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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg179186
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Maria, 5 anos, chega acompanhada da sua mãe à emergência do hospital com quadro de diarreia há 3 dias. Pais referem episódios de fezes líquidas, sem a presença de sangue ou muco. Apresentou cerca de cinco a seis episódios nas últimas 24 horas. Não há relato de febre ou vômitos, e a aceitação da dieta está normal. Sinais vitais na chegada: Sat – 97%, Tax – 37°C, frequência respiratória – 39 rpm e frequência cardíaca – 85 bpm. Ao exame físico: aspecto geral bom, mucosas úmidas e coradas. Tempo de enchimento capilar <2 segundos. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome depressível, globoso, ruídos hidroaéreos presentes e aumentados, e dor leve à palpação. A melhor conduta nesse caso é:
  1. AInternação hospitalar, coleta de exames e hidratação rápida.
  2. BInternação hospitalar, estimular a hidratação oral e coletar exames.
  3. CAlta para domicílio, orientando a tomar líquidos caseiros (água de arroz, soro caseiro, chá, suco e sopas) ou solução de reidratação oral (SRO) após cada evacuação diarreica.
  4. DAlta hospitalar com receita de analgésicos e antieméticos.
  5. EManter em observação hospitalar até visualizar o aspecto das fezes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Alta para domicílio, orientando a tomar líquidos caseiros (água de arroz, soro caseiro, chá, suco e sopas) ou solução de reidratação oral (SRO) após cada evacuação diarreica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diarreia aguda na infância: plano A de tratamento

Gabarito: letra C. Maria apresenta diarreia aquosa aguda, sem sinais de desidratação, com bom estado geral e aceitação alimentar normal — quadro que se enquadra no Plano A da estratégia AIDPI do Ministério da Saúde, cuja conduta é o tratamento domiciliar com líquidos caseiros ou solução de reidratação oral (SRO) após cada evacuação. A alternativa C espelha exatamente essa conduta.

A doença diarreica aguda (DDA) é definida como a diminuição da consistência das fezes, com evacuações amolecidas ou líquidas e/ou aumento da frequência para 3 ou mais evacuações em 24 horas. No caso de Maria, há 5 a 6 episódios nas últimas 24 horas, fezes líquidas, sem sangue ou muco — o que caracteriza uma diarreia aquosa aguda, tipicamente de etiologia viral, autolimitada e com duração de 2 a 14 dias.

O ponto central do manejo é a avaliação do estado de hidratação, que define o plano terapêutico. A criança não apresenta nenhum sinal de desidratação: mucosas úmidas e coradas, tempo de enchimento capilar < 2 segundos, aspecto geral bom, sem vômitos e com aceitação da dieta normal. Os sinais vitais estão dentro da normalidade para a idade (Sat 97%, Tax 37°C, FR 39 rpm, FC 85 bpm). Portanto, o caso se enquadra no Plano A — tratamento domiciliar.

O Plano A consiste em: (1) aumentar a ingestão de líquidos caseiros (água de arroz, soro caseiro, chá, suco, sopas) ou SRO após cada evacuação diarreica; (2) manter a alimentação habitual; (3) orientar os pais a retornar ao serviço de saúde se surgirem sinais de alarme (sangue nas fezes, vômitos repetidos, sede intensa, diminuição da diurese, prostração). Não há indicação de internação, exames complementares ou medicações sintomáticas — a base do tratamento é a prevenção da desidratação.

A distinção que importa é entre os três planos da AIDPI: Plano A (sem desidratação → domiciliar), Plano B (com desidratação → SRO na unidade de saúde) e Plano C (desidratação grave → hidratação venosa). A banca explora exatamente essa fronteira: a criança com diarreia, mas sem sinais de desidratação, não deve ser internada nem receber hidratação rápida — o tratamento é ambulatorial. Guarde o critério decisivo: a presença ou ausência de sinais de desidratação é o que separa o Plano A dos Planos B e C.

Diarreia aguda (AIDPI)
  • 1Avaliar hidratação
    • Sem desidratação
      • Plano A: domiciliar
    • Com desidratação
      • Plano B: SRO na unidade
    • Desidratação grave
      • Plano C: hidratação venosa
  • 2Plano A (conduta)
    • Líquidos caseiros ou SRO após cada evacuação
    • Manter alimentação habitual
    • Orientar retorno se sinais de alarme
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A internação hospitalar com coleta de exames e hidratação rápida é conduta para os Planos B e C, ou seja, para crianças com desidratação ou desidratação grave. Maria não apresenta nenhum sinal de desidratação (mucosas úmidas, TEC < 2s, bom estado geral), portanto não há indicação de internação nem de hidratação venosa rápida. A alternativa erra ao superestimar a gravidade do quadro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora a hidratação oral seja parte do tratamento, a internação hospitalar não está indicada no Plano A. A criança sem sinais de desidratação deve ser tratada em domicílio, com orientações à família. A coleta de exames também não é rotina na diarreia aguda sem sinais de alarme. A alternativa erra ao indicar internação para um caso que pode ser manejado ambulatorialmente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta exata do Plano A da AIDPI: alta para domicílio com orientação de aumentar a ingestão de líquidos caseiros (água de arroz, soro caseiro, chá, suco, sopas) ou SRO após cada evacuação diarreica. A criança não tem sinais de desidratação, está com bom estado geral e aceitação alimentar normal — portanto, o tratamento domiciliar é suficiente e adequado. A alternativa espelha fielmente a recomendação do Ministério da Saúde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prescrição de analgésicos e antieméticos não faz parte do manejo da diarreia aguda na infância. A criança não apresenta febre nem vômitos, e o uso de antieméticos não é recomendado rotineiramente em crianças com DDA. Além disso, a alternativa omite a conduta fundamental: a reidratação oral. O tratamento correto é a reposição de líquidos, não a medicação sintomática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter a criança em observação hospitalar até visualizar o aspecto das fezes é conduta desnecessária e sem fundamento científico. O aspecto das fezes já foi descrito pela mãe (líquidas, sem sangue ou muco) e não há indicação de observação hospitalar em criança sem sinais de desidratação. A conduta correta é a alta com orientações de hidratação oral domiciliar.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique o plano de tratamento pela presença de sinais de desidratação. Monte o raciocínio em três passos: (1) a criança tem diarreia? (2) tem sinais de desidratação? (3) se não tem, é Plano A — domiciliar. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre DDA.

Gabarito: letra C

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