ventilação assistida, é fundamental, especialmente se a naloxona não estiver disponível ou se a resposta for inadequada.

A abordagem inicial de qualquer intoxicação exógena com rebaixamento do nível de consciência deve seguir a sequência: avaliar e estabilizar a via aérea, a respiração e a circulação (ABC). A proteção da via aérea, com intubação orotraqueal, deve ser considerada precocemente em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, a menos que a causa seja facilmente reversível, como no caso da intoxicação por opioides, onde a naloxona pode reverter rapidamente o quadro. Durante a administração do antídoto, deve-se assegurar ventilação e oxigenação adequadas até a melhora do nível de consciência ou o estabelecimento de uma via aérea definitiva.

A banca explora a confusão entre os antídotos de diferentes intoxicações. A naloxona é específica para opioides, enquanto o flumazenil é o antídoto para benzodiazepínicos. O carvão ativado é utilizado para reduzir a absorção de substâncias ingeridas, mas não é a abordagem inicial em um paciente com depressão respiratória e rebaixamento do nível de consciência, pois há risco de aspiração. A hidratação intravenosa não acelera a eliminação de opioides e não reverte a depressão respiratória. O suporte respiratório, incluindo oxigenação e ventilação assistida, é fundamental, especialmente se a naloxona não estiver disponível ou se a resposta for inadequada.

Guarde a distinção entre os antídotos e as medidas de suporte: a naloxona é o antídoto específico para opioides, o flumazenil para benzodiazepínicos, e o carvão ativado é uma medida de descontaminação que não deve ser usada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência sem proteção de via aérea. É exatamente essa distinção que separa as alternativas.

  1. 1Estabilizar ABC (via aérea, respiração, circulação)
  2. 2Administrar naloxona (antídoto específico)
  3. 3Suporte respiratório, se necessário
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A administração de naloxona é a medida específica e imediata para reverter a depressão respiratória e o rebaixamento do nível de consciência causados pela intoxicação por opioides. O suporte respiratório, incluindo oxigenação e ventilação assistida, é fundamental, especialmente se a naloxona não estiver disponível ou se a resposta for inadequada. A dose inicial de naloxona é de 0,2 a 1 mg, IV ou IM, podendo ser repetida até que a ventilação esteja adequada. Em usuários crônicos, a dose inicial deve ser menor (0,1 mg) para evitar abstinência aguda.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Monitorar e administrar oxigênio suplementar é uma medida de suporte importante, mas não é a abordagem inicial mais adequada, pois não reverte a causa da depressão respiratória. A naloxona é o antídoto específico que deve ser administrado para reverter o efeito do opioide. O oxigênio suplementar pode ser necessário, mas não substitui a administração do antídoto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O flumazenil é o antídoto para intoxicação por benzodiazepínicos, não para opioides. Administrar flumazenil em um paciente com intoxicação por opioides não reverte a depressão do SNC e pode até precipitar convulsões, especialmente em pacientes com uso crônico de benzodiazepínicos ou intoxicação concomitante por antidepressivos tricíclicos. O antídoto correto é a naloxona.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O carvão ativado é utilizado para reduzir a absorção de substâncias ingeridas, mas não é a abordagem inicial em um paciente com depressão respiratória e rebaixamento do nível de consciência. Há risco de aspiração, e a prioridade é estabilizar a via aérea e administrar o antídoto específico. O carvão ativado não reverte os efeitos do opioide já absorvido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hidratação intravenosa não acelera a eliminação de opioides e não reverte a depressão respiratória. A abordagem inicial deve focar na estabilização da via aérea, na ventilação e na administração do antídoto específico (naloxona). A hidratação pode ser uma medida de suporte, mas não é a conduta inicial mais adequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os antídotos: flumazenil é para benzodiazepínicos, não para opioides. A naloxona é o antídoto específico para opioides. Lembre-se: miose + depressão respiratória + rebaixamento do nível de consciência = intoxicação por opioides → naloxona.

PEGA ESSA DICA!

Na abordagem de intoxicações exógenas, siga o ABC (via aérea, respiração, circulação) e identifique o antídoto específico. Para opioides, use naloxona; para benzodiazepínicos, flumazenil (com cautela). O carvão ativado é uma medida de descontaminação, não um antídoto.

Gabarito: letra A

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