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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg179176
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Mulher, 38 anos, está em amenorreia há 5 meses. Descartada gestação, foi submetida ao teste do progestogênio, cujo resultado foi positivo. Considerando as hipóteses diagnósticas abaixo, qual NÃO é a causa da amenorreia secundária?
  1. ASíndrome dos ovários policísticos.
  2. BHiperprolactinemia.
  3. CInsuficiência ovariana precoce.
  4. DHipotireoidismo.
  5. ESíndrome de Cushing.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Insuficiência ovariana precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Amenorreia secundária: teste do progestogênio e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra C. A insuficiência ovariana precoce (IOP) é a alternativa que NÃO se encaixa como causa de amenorreia secundária com teste do progestogênio positivo, pois nessa condição há falência ovariana com hipoestrogenismo, o que torna o teste negativo (ausência de sangramento por deprivação). As demais alternativas (SOP, hiperprolactinemia, hipotireoidismo e síndrome de Cushing) cursam com estrogenização preservada e, portanto, teste do progestogênio positivo.

A amenorreia secundária é definida como a ausência de menstruação por 3 meses em mulheres com ciclos regulares ou por 6 meses em mulheres com ciclos irregulares, excluindo-se gravidez e lactação. O eixo reprodutivo (hipotálamo-hipófise-ovário-endométrio) pode ser afetado em diferentes níveis, e a investigação inicial busca identificar se o problema está na produção de estrogênio ou na resposta endometrial. O teste do progestogênio é uma ferramenta fundamental nessa avaliação: ele verifica indiretamente se a paciente está estrogenizada, ou seja, se o endométrio foi proliferado pelo estrogênio endógeno. Se a paciente tem produção estrogênica adequada, a administração de progestagênio por alguns dias seguida de sua retirada provoca sangramento por deprivação hormonal — o que caracteriza o teste positivo. Esse resultado indica que o eixo está funcionante até o nível ovariano e que a causa da amenorreia está em anovulação crônica (como na SOP), em distúrbios hipotalâmicos-hipofisários leves (como hiperprolactinemia ou hipotireoidismo) ou em causas extrínsecas que cursam com estrogenização preservada.

A classificação da OMS para as anovulações ajuda a entender o cenário: tipo 1 (hipogonadotrófica, com LH e FSH baixos), tipo 2 (normogonadotrófica, com FSH e LH normais) e tipo 3 (hipergonadotrófica, com LH e FSH elevados). O teste do progestogênio positivo é típico do tipo 2, em que os níveis de estrogênio e gonadotrofinas estão dentro da normalidade para a menacme, mas há alteração na pulsatilidade das gonadotrofinas levando à anovulação. Já na insuficiência ovariana precoce, o quadro é de tipo 3: os ovários não respondem mais ao estímulo das gonadotrofinas, há hipoestrogenismo e FSH elevado, e o teste do progestogênio será negativo — pois não há endométrio proliferado para sangrar. Por isso, a IOP é a alternativa que não se encaixa no cenário apresentado.

Na prática clínica, diante de uma mulher com amenorreia secundária e teste do progestogênio positivo, as hipóteses mais comuns são: síndrome dos ovários policísticos (causa mais frequente de amenorreia secundária, excluída a gestação), hiperprolactinemia (que pode ser fisiológica, medicamentosa, por hipotireoidismo ou por prolactinoma), hipotireoidismo (que cursa com hiperprolactinemia secundária e anovulação) e síndrome de Cushing (pelo excesso de glicocorticoides que inibe o eixo gonadotrófico). Todas essas condições mantêm produção estrogênica suficiente para proliferar o endométrio, o que explica o teste positivo. A insuficiência ovariana precoce, por sua vez, é caracterizada por falência ovariana antes dos 40 anos, com hipoestrogenismo, fogachos, ressecamento vaginal e FSH elevado — um cenário oposto ao do teste positivo.

A pegadinha desta questão está em associar o resultado do teste do progestogênio ao diagnóstico. O candidato que decora as causas de amenorreia secundária sem entender o mecanismo pode marcar qualquer uma das outras alternativas, mas a chave é perceber que o teste positivo exclui causas de hipoestrogenismo, como a insuficiência ovariana precoce. Guarde essa relação: teste do progestogênio positivo = endométrio estrogenizado = causa de anovulação crônica ou distúrbio leve do eixo; teste negativo = hipoestrogenismo (IOP, hipogonadismo hipogonadotrófico) ou obstrução do trato genital.

Teste do progestogênio
  • 1Positivo (endométrio estrogenizado)
    • Anovulação crônica
      • SOP
      • Hiperprolactinemia
      • Hipotireoidismo
      • Síndrome de Cushing
  • 2Negativo (hipoestrogenismo)
    • Insuficiência ovariana precoce
    • Hipogonadismo hipogonadotrófico
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Alternativa A — ✅ Correta (é causa de amenorreia secundária com teste positivo)

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a causa mais comum de amenorreia secundária, excluída a gestação. Caracteriza-se por anovulação crônica com estrogenização preservada — os ovários produzem estrogênio, mas não ovulam regularmente. O endométrio é proliferado pelo estrogênio acíclico, e o teste do progestogênio é positivo. Os critérios diagnósticos incluem hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, oligo/anovulação e ovários policísticos à ultrassonografia.

Alternativa B — ✅ Correta (é causa de amenorreia secundária com teste positivo)

A hiperprolactinemia é uma causa clássica de amenorreia secundária. A prolactina elevada inibe a pulsatilidade do GnRH, levando à anovulação, mas a produção estrogênica ovariana pode ser mantida em níveis suficientes para proliferar o endométrio. O teste do progestogênio costuma ser positivo. As causas incluem prolactinomas, uso de medicamentos (neurolépticos, metoclopramida), hipotireoidismo e causas fisiológicas (gestação, lactação, estresse).

Alternativa C — ❌ Incorreta (NÃO é causa de amenorreia secundária com teste positivo) ⟵ GABARITO

A insuficiência ovariana precoce (IOP) é caracterizada por falência ovariana antes dos 40 anos, com hipoestrogenismo e FSH elevado (tipo 3 da OMS). Nessa condição, o endométrio não é proliferado pelo estrogênio, e o teste do progestogênio é NEGATIVO — não há sangramento por deprivação. Os sintomas incluem fogachos, ressecamento vaginal e diminuição da libido. Portanto, a IOP não se encaixa no cenário de teste do progestogênio positivo, sendo a alternativa que a questão pede para assinalar.

Alternativa D — ✅ Correta (é causa de amenorreia secundária com teste positivo)

O hipotireoidismo pode causar amenorreia secundária por mecanismos múltiplos: aumento do TRH, que estimula a prolactina (hiperprolactinemia secundária), e alteração na pulsatilidade do GnRH. Apesar da anovulação, a estrogenização costuma ser preservada, e o teste do progestogênio é positivo. O TSH elevado é um dos exames iniciais na investigação da amenorreia.

Alternativa E — ✅ Correta (é causa de amenorreia secundária com teste positivo)

A síndrome de Cushing, pelo excesso de glicocorticoides, inibe o eixo gonadotrófico na hipófise e no hipotálamo, levando à anovulação e amenorreia. No entanto, a produção estrogênica ovariana pode ser mantida, e o teste do progestogênio tende a ser positivo. O hipercortisolismo também pode cursar com hiperandrogenismo, contribuindo para o quadro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação entre o resultado do teste do progestogênio e a fisiopatologia da amenorreia. O candidato que decora as causas sem entender o mecanismo pode marcar a insuficiência ovariana precoce como causa comum, mas ela é justamente a exceção: o teste positivo indica endométrio estrogenizado, o que exclui a IOP (hipoestrogenismo). Lembre-se: teste positivo = anovulação crônica com estrogênio presente; teste negativo = falência ovariana ou hipogonadismo hipogonadotrófico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de amenorreia, monte um fluxo mental: 1) exclua gravidez; 2) dosar prolactina e TSH; 3) teste do progestogênio. Se positivo, pense em SOP, hiperprolactinemia, hipotireoidismo, síndrome de Cushing ou amenorreia hipotalâmica leve. Se negativo, pense em insuficiência ovariana (FSH elevado) ou hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH baixo). Essa sequência cobre a maioria das questões de ginecologia sobre o tema.

Gabarito: letra C — a insuficiência ovariana precoce é a única alternativa que NÃO é causa de amenorreia secundária com teste do progestogênio positivo.

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