O câncer de pele é o tipo mais comum de câncer e é frequentemente causado pela exposição ao sol. Existem vários tipos de câncer de pele, sendo os mais comuns o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Assinale a alternativa que corresponde a um fator de risco relacionado a essa patologia.
ASíndrome de nevo displásico.
BLesão pigmentada de evolução lenta.
CBolha de sangue que não desaparece.
DLesões circulares.
EMargens das lesões planas ou elevadas e palpáveis.
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GabaritoA — Síndrome de nevo displásico.
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Câncer de pele: fatores de risco e sinais de alarme
Gabarito: letra A. A síndrome do nevo displásico é um fator de risco reconhecido para o melanoma, pois se caracteriza pela presença de múltiplos nevos atípicos, que aumentam significativamente o risco de transformação maligna. As demais alternativas descrevem características clínicas de lesões suspeitas (regra do ABCDE), não fatores de risco.
O câncer de pele é a neoplasia mais frequente na espécie humana, dividindo-se em dois grandes grupos: o câncer de pele não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular) e o melanoma. Enquanto os carcinomas estão fortemente associados à exposição solar crônica e cumulativa, o melanoma tem relação mais íntima com episódios de exposição intensa e intermitente, especialmente na infância, e com fatores genéticos e fenotípicos.
A distinção fundamental que esta questão explora é entre fator de risco e sinal de alarme. Fator de risco é uma condição pré-existente que aumenta a probabilidade de desenvolver a doença — como a síndrome do nevo displásico, pele clara, história familiar de melanoma, múltiplos nevos e imunossupressão. Já os sinais de alarme são características da própria lesão que sugerem que ela pode ser maligna — é o que a regra do ABCDE do melanoma descreve: Assimetria, Bordas irregulares, Cor heterogênea, Diâmetro > 6 mm e Evolução (mudança recente).
A síndrome do nevo displásico (ou síndrome do nevo atípico) é uma condição hereditária autossômica dominante em que o paciente apresenta grande número de nevos atípicos (geralmente mais de 100), com diâmetro maior que 5 mm, bordas irregulares e coloração heterogênea. Esses nevos têm potencial de transformação maligna e o risco de melanoma ao longo da vida pode chegar a quase 100% em algumas famílias. É, portanto, um dos mais importantes fatores de risco para melanoma, ao lado de história familiar, pele clara, cabelos ruivos ou loiros, olhos claros, sardas e exposição a radiação UV artificial.
A banca, ao listar as alternativas B a E, descreve características clínicas de lesões suspeitas — que são sinais de alarme, não fatores de risco. A pegadinha está em confundir o que predispõe ao câncer com o que o próprio câncer parece. Guarde essa fronteira: fator de risco é o que o paciente tem antes (genética, fenótipo, história); sinal de alarme é o que a lesão mostra (assimetria, bordas, cor, diâmetro, evolução). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome do nevo displásico é um fator de risco clássico e bem documentado para o melanoma. Trata-se de uma condição genética caracterizada por múltiplos nevos atípicos, que confere risco aumentado de transformação maligna. O contexto confirma que "nevos atípicos" e "múltiplos nevos" são fatores que aumentam o risco de melanoma, e a literatura oncológica reconhece a síndrome do nevo displásico como um dos principais fatores de risco hereditários. É a única alternativa que descreve uma condição pré-existente do paciente, e não uma característica da lesão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Lesão pigmentada de evolução lenta" descreve uma característica clínica de uma lesão, não um fator de risco. A lentidão da evolução pode até sugerir benignidade em alguns casos, mas não é um fator que predispõe ao câncer. A banca explora aqui a confusão entre o que a lesão parece e o que aumenta o risco de desenvolvê-la. A evolução (mudança recente) é, na verdade, um dos critérios da regra ABCDE — é um sinal de alarme, não um fator de risco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Bolha de sangue que não desaparece" é uma descrição de uma lesão suspeita, possivelmente um melanoma nodular ou uma lesão vascular, mas não constitui um fator de risco. A banca tenta induzir o candidato a associar qualquer característica de lesão maligna a um fator de risco. Uma bolha de sangue persistente é um sinal de alarme que merece investigação, mas não é uma condição pré-existente que aumente a probabilidade de desenvolver câncer de pele.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Lesões circulares" é uma descrição genérica de morfologia de lesão, sem relação com fator de risco. Muitas lesões benignas são circulares (como nevos comuns e ceratoses seborreicas), e a circularidade não é um critério de malignidade — na verdade, a assimetria é que é um sinal de alarme. A alternativa não corresponde a nenhum fator de risco conhecido para câncer de pele e não tem respaldo na literatura oncológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Margens das lesões planas ou elevadas e palpáveis" descreve características de bordas de lesões, que fazem parte da avaliação clínica (regra ABCDE — bordas irregulares são suspeitas), mas não são fatores de risco. A banca mistura a semiologia da lesão com a epidemiologia do câncer. Bordas planas ou elevadas e palpáveis são achados do exame físico, não condições que predispõem ao desenvolvimento da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca fator de risco por sinal de alarme. As alternativas B a E descrevem características de lesões suspeitas (regra ABCDE), que são o que o médico procura ao examinar o paciente — não o que aumenta a chance de desenvolver a doença. A síndrome do nevo displásico é a única que responde à pergunta: é uma condição pré-existente que predispõe ao melanoma. Na prova, leia o enunciado com atenção: se pede "fator de risco", procure o que o paciente tem (genética, fenótipo, história), não o que a lesão mostra.
PEGA ESSA DICA!
Para não errar mais, separe mentalmente os dois grupos: fatores de risco (pele clara, olhos claros, cabelos ruivos/loiros, sardas, múltiplos nevos, nevos atípicos, história familiar de melanoma, imunossupressão, exposição UV intensa/intermitente, queimaduras solares na infância, bronzeamento artificial) e sinais de alarme (regra ABCDE: Assimetria, Bordas irregulares, Cor heterogênea, Diâmetro > 6 mm, Evolução). Se a alternativa descreve uma característica da lesão, é sinal de alarme; se descreve uma condição do paciente, é fator de risco.