Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg179209
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Um paciente de 45 anos, com histórico de valvulopatia mitral, apresenta febre persistente, calafrios, sudorese noturna e perda de peso. O exame físico revela um sopro cardíaco e petéquias em extremidades. A hemocultura é positiva para Streptococcus viridans. Considerando o caso apresentado, qual dos achados abaixo é considerado o mais específico para o diagnóstico de endocardite infecciosa?
  1. ASopro cardíaco novo ou exacerbado.
  2. BHemoculturas persistentes positivas para o mesmo microrganismo.
  3. CEsplenomegalia.
  4. DFenômenos embólicos periféricos (manchas de Janeway).
  5. EPresença de fator reumatoide elevado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Hemoculturas persistentes positivas para o mesmo microrganismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endocardite Infecciosa: Critérios de Duke e Especificidade Diagnóstica

Gabarito: letra B. A alternativa mais específica para o diagnóstico de endocardite infecciosa (EI) é a presença de hemoculturas persistentemente positivas para o mesmo microrganismo, pois isso configura um critério maior nos Critérios de Duke. Os demais achados listados — sopro novo, esplenomegalia, manchas de Janeway e fator reumatoide elevado — são, respectivamente, um critério maior (mas menos específico que a hemocultura), um sinal inespecífico, um critério menor e um critério menor, não sendo tão específicos quanto a bacteremia persistente.

A endocardite infecciosa é uma infecção do endotélio cardiovascular, geralmente valvar, que se desenvolve em pacientes com valvulopatia prévia (como a mitral do caso) ou próteses valvares. O diagnóstico é clínico e baseia-se nos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. Esses critérios são divididos em maiores e menores, e o diagnóstico definitivo exige a combinação de 2 critérios maiores, ou 1 maior + 3 menores, ou 5 menores.

O que torna a hemocultura positiva um critério tão forte é a sua especificidade: quando o mesmo microrganismo (no caso, Streptococcus viridans, um dos agentes típicos) é isolado de forma persistente em múltiplas amostras, a probabilidade de EI é altíssima. Isso porque a bacteremia contínua reflete a multiplicação ativa do patógeno na vegetação valvar, um fenômeno praticamente exclusivo da EI. Os critérios maiores de Duke para hemocultura exigem: (1) microrganismos típicos em 2 hemoculturas distintas, ou (2) hemocultura persistentemente positiva (2 ou mais culturas positivas com intervalo > 12 horas, ou a maioria de 4 ou mais culturas separadas).

Para entender a hierarquia dos achados, é essencial distinguir o que é critério maior do que é critério menor. O sopro cardíaco novo, embora seja um critério maior (evidência de envolvimento endocárdico), é menos específico que a hemocultura, pois pode ocorrer em outras condições que cursam com regurgitação valvar aguda. Já a esplenomegalia, as manchas de Janeway e o fator reumatoide elevado são critérios menores, ou seja, achados que apoiam o diagnóstico, mas que isoladamente não o definem. A especificidade é a chave: a hemocultura persistente positiva é o achado que, sozinho, mais se aproxima da confirmação diagnóstica.

Na prática clínica, o paciente com febre, sopro e hemocultura positiva para S. viridans já preenche 2 critérios maiores (hemocultura + evidência de envolvimento endocárdico), fechando o diagnóstico de EI definitiva. Os demais achados (petéquias, esplenomegalia, Janeway) são manifestações periféricas que reforçam a suspeita, mas não têm o mesmo peso diagnóstico. A banca explora exatamente essa hierarquia: o candidato que não domina os Critérios de Duke tende a escolher o sopro novo (por ser um critério maior) ou as manchas de Janeway (por serem chamativas), mas a hemocultura é o achado mais específico e decisivo.

Guarde a distinção entre critérios maiores e menores: é nela que as alternativas se dividem. A hemocultura persistente positiva é o critério maior mais específico; o sopro novo é um critério maior, mas menos específico; os demais são critérios menores ou sinais inespecíficos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O sopro cardíaco novo ou exacerbado é um critério maior dos Critérios de Duke (evidência de envolvimento endocárdico), mas não é o mais específico. Ele pode ocorrer em outras condições que cursam com regurgitação valvar aguda (ex.: dissecção de aorta, rotura de cordoalha), e sua presença isolada não confirma EI. A hemocultura positiva persistente é mais específica, pois reflete a bacteremia contínua característica da infecção valvar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Hemoculturas persistentemente positivas para o mesmo microrganismo é o achado mais específico para o diagnóstico de EI. Isso configura um critério maior nos Critérios de Duke, definido como: 2 ou mais hemoculturas positivas com intervalo > 12 horas, ou a maioria de 4 ou mais culturas separadas. No caso, o isolamento de Streptococcus viridans (microrganismo típico) em hemoculturas persistentes é altamente específico, pois a bacteremia contínua é uma marca da EI.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A esplenomegalia é um sinal clínico inespecífico, mais comum na EI subaguda de duração prolongada. Ela não faz parte dos critérios maiores nem menores dos Critérios de Duke (embora apareça em algumas versões como achado associado). Sua presença isolada não tem valor diagnóstico específico para EI, podendo ocorrer em diversas outras infecções e doenças hematológicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As manchas de Janeway são um critério menor dos Critérios de Duke, classificadas como fenômeno vascular. Embora sejam lesões características da EI (máculas eritematosas, não dolorosas, em palmas e plantas), sua especificidade é menor que a da hemocultura positiva persistente. Elas podem estar presentes em outras condições com embolização séptica, e sua ausência não exclui o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O fator reumatoide elevado é um critério menor dos Critérios de Duke, classificado como fenômeno imunológico. Sua positividade é inespecífica, ocorrendo em cerca de 50% dos pacientes com EI subaguda, mas também em diversas doenças autoimunes e inflamatórias. Não é um achado específico para EI, sendo apenas um dado coadjuvante no escore diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a hierarquia dos Critérios de Duke. O candidato tende a escolher o sopro novo (por ser critério maior) ou as manchas de Janeway (por serem lesões típicas), mas a hemocultura persistente positiva é o achado mais específico, pois reflete a bacteremia contínua, marca da EI. Lembre-se: critério maior ≠ mais específico; a hemocultura é o padrão-ouro microbiológico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de endocardite, memorize a hierarquia: hemocultura positiva persistente > sopro novo > critérios menores (Janeway, Osler, Roth, FR). Se a alternativa trouxer "hemoculturas persistentes positivas", ela quase sempre será a mais específica. Nos Critérios de Duke, 2 maiores (hemocultura + eco) fecham o diagnóstico definitivo.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg179209