Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
qg179177
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Considerando as causas de amenorreia secundária apresentadas a seguir, qual delas habitualmente cursa com prolactina sérica acima de 100 ng/mL?
AEstresse.
BGestação.
CHiperprolactinemia idiopática.
DUso de antidepressivo.
EHipotireoidismo primário.
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GabaritoB — Gestação.
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Amenorreia secundária e hiperprolactinemia
Gabarito: letra B. A gestação é a causa fisiológica de amenorreia secundária que habitualmente cursa com prolactina sérica acima de 100 ng/mL, pois os níveis de prolactina aumentam progressivamente durante a gravidez, podendo ultrapassar esse valor. As demais causas (estresse, hiperprolactinemia idiopática, uso de antidepressivos e hipotireoidismo primário) geralmente cursam com elevações mais discretas, frequentemente abaixo desse limiar.
A prolactina (PRL) é um hormônio produzido pelos lactotrofos da hipófise anterior, cuja principal função é estimular a lactação. Seu controle é predominantemente inibitório: a dopamina hipotalâmica suprime sua secreção. Quando há queda da dopamina ou estímulo direto aos lactotrofos, a PRL aumenta. Na mulher, a hiperprolactinemia manifesta-se com distúrbios menstruais (desde oligomenorreia até amenorreia), galactorreia e infertilidade, por inibição do eixo gonadotrófico.
A gravidez é uma causa fisiológica de hiperprolactinemia. Durante a gestação, os níveis de PRL elevam-se progressivamente, podendo atingir valores de 200 a 400 ng/mL no termo. Isso ocorre porque o estrogênio placentário estimula a proliferação dos lactotrofos e a síntese de PRL. Portanto, é a alternativa que melhor se encaixa no critério de prolactina acima de 100 ng/mL.
As demais causas de hiperprolactinemia, embora possam elevar a PRL, geralmente o fazem de forma mais discreta. O estresse, por exemplo, causa elevação leve e transitória. A hiperprolactinemia idiopática, por definição, não tem causa identificável e costuma cursar com níveis moderados. Os antidepressivos (especialmente tricíclicos e inibidores da MAO) podem elevar a PRL, mas raramente ultrapassam 100 ng/mL. No hipotireoidismo primário, o aumento do TRH estimula a síntese de PRL, porém os níveis costumam ser mais baixos.
A banca explora a distinção entre as causas que elevam a prolactina de forma leve/moderada e aquelas que a elevam de forma acentuada. O conhecimento dos valores típicos de PRL em cada condição é o critério decisivo para separar as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O estresse é uma causa fisiológica de hiperprolactinemia, mas a elevação é leve e transitória, raramente ultrapassando 100 ng/mL. A PRL aumenta em resposta ao estresse físico ou emocional, porém os níveis costumam ser discretos, não atingindo o patamar citado no enunciado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gestação é a causa fisiológica de hiperprolactinemia que cursa com os maiores níveis de PRL. Durante a gravidez, os níveis de prolactina aumentam progressivamente, podendo ultrapassar 100 ng/mL e chegar a 200–400 ng/mL no termo. O estrogênio placentário estimula a proliferação dos lactotrofos e a síntese de PRL, justificando a elevação acentuada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hiperprolactinemia idiopática é um diagnóstico de exclusão, quando não se identifica causa fisiológica, farmacológica ou patológica. Os níveis de PRL costumam ser moderados, geralmente abaixo de 100 ng/mL, embora possam variar. Não é a causa que habitualmente ultrapassa esse valor.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de antidepressivos, especialmente tricíclicos e inibidores da MAO, pode causar hiperprolactinemia por mecanismos farmacológicos. No entanto, a elevação da PRL é geralmente leve a moderada, raramente ultrapassando 100 ng/mL. Alguns fármacos, como metoclopramida e risperidona, podem elevar a PRL para mais de 200 ng/mL, mas não é o caso típico dos antidepressivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No hipotireoidismo primário, o aumento do TRH estimula a síntese de PRL, podendo causar hiperprolactinemia. Contudo, os níveis de PRL costumam ser discretos a moderados, geralmente abaixo de 100 ng/mL. A elevação acentuada é mais característica de prolactinomas ou da gestação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se o candidato conhece a magnitude da elevação da PRL em cada causa. Muitos associam hiperprolactinemia a prolactinoma e esquecem que a gestação é a causa fisiológica com os maiores níveis. Lembre-se: na gravidez, a PRL pode ultrapassar 100 ng/mL e chegar a 200–400 ng/mL no termo.