Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg178561
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Água Santa - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Em paciente de 30 anos de idade com colposcopia satisfatória e documentação histológica de NIC 3, qual a melhor conduta?
  1. ARepetir o exame citopatológico em 3 meses.
  2. BSolicitar teste de HPV-DNA.
  3. CRealizar excisão da zona de transformação.
  4. DAblação a laser da zona de transformação.
  5. ERepetir a colposcopia em 3 meses.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Realizar excisão da zona de transformação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conduta no NIC 3 com colposcopia satisfatória

Gabarito: letra C. Em paciente com diagnóstico histológico de NIC 3 e colposcopia satisfatória, a conduta é a excisão da zona de transformação (EZT), pois se trata de lesão de alto grau com potencial de progressão para carcinoma invasor, e a colposcopia satisfatória permite a excisão completa da lesão. As demais alternativas (repetir citologia, solicitar HPV-DNA, ablação ou repetir colposcopia) não são condutas adequadas para NIC 3, conforme as diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O NIC 3 (Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 3) é uma lesão precursora de alto grau do câncer de colo de útero, correspondendo ao HSIL na classificação de Bethesda. É uma lesão que acomete mais de dois terços da espessura do epitélio escamoso cervical, com alto potencial de progressão para carcinoma invasor se não tratada. O tratamento visa erradicar a lesão, e a escolha entre excisão ou ablação depende de critérios como a satisfatoriedade da colposcopia, a extensão da lesão e a possibilidade de excluir invasão.

A colposcopia satisfatória significa que toda a junção escamocolunar (JEC) e os limites da lesão são visíveis, permitindo uma avaliação completa. Nesse cenário, a excisão da zona de transformação (EZT) — também chamada de conização ou CAF (cirurgia de alta frequência) — é o tratamento de escolha para NIC 3, pois remove a lesão com margens adequadas e permite o exame histopatológico da peça, excluindo a possibilidade de carcinoma microinvasor ou invasor que não foi diagnosticado na biópsia.

A ablação (como a laserterapia ou a cauterização) é uma alternativa apenas em casos selecionados, como lesões pequenas, totalmente visíveis, com colposcopia satisfatória e sem suspeita de invasão. No entanto, para NIC 3, a excisão é preferível, pois a ablação não permite o exame histopatológico da lesão completa, podendo deixar passar um carcinoma invasor não diagnosticado. Além disso, a ablação é contraindicada quando há suspeita de invasão, lesão glandular ou quando a colposcopia é insatisfatória.

A repetição da citologia ou da colposcopia em 3 meses, bem como a solicitação de teste de HPV-DNA, são condutas de seguimento ou de triagem, não de tratamento. Para uma lesão de alto grau já confirmada histologicamente, a conduta é terapêutica, não de vigilância. O teste de HPV-DNA pode ser útil no rastreamento ou no seguimento pós-tratamento, mas não substitui o tratamento da lesão já diagnosticada.

A pegadinha desta questão está em distinguir o tratamento excisional do ablativo e em reconhecer que, para NIC 3, a excisão é a conduta padrão, mesmo com colposcopia satisfatória. A banca explora a confusão entre as opções de tratamento e a falsa ideia de que a colposcopia satisfatória permitiria a ablação como primeira escolha.

NIC 3 (HSIL)
  • 1Conduta
    • Excisão da zona de transformação (EZT)
      • Permite exame histopatológico
      • Exclui carcinoma invasor
    • Ablação (laser)
      • Não permite exame da peça
      • Risco de deixar invasão
    • Seguimento (repetir citologia/colposcopia)
      • Atraso no tratamento
    • Teste de HPV-DNA
      • Sem papel no manejo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Repetir o exame citopatológico em 3 meses é uma conduta de seguimento para lesões de baixo grau ou para ASC-US, não para NIC 3 já confirmado por histologia. Uma vez que a lesão de alto grau está documentada, a conduta é terapêutica, não de vigilância. A repetição da citologia atrasaria o tratamento e permitiria a progressão da lesão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar teste de HPV-DNA não é a conduta para NIC 3 já diagnosticado. O teste de HPV-DNA é utilizado no rastreamento primário ou no seguimento pós-tratamento, mas não tem papel no manejo de uma lesão de alto grau já confirmada histologicamente. A conduta é tratar a lesão, não investigar o vírus.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Realizar excisão da zona de transformação (EZT) é a conduta correta para NIC 3 com colposcopia satisfatória. A excisão remove a lesão com margens adequadas, permite o exame histopatológico da peça para excluir carcinoma invasor e é o tratamento de escolha para lesões de alto grau. A colposcopia satisfatória garante que a lesão é totalmente visível e passível de excisão completa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Abl ação a laser da zona de transformação é uma opção de tratamento ablativa, que destrói a lesão sem permitir o exame histopatológico da peça. Para NIC 3, a excisão é preferível, pois a ablação pode deixar passar um carcinoma invasor não diagnosticado. A ablação é reservada para casos selecionados, como lesões pequenas e de baixo grau, ou quando a excisão não é possível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Repetir a colposcopia em 3 meses é uma conduta de seguimento, não de tratamento. Para NIC 3 já confirmado, a conduta é terapêutica imediata. A repetição da colposcopia atrasaria o tratamento e permitiria a progressão da lesão para carcinoma invasor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratamento excisional e ablativa. Muitos candidatos escolhem a ablação a laser por acharem que a colposcopia satisfatória permite qualquer tipo de tratamento. No entanto, para NIC 3, a excisão é sempre preferível, pois permite o exame histopatológico da peça e exclui a possibilidade de invasão. Lembre-se: lesão de alto grau = excisão, não ablação.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a conduta no NIC 3, lembre-se da regra: "NIC 3 = excisão". A excisão da zona de transformação (EZT) é o tratamento padrão para lesões de alto grau, independentemente da satisfatoriedade da colposcopia. A ablação é reservada para lesões de baixo grau ou para casos selecionados. Nas questões de ginecologia, sempre desconfie de alternativas que propõem seguimento ou vigilância para lesões de alto grau já confirmadas.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg178561