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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg178321
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Vila Maria - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico da Família
Qual é o principal objetivo da reabilitação de pacientes pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC) e qual a abordagem terapêutica mais indicada para promover a recuperação funcional?
  1. AReduzir a dor crônica pós-AVC através de analgésicos potentes, visando melhorar a qualidade de vida do paciente.
  2. BMinimizar a espasticidade muscular por meio de cirurgia ortopédica, permitindo uma melhor amplitude de movimento nas articulações afetadas.
  3. CPromover a neuroplasticidade cerebral e a recuperação funcional através de terapias de reabilitação multidisciplinares, como fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
  4. DUtilizar técnicas cirúrgicas para revascularização cerebral, visando restabelecer o fluxo sanguíneo nas áreas afetadas pelo AVC.
  5. EAdministrar medicamentos neuroprotetores para prevenir novos eventos cerebrovasculares e assegurar a estabilidade do paciente.
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GabaritoC — Promover a neuroplasticidade cerebral e a recuperação funcional através de terapias de reabilitação multidisciplinares, como fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reabilitação pós-AVC: neuroplasticidade e abordagem multidisciplinar

Gabarito: letra C. O principal objetivo da reabilitação de pacientes pós-AVC é promover a neuroplasticidade cerebral e a recuperação funcional, por meio de terapias multidisciplinares como fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Essa é a abordagem baseada em evidências, conforme as diretrizes clínicas e o consenso científico sobre o tema.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade no mundo, deixando sequelas motoras, sensitivas, cognitivas e de linguagem. A reabilitação visa, essencialmente, aproveitar a capacidade do cérebro de se reorganizar — a neuroplasticidade — para que o paciente recupere ao máximo suas funções e sua independência. Isso se dá por meio de um programa intensivo e precoce, conduzido por equipe multidisciplinar, que inclui fisioterapia (para marcha, equilíbrio, força), terapia ocupacional (para atividades de vida diária) e fonoaudiologia (para fala, deglutição e linguagem).

A literatura é clara: a reabilitação deve ser iniciada o quanto antes, idealmente ainda na fase hospitalar, e continuada por meses. Estudos mostram que programas de reabilitação comunitária reduzem desfechos adversos e melhoram a capacidade funcional. O desafio da equipe, especialmente nos primeiros seis meses, é conduzir um plano de reabilitação intensa que leve o paciente ao melhor nível funcional possível. A reabilitação deve se estender pelo tempo necessário, em média seis meses, até que o paciente possa reassumir suas atividades prévias ou continuar praticando sozinho no domicílio, com reavaliações periódicas.

A reabilitação motora é um pilar central: exercícios aeróbicos e de resistência melhoram força, equilíbrio e mobilidade. Todos os pacientes com sequela de AVC devem estar integrados a programas de reabilitação com vistas ao fortalecimento do grupo muscular afetado. Na impossibilidade de exercícios ativos, a mobilização passiva do membro afetado contribui para reduzir o grau de espasticidade e alívio da dor. Na falta de um fisioterapeuta, tais atividades devem ser orientadas pelo próprio médico ou outro profissional de saúde.

A distinção crucial que a banca explora é entre o objetivo da reabilitação (recuperação funcional via neuroplasticidade) e outras metas que podem ser secundárias ou até inadequadas, como o controle da dor crônica, o manejo da espasticidade isolada, a revascularização cerebral ou a prevenção de novos eventos. A reabilitação não se confunde com tratamento farmacológico da dor, cirurgia ortopédica para espasticidade, procedimentos de revascularização (que são da fase aguda) ou prevenção secundária (que é contínua, mas não é o foco da reabilitação funcional).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura objetivos da fase aguda e da fase crônica do AVC. A revascularização cerebral (letra D) é tratamento da fase aguda do AVC isquêmico, não da reabilitação. A prevenção de novos eventos (letra E) é importante, mas é prevenção secundária, não reabilitação funcional. O candidato que não distingue as fases pode cair nessas armadilhas.

Reabilitação pós-AVC
  • 1Objetivo principal
    • Neuroplasticidade
    • Recuperação funcional
  • 2Abordagem indicada
    • Equipe multidisciplinar
      • Fisioterapia (marcha, equilíbrio, força)
      • Terapia ocupacional (AVDs)
      • Fonoaudiologia (fala, deglutição)
  • 3Confundidos pela banca
    • Controle da dor crônica (secundário)
    • Cirurgia p/ espasticidade (complicação)
    • Revascularização (fase aguda)
    • Prevenção secundária (contínua)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Reduzir a dor crônica pós-AVC com analgésicos potentes é um objetivo secundário, não o principal da reabilitação. A dor crônica pós-AVC é uma complicação que pode ser abordada, mas o foco central da reabilitação é a recuperação funcional. Além disso, analgésicos potentes não são a primeira linha para dor neuropática pós-AVC; o tratamento envolve abordagens específicas como amitriptilina, lamotrigina, pregabalina, gabapentina ou carbamazepina, conforme o contexto clínico. A alternativa confunde o manejo de uma complicação com o objetivo central da reabilitação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Minimizar a espasticidade muscular por meio de cirurgia ortopédica não é a abordagem terapêutica mais indicada para promover a recuperação funcional. A espasticidade é uma complicação comum pós-AVC, mas seu manejo envolve fisioterapia, alongamento, toxina botulínica e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos. A cirurgia ortopédica não é a primeira linha e não aborda o objetivo principal da reabilitação, que é a neuroplasticidade e a recuperação funcional. A alternativa troca o foco central por uma intervenção específica para uma complicação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Promover a neuroplasticidade cerebral e a recuperação funcional através de terapias de reabilitação multidisciplinares, como fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, é exatamente o principal objetivo da reabilitação pós-AVC. A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais, e a reabilitação multidisciplinar é a abordagem que estimula esse processo. A fisioterapia trabalha marcha, equilíbrio e força; a terapia ocupacional foca nas atividades de vida diária; e a fonoaudiologia aborda fala, deglutição e linguagem. Essa é a abordagem baseada em evidências e recomendada pelas diretrizes clínicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Utilizar técnicas cirúrgicas para revascularização cerebral, visando restabelecer o fluxo sanguíneo nas áreas afetadas pelo AVC, é uma intervenção da fase aguda do AVC isquêmico, não da reabilitação. A revascularização (trombólise ou trombectomia) é realizada nas primeiras horas do evento para salvar tecido cerebral em risco. Na fase de reabilitação, o objetivo não é mais restabelecer o fluxo sanguíneo, mas sim promover a recuperação funcional do paciente. A alternativa confunde as fases do tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Administrar medicamentos neuroprotetores para prevenir novos eventos cerebrovasculares e assegurar a estabilidade do paciente é prevenção secundária, não reabilitação funcional. A prevenção de novos eventos é importante e envolve controle de fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo) e uso de antiagregantes ou anticoagulantes, conforme o caso. No entanto, isso não é o objetivo da reabilitação, que foca na recuperação funcional e na neuroplasticidade. A alternativa confunde prevenção secundária com reabilitação.

Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o objetivo principal da reabilitação pós-AVC e a abordagem terapêutica mais indicada.

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