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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg179174
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
São perfis hormonais encontrados no climatério pós-menopáusico:I. FSH elevado.II. Testosterona diminuída.III. Inibina B diminuída.IV. Estrona elevada.Quais estão corretos?
  1. AApenas III.
  2. BApenas I e IV.
  3. CApenas II e IV.
  4. DApenas I, II e III.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Perfil hormonal no climatério pós-menopáusico

Gabarito: letra D — estão corretos os itens I, II e III. Na pós-menopausa, o FSH encontra-se elevado, a testosterona e a inibina B estão diminuídas; a estrona, embora seja o principal estrogênio circulante nesse período, também está reduzida em valores absolutos, o que torna o item IV incorreto. Essa é a fisiologia clássica da transição menopausal, descrita nos tratados de ginecologia.

O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, marcado por uma série de alterações hormonais progressivas. A menopausa, definida como a interrupção permanente da menstruação por 12 meses consecutivos, representa o marco central desse processo. O que está por trás de todas essas mudanças é o esgotamento da reserva folicular ovariana: com a depleção dos oócitos, os folículos restantes tornam-se progressivamente menos responsivos às gonadotrofinas hipofisárias.

O ovário, ao perder seus folículos, deixa de produzir em quantidade adequada os hormônios que antes mantinham o ciclo menstrual. A inibina B, produzida pelas células da granulosa dos folículos em desenvolvimento, cai precocemente — é uma das primeiras alterações detectáveis. Como a inibina B tem a função de suprimir a secreção hipofisária do FSH, sua queda leva a um aumento compensatório do FSH, que se eleva de forma marcante na pós-menopausa. O LH também se eleva, embora em menor magnitude. O estradiol, produzido quase exclusivamente pelos folículos ovarianos em desenvolvimento, cai drasticamente.

Quanto aos androgênios, o ovário pós-menopáusico e a glândula suprarrenal continuam produzindo androstenediona e testosterona, mas em quantidades absolutas reduzidas em relação à fase reprodutiva. Fala-se em "excesso relativo" de androgênios porque, com a queda muito mais acentuada do estradiol, a relação estrogênio/androgênio se altera — mas os valores absolutos de testosterona estão, sim, diminuídos.

A estrona merece atenção especial, pois é o principal estrogênio circulante na mulher pós-menopáusica. Ela é produzida pela aromatização periférica da androstenediona no tecido adiposo. No entanto, é fundamental distinguir: ser o estrogênio predominante não significa estar elevado. Em valores absolutos, a estrona também está diminuída em relação à fase reprodutiva — apenas se torna relativamente mais importante porque o estradiol caiu muito mais. Em mulheres obesas, a conversão periférica é maior, mas ainda assim os níveis não se elevam acima dos valores pré-menopáusicos.

A tabela abaixo resume as principais modificações hormonais do período pós-menopáusico, que é exatamente o conteúdo cobrado na questão:

Hormônio

Modificação na pós-menopausa

Estradiol

↓ Diminuído

Estrona

↓ Diminuído (principal estrogênio circulante, mas em valores absolutos reduzidos)

FSH

↑ Elevado

LH

↑ Elevado

Androstenediona

↓ Diminuída

Testosterona

↓ Diminuída

Inibina B

↓ Diminuída

A pegadinha central desta questão está no item IV: a banca explora a confusão entre "ser o principal estrogênio circulante" e "estar elevado". O candidato que sabe que a estrona é o estrogênio dominante na pós-menopausa pode ser levado a marcar o item como correto, mas a fisiologia mostra que ela também está reduzida em valores absolutos. Guarde essa distinção: predominância relativa ≠ elevação absoluta.

Perfil hormonal pós-menopausa
  • 1↑ Elevados
    • FSH
    • LH
  • 2↓ Diminuídos
    • Estradiol
    • Estrona (principal estrogênio, mas ↓)
    • Testosterona
    • Androstenediona
    • Inibina B
LEVEL · soulevel.com.br

Item I — ✅ Correto

O FSH está elevado na pós-menopausa. Com a depleção folicular, a produção de inibina B e estradiol cai, e o hipotálamo-hipófise, sem o feedback negativo desses hormônios, aumenta a secreção de FSH (e também de LH). O FSH elevado é, inclusive, um dos critérios laboratoriais para confirmar o estado menopausal.

Item II — ✅ Correto

A testosterona está diminuída na pós-menopausa. Embora o ovário pós-menopausa e a suprarrenal continuem produzindo androgênios, os valores absolutos de testosterona e androstenediona encontram-se reduzidos em relação à fase reprodutiva. O que ocorre é um "excesso relativo" de androgênios, pela queda muito mais acentuada do estradiol.

Item III — ✅ Correto

A inibina B está diminuída. Produzida pelas células da granulosa dos folículos ovarianos, a inibina B cai à medida que a reserva folicular se esgota. Sua queda é uma das primeiras alterações hormonais do climatério e contribui diretamente para a elevação do FSH, já que a inibina B suprime a secreção hipofisária dessa gonadotrofina.

Item IV — ❌ Incorreto

A estrona não está elevada na pós-menopausa. Ela é o principal estrogênio circulante nesse período, por ser o produto da aromatização periférica da androstenediona no tecido adiposo, mas seus valores absolutos estão diminuídos em relação à fase reprodutiva. A banca troca o conceito de "predominância relativa" por "elevação absoluta" — armadilha clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "principal estrogênio circulante" e "níveis elevados". A estrona é o estrogênio dominante na pós-menopausa, mas isso não significa que esteja alta — ela também está reduzida em valores absolutos. Na prova, desconfie sempre que um item afirmar elevação de um hormônio que, na fisiologia, tende a cair com o envelhecimento ovariano.

Conclusão: Corretos os itens I, II e III → portanto, o gabarito é a letra D.

Gabarito: letra D

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