Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg179173
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Qual é o sintoma ou sinal mais frequente no descolamento prematuro de placenta com repercussão materno-fetal?
ADor abdominal.
BSangramento vaginal.
CContrações uterinas prematuras.
DHipertonia uterina.
EPadrão cardíaco fetal não reativo.
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GabaritoA — Dor abdominal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Descolamento prematuro de placenta (DPP): o sintoma mais frequente
Gabarito: letra A. No descolamento prematuro de placenta (DPP), o sintoma/sinal mais frequente é a dor abdominal — presente em praticamente todos os casos —, enquanto o sangramento vaginal, apesar de clássico, ocorre em apenas cerca de 70% das pacientes. Essa é a distinção central que a questão explora, e ela está diretamente amparada na descrição clínica do DPP: dor abdominal aguda e lancinante, hipertonia uterina e sangramento vaginal escuro em pequena quantidade.
O descolamento prematuro de placenta é definido como a separação entre a placenta e a parede uterina que ocorre antes da expulsão fetal, decorrente de sangramento e hematoma localizado na interface entre esses tecidos. O sangramento materno volumoso está relacionado à evolução da gestante para coagulação intravascular disseminada (CIVD), e a perda de superfície de troca entre a placenta e a parede uterina leva à hipóxia fetal. O DPP pode ser desencadeado por trauma abdominal contuso e, entre as etiologias não traumáticas mais comuns, estão hipertensão arterial sistêmica, trombofilias, tabagismo e uso de cocaína.
O quadro clínico clássico do DPP é composto por três elementos: sangramento vaginal vermelho escuro em pequena quantidade, dor abdominal aguda e lancinante e hipertonia uterina. Entretanto, é fundamental destacar que apenas 70% das pacientes apresentam sangramento vaginal, e até 20% podem não apresentar dor abdominal. Isso significa que a dor abdominal é o sintoma mais frequente, pois está presente na grande maioria dos casos, enquanto o sangramento, embora seja o sinal mais conhecido e associado à condição, não é o mais prevalente. Em pacientes sem exteriorização de sangramento, pode-se observar aumento progressivo da altura uterina causado pela expansão do hematoma.
A distinção entre DPP e placenta prévia é essencial para fixar o conceito. Enquanto o DPP cursa com dor abdominal importante e sangramento escuro, a placenta prévia caracteriza-se por sangramento vaginal vermelho vivo e indolor, geralmente sem repercussão hemodinâmica. Essa diferença é um dos pontos mais cobrados em provas de ginecologia e obstetrícia, pois a banca frequentemente inverte as características dos dois quadros.
A pegadinha desta questão está justamente na palavra "mais frequente". O candidato que associa DPP imediatamente a sangramento vaginal — por ser o sinal mais dramático e mais citado — acaba marcando a alternativa B. No entanto, a literatura é clara: a dor abdominal é o sintoma mais frequente, presente em quase todos os casos, enquanto o sangramento vaginal ocorre em cerca de 70% das pacientes. Guarde essa proporção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
DPP — sintoma mais frequente: Dor abdominal (quase 100%); Sangramento vaginal (~70%); Hipertonia uterina; Padrão cardíaco fetal não reativo (repercussão fetal)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dor abdominal é o sintoma mais frequente no DPP. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal aguda e lancinante, hipertonia uterina e sangramento vaginal escuro. A dor está presente na grande maioria dos casos, sendo o sintoma mais prevalente, enquanto o sangramento ocorre em cerca de 70% das pacientes. A alternativa está correta ao apontar a dor abdominal como o sintoma/sinal mais frequente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sangramento vaginal é um sinal clássico do DPP, mas não é o mais frequente. Apenas cerca de 70% das pacientes apresentam sangramento vaginal, o que o torna menos prevalente que a dor abdominal. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato associa DPP a sangramento por ser o sinal mais conhecido, mas a frequência é menor que a da dor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As contrações uterinas prematuras podem estar presentes no DPP, mas não são o sintoma mais frequente. O quadro clássico é de hipertonia uterina (contração mantida, sem relaxamento), e não de contrações rítmicas e intermitentes como no trabalho de parto prematuro. A alternativa confunde o padrão contrátil do DPP com o do trabalho de parto prematuro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertonia uterina é um sinal clássico e importante do DPP, mas não é o sintoma mais frequente. Ela está presente em muitos casos, porém a dor abdominal é o sintoma mais prevalente. A hipertonia é um sinal ao exame físico, enquanto a dor é o sintoma referido pela paciente — e é a dor que lidera em frequência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O padrão cardíaco fetal não reativo é uma consequência do DPP, decorrente da hipóxia fetal pela perda de superfície de troca placentária. No entanto, é uma manifestação fetal, não um sintoma ou sinal materno, e não é o achado mais frequente. A alternativa confunde a repercussão fetal com o sintoma materno mais comum.
Gabarito: letra A — a dor abdominal é o sintoma mais frequente no descolamento prematuro de placenta, presente na grande maioria dos casos, enquanto o sangramento vaginal ocorre em cerca de 70% das pacientes.