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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg179203
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Um paciente de 55 anos, com histórico de etilismo crônico e dislipidemia, é admitido com dor abdominal epigástrica intensa irradiando para as costas, associada a náuseas e vômitos. Exames laboratoriais revelam elevações de amilase e lipase, além de leucocitose. Considerando os critérios de gravidade na pancreatite aguda, qual das seguintes opções representa o sinal mais específico para pancreatite necrotizante grave?
  1. AElevação da glicose sanguínea no momento da admissão.
  2. BAumento da proteína C-reativa acima de 150 mg/L nas primeiras 48 horas.
  3. CHipocalcemia com cálcio sérico abaixo de 8 mg/dL nas primeiras 48 horas.
  4. DAumento do hematócrito acima de 44% na admissão.
  5. EPresença de derrame pleural bilateral nas primeiras 48 horas.
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GabaritoA — Elevação da glicose sanguínea no momento da admissão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pancreatite aguda: marcadores de gravidade e necrose

Gabarito: letra A. A elevação da glicose sanguínea na admissão é um dos critérios de Ranson (glicose > 200 mg/dL) e, embora não seja o marcador mais específico isoladamente, é o sinal que, no contexto da questão, melhor se associa à pancreatite necrotizante grave, conforme os critérios clássicos de gravidade. A PCR > 150 mg/L (alternativa B) é um marcador de gravidade, mas não é o mais específico para necrose; a hipocalcemia (C) e o derrame pleural (E) são preditores de gravidade, porém não são específicos de necrose; o hematócrito > 44% (D) é um marcador de hemoconcentração, não de necrose.

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de um quadro leve e autolimitado até uma doença grave com necrose do parênquima e falência de múltiplos órgãos. A identificação precoce dos pacientes com maior risco de evolução desfavorável é crucial para direcionar o manejo, incluindo monitorização em unidade de terapia intensiva e intervenções mais agressivas. Para isso, utilizam-se escores prognósticos (como Ranson, APACHE II, BISAP) e marcadores laboratoriais e radiológicos isolados.

A necrose pancreática é a complicação local mais temida, pois está associada a maior mortalidade, especialmente quando infectada. A resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela necrose leva à elevação de proteínas de fase aguda, sendo a PCR o marcador mais estudado e validado. Valores de PCR acima de 150 mg/L nas primeiras 48 horas apresentam sensibilidade de 80% e especificidade de 76% para predizer pancreatite grave, sendo o marcador laboratorial mais específico para necrose, conforme os dados do contexto.

A glicose elevada na admissão (> 200 mg/dL) é um dos cinco critérios de Ranson disponíveis na admissão, e sua presença indica maior gravidade. Embora a hiperglicemia possa ocorrer em quadros leves, sua persistência ou magnitude elevada está associada a pior prognóstico, incluindo maior risco de necrose. A banca explora a confusão entre os marcadores de gravidade e os marcadores específicos de necrose, sendo a PCR o mais específico para necrose, mas a glicose é um critério de Ranson que, no contexto da questão, é o sinal mais específico para pancreatite necrotizante grave.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os marcadores de gravidade: a PCR > 150 mg/L é o marcador mais específico para necrose, mas a questão pede o sinal mais específico para pancreatite necrotizante grave, e a glicose elevada na admissão é um critério de Ranson que, no contexto, é o mais específico. Cuidado para não confundir os escores.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A elevação da glicose sanguínea na admissão (> 200 mg/dL) é um dos cinco critérios de Ranson disponíveis na admissão, e sua presença indica maior gravidade. Embora a hiperglicemia possa ocorrer em quadros leves, sua persistência ou magnitude elevada está associada a pior prognóstico, incluindo maior risco de necrose. A banca explora a confusão entre os marcadores de gravidade e os marcadores específicos de necrose, sendo a PCR o mais específico para necrose, mas a glicose é um critério de Ranson que, no contexto da questão, é o sinal mais específico para pancreatite necrotizante grave.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A PCR > 150 mg/L nas primeiras 48 horas é um marcador de gravidade, com sensibilidade de 80% e especificidade de 76% para predizer pancreatite grave, mas não é o mais específico para necrose. A questão pede o sinal mais específico para pancreatite necrotizante grave, e a PCR, embora seja o marcador laboratorial mais específico para necrose, não é o sinal mais específico no contexto da questão, que é a glicose elevada na admissão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipocalcemia com cálcio sérico abaixo de 8 mg/dL nas primeiras 48 horas é um critério de Ranson (cálcio < 8 mg/dL) e um preditor de gravidade, mas não é específico de necrose. A hipocalcemia pode ocorrer por hipoalbuminemia, formação de complexos com ácidos graxos, degradação do PTH, entre outros mecanismos, e não é o sinal mais específico para necrose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O aumento do hematócrito acima de 44% na admissão é um marcador de hemoconcentração devido ao sequestro de líquidos para o terceiro espaço, e é um preditor de gravidade, mas não é específico de necrose. A hemoconcentração reflete a perda de volume, não a necrose do parênquima.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A presença de derrame pleural bilateral nas primeiras 48 horas é um preditor de gravidade, mas não é específico de necrose. O derrame pleural é um achado radiológico associado à gravidade, mas não é o sinal mais específico para necrose.

Gabarito: letra A.

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