Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — FUNDATEC 2024
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
qg179183
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
O canal arterial é uma importante e indispensável conexão vascular entre o(a) __________ que, durante a vida fetal, desvia sangue do leito vascular pulmonar para a circulação sistêmica. Após o nascimento, ocorre _______ da prostaglandina E2, propiciando o fechamento funcional desse canal.Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
Aveia pulmonar e a artéria aorta – aumento
Bramo esquerdo da artéria pulmonar e a aorta descendente – diminuição
Cátrio direito e o átrio esquerdo – diminuição
Dventrículo direito e o ventrículo esquerdo – aumento
Ecarótida comum e a aorta ascendente – diminuição
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GabaritoB — ramo esquerdo da artéria pulmonar e a aorta descendente – diminuição
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Canal arterial: anatomia e fisiologia do fechamento pós-natal
Gabarito: letra B. O canal arterial conecta o ramo esquerdo da artéria pulmonar à aorta descendente, e seu fechamento funcional após o nascimento é propiciado pela diminuição da prostaglandina E2. A alternativa B é a única que preenche corretamente as duas lacunas, combinando a anatomia exata do vaso com o mecanismo fisiológico do seu fechamento.
O canal arterial é um vaso fetal essencial que estabelece uma comunicação entre a circulação pulmonar e a sistêmica. Durante a vida intrauterina, os pulmões não realizam trocas gasosas — o oxigênio vem da placenta —, e a resistência vascular pulmonar é elevada. Nesse contexto, o canal arterial funciona como um "desvio" (shunt) que direciona o sangue do tronco pulmonar para a aorta, evitando que ele passe pelos pulmões não funcionantes. Anatomicamente, ele conecta o ramo esquerdo da artéria pulmonar à aorta descendente, logo após o arco aórtico. Essa localização é precisa: o canal nasce da bifurcação do tronco pulmonar, mais especificamente do ramo esquerdo, e desemboca na aorta descendente, distal à origem da artéria subclávia esquerda.
O fechamento do canal ocorre em duas etapas. O fechamento funcional acontece nas primeiras 15 a 24 horas de vida, quando o aumento da pressão parcial de oxigênio no sangue (decorrente do início da respiração) estimula a vasoconstrição da musculatura lisa do canal. Paralelamente, há uma queda abrupta nos níveis de prostaglandina E2 — um potente vasodilatador que mantinha o canal aberto durante a gestação. A placenta é a principal fonte de prostaglandina E2 no feto; com o clampeamento do cordão umbilical, essa fonte é removida, e a degradação pulmonar da prostaglandina aumenta, resultando em sua diminuição circulante. Esse duplo mecanismo — aumento da oxigenação e queda da prostaglandina E2 — promove o fechamento funcional. O fechamento anatômico definitivo, com fibrose e obliteração do lúmen, ocorre nas semanas seguintes, transformando o canal no ligamento arterial.
A compreensão desse mecanismo tem implicações clínicas diretas. Na persistência do canal arterial (PCA), o vaso não se fecha, mantendo um shunt da aorta para a artéria pulmonar (já que, após o nascimento, a pressão aórtica supera a pulmonar). Isso gera o clássico sopro contínuo "em maquinaria". O tratamento farmacológico da PCA em recém-nascidos utiliza inibidores da síntese de prostaglandinas (como indometacina ou ibuprofeno), justamente para mimetizar a queda fisiológica da prostaglandina E2 e induzir o fechamento. Por outro lado, em cardiopatias congênitas cianóticas que dependem do canal para manter o fluxo pulmonar (como na atresia pulmonar), utiliza-se a infusão de prostaglandina E1 para manter o canal aberto até a correção cirúrgica. Essa dualidade terapêutica reforça o papel central da prostaglandina na regulação do canal arterial.
A banca explora dois pontos de confusão clássicos. O primeiro é a anatomia exata do canal: muitos candidatos confundem com outras estruturas fetais, como o forame oval (que conecta os átrios) ou o ducto venoso (que conecta a veia umbilical à veia cava inferior). O segundo é a direção da variação da prostaglandina: como ela é um vasodilatador, sua diminuição é que permite a vasoconstrição e o fechamento — não o aumento. Guarde essa lógica: vasodilatador mantém aberto → para fechar, precisa diminuir.
Canal arterial: Anatomia (Ramo esquerdo da artéria pulmonar, Aorta descendente); Vida fetal (Desvia sangue do leito pulmonar, Shunt para circulação sistêmica); Fechamento funcional (15-24h) (Aumento da PaO2 → vasoconstrição, Diminuição da prostaglandina E2); Fechamento anatômico (Fibrose → ligamento arterial); Persistência (PCA) (Sopro em maquinaria, Tratamento: inibidores de prostaglandina)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra na anatomia ao citar "veia pulmonar e artéria aorta". O canal arterial não se conecta à veia pulmonar — essa é uma estrutura que leva sangue oxigenado dos pulmões ao átrio esquerdo, sem relação com o desvio fetal. Além disso, o termo "artéria aorta" é genérico; o correto é especificar a aorta descendente. Também erra na fisiologia ao afirmar "aumento" da prostaglandina E2 — o aumento manteria o canal aberto, impedindo o fechamento.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Preenche corretamente as duas lacunas. Anatomicamente, o canal arterial conecta o ramo esquerdo da artéria pulmonar à aorta descendente. Fisiologicamente, o fechamento funcional é propiciado pela diminuição da prostaglandina E2, que remove o estímulo vasodilatador e permite a vasoconstrição do canal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra na anatomia ao citar "átrio direito e átrio esquerdo". Essa conexão corresponde ao forame oval, outra estrutura fetal que desvia sangue entre os átrios, não ao canal arterial. O forame oval também se fecha após o nascimento, mas por mecanismo diferente (aumento da pressão no átrio esquerdo). A segunda lacuna está correta ("diminuição"), mas o erro anatômico invalida a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra na anatomia ao citar "ventrículo direito e ventrículo esquerdo". Não existe conexão direta entre os ventrículos na vida fetal — essa comunicação ocorre apenas em cardiopatias congênitas como a comunicação interventricular (CIV), que é patológica. O canal arterial conecta vasos (artéria pulmonar e aorta), não câmaras cardíacas. A segunda lacuna também erra ao afirmar "aumento" da prostaglandina E2.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra na anatomia ao citar "carótida comum e aorta ascendente". O canal arterial não se conecta à carótida comum — essa é uma artéria do pescoço que irriga a cabeça. A conexão correta é com a aorta descendente, não a ascendente. A segunda lacuna está correta ("diminuição"), mas o erro anatômico invalida a alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a anatomia do canal arterial por outras estruturas fetais (forame oval, ducto venoso) e inverte a direção da variação da prostaglandina. O candidato que decora "canal arterial = conexão entre artéria pulmonar e aorta" sem especificar o ramo e o segmento exatos, ou que raciocina "prostaglandina é vasodilatadora, então aumenta para fechar", cai nas alternativas A, C ou D. A chave é lembrar: vasodilatador mantém aberto → para fechar, diminui.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a anatomia, compare as três comunicações fetais: o canal arterial (ramo esquerdo da artéria pulmonar → aorta descendente), o forame oval (átrio direito → átrio esquerdo) e o ducto venoso (veia umbilical → veia cava inferior). Na prova, identifique primeiro qual estrutura a alternativa descreve — se conecta vasos, é o canal arterial; se conecta átrios, é o forame oval. Depois, verifique a direção da prostaglandina: fechamento exige diminuição.