Questão de Odontologia — Odontologia Pré-Clínica — FUNDATEC 2024
Odontologia›Odontologia Pré-Clínica
Código
qg178340
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Vila Maria - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Odontólogo
Existem várias classificações para reações adversas no uso de medicamentos, um problema que causa um impacto na vida humana, além de influenciar significativamente os custos despendidos com a saúde. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando a classificação das reações indesejáveis à sua descrição.Coluna 11. Não se devem à ação farmacológica principal do medicamento, e sim à consequência do efeito desejado, por exemplo, diarreia e infecção secundária.2. Sensibilidade peculiar a certo produto, motivada pela estrutura singular de algum sistema enzimático, tendo geralmente base genética.3. Decorre de sensibilização prévia do indivíduo à substância estranha ao organismo, mediada por mecanismo imunológico. Compreende reações cuja intensidade não está relacionada com a dose administrada.4. São inerentes à própria ação do fármaco, porém seu aparecimento é indesejável em determinada situação, por exemplo, xerostomia e tontura.Coluna 2 ( ) Efeitos colaterais. ( ) Efeitos secundários. ( ) Idiossincrasia. ( ) Hipersensibilidade. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A4 – 1 – 2 – 3.
B4 – 1 – 3 – 2.
C1 – 4 – 2 – 3.
D1 – 4 – 3 – 2.
E4 – 3 – 1 – 2.
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GabaritoA — 4 – 1 – 2 – 3.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Classificação das reações adversas a medicamentos
Gabarito: letra A. A sequência correta é 4 – 1 – 2 – 3: efeitos colaterais (inerentes à ação do fármaco, mas indesejáveis em dada situação), efeitos secundários (decorrentes do efeito desejado, como diarreia e infecção secundária), idiossincrasia (sensibilidade peculiar de base genética) e hipersensibilidade (reação imunológica, independente da dose). A questão exige distinguir quatro conceitos clássicos de farmacologia clínica, e a pegadinha está em inverter efeito colateral com efeito secundário.
As reações adversas a medicamentos (RAM) são respostas nocivas e não intencionais que ocorrem em doses normalmente utilizadas para profilaxia, diagnóstico ou tratamento. A classificação mais difundida na prática clínica separa esses eventos em categorias que se diferenciam pelo mecanismo: se a reação decorre diretamente da ação farmacológica principal, se é consequência indireta dessa ação, se depende de uma predisposição genética do indivíduo ou se envolve o sistema imunológico.
O efeito colateral é aquele que faz parte do perfil farmacológico do medicamento, ou seja, é inerente à própria ação do fármaco, mas seu aparecimento é indesejável em determinada situação. Um exemplo clássico é a xerostomia (boca seca) causada por anticolinérgicos ou a tontura provocada por anti-hipertensivos. Não é um efeito "errado" do ponto de vista farmacológico — é uma consequência previsível da ação do fármaco, apenas não desejada naquele contexto terapêutico.
O efeito secundário é diferente: não se deve à ação farmacológica principal do medicamento, mas sim à consequência do efeito desejado. O exemplo dado na questão — diarreia e infecção secundária — ilustra bem: um antibiótico de amplo espectro elimina as bactérias patogênicas (efeito desejado), mas também altera a microbiota intestinal, permitindo o crescimento de microrganismos resistentes e causando diarreia ou infecções oportunistas. A reação é indireta, uma consequência colateral do efeito terapêutico.
A idiossincrasia é uma sensibilidade peculiar a certo produto, motivada pela estrutura singular de algum sistema enzimático, tendo geralmente base genética. É uma resposta anormal e qualitativamente diferente da esperada, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos. Um exemplo é a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), que pode levar a hemólise quando o paciente usa certos medicamentos. A reação não é dose-dependente no sentido usual — depende da susceptibilidade individual.
A hipersensibilidade decorre de sensibilização prévia do indivíduo à substância estranha ao organismo, mediada por mecanismo imunológico. Compreende reações cuja intensidade não está relacionada com a dose administrada — mesmo uma dose mínima pode desencadear uma reação grave em um paciente previamente sensibilizado. As reações de hipersensibilidade são classificadas em tipos I, II, III e IV, conforme o mecanismo imunológico envolvido (IgE, citotoxicidade, imunocomplexos ou hipersensibilidade tardia).
A distinção central que a banca explora é entre efeito colateral e efeito secundário. Ambos são previsíveis, mas o colateral é direto (inerente à ação do fármaco) e o secundário é indireto (consequência do efeito desejado). A idiossincrasia e a hipersensibilidade são imprevisíveis, mas diferem no mecanismo: genético/enzimático versus imunológico. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Classificação
Mecanismo
Previsibilidade
Exemplo
Efeito colateral
Inerente à ação do fármaco (direto)
Previsível
Xerostomia por anticolinérgico
Efeito secundário
Consequência do efeito desejado (indireto)
Previsível
Diarreia por antibiótico
Idiossincrasia
Base genética/enzimática
Imprevisível
Hemólise por deficiência de G6PD
Hipersensibilidade
Mecanismo imunológico
Imprevisível
Reação anafilática (IgE)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sequência 4 – 1 – 2 – 3 corresponde exatamente às definições apresentadas: o item 4 descreve efeitos colaterais (inerentes à ação do fármaco, indesejáveis em dada situação), o item 1 descreve efeitos secundários (consequência do efeito desejado), o item 2 descreve idiossincrasia (base genética) e o item 3 descreve hipersensibilidade (mecanismo imunológico, independente da dose).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sequência 4 – 1 – 3 – 2 inverte idiossincrasia e hipersensibilidade. O item 2 (sensibilidade peculiar de base genética) é idiossincrasia, não hipersensibilidade; e o item 3 (mecanismo imunológico) é hipersensibilidade, não idiossincrasia. A banca troca os dois conceitos imprevisíveis entre si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sequência 1 – 4 – 2 – 3 inverte efeito colateral e efeito secundário. O item 1 (consequência do efeito desejado) é efeito secundário, não colateral; e o item 4 (inerente à ação do fármaco) é efeito colateral, não secundário. É a troca mais comum nesse tema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sequência 1 – 4 – 3 – 2 acumula dois erros: inverte efeito colateral com efeito secundário (itens 1 e 4) e inverte idiossincrasia com hipersensibilidade (itens 2 e 3).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A sequência 4 – 3 – 1 – 2 coloca hipersensibilidade (item 3) no lugar de efeito secundário (item 1) e efeito secundário no lugar de idiossincrasia (item 2). Apenas o item 4 (efeito colateral) está na posição correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter efeito colateral com efeito secundário, pois ambos são previsíveis e parecem sinônimos. A diferença está na relação com a ação principal: colateral é direto (inerente à ação do fármaco), secundário é indireto (consequência do efeito desejado). Outra troca frequente é entre idiossincrasia (base genética/enzimática) e hipersensibilidade (base imunológica). Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: previsíveis = colateral (direto) e secundário (indireto); imprevisíveis = idiossincrasia (genética) e hipersensibilidade (imunológica). Na prova, leia a descrição e pergunte: "a reação é consequência direta ou indireta da ação do fármaco?" e "o mecanismo é genético ou imunológico?". Isso resolve a questão sem depender de memorizar exemplos.