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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2024

MedicinaUrologia
Código
qg179211
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Um homem de 52 anos apresenta dor perineal, disúria, febre e calafrios. No exame físico, a próstata está aumentada e dolorosa. A urocultura é positiva para Escherichia coli. Qual das alternativas abaixo apresenta a melhor escolha terapêutica inicial para esse caso de prostatite bacteriana aguda?
  1. ACeftriaxona intravenosa por 5 dias, seguida de terapia oral com doxiciclina.
  2. BCiprofloxacino oral por 4 a 6 semanas.
  3. CAmoxicilina+clavulanato por 5 dias.
  4. DNitrofurantoína por 7 dias.
  5. ETetraciclina oral por 2 semanas.
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GabaritoB — Ciprofloxacino oral por 4 a 6 semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prostatite bacteriana aguda: tratamento

Gabarito: letra B. Na prostatite bacteriana aguda, o tratamento de escolha é uma fluoroquinolona (como ciprofloxacino) por via oral, por 4 a 6 semanas, devido à excelente penetração desse antibiótico no tecido prostático. As demais alternativas apresentam esquemas inadequados, seja pela duração curta, pela via de administração ou pela classe do antibiótico.

A prostatite bacteriana aguda é uma infecção do parênquima prostático, geralmente causada por bactérias gram-negativas, com destaque para a Escherichia coli. O quadro clínico clássico é de início súbito, com febre, calafrios, dor perineal e sintomas urinários irritativos (disúria, polaciúria, urgência). No exame físico, a próstata encontra-se aumentada, edemaciada e extremamente dolorosa ao toque retal — procedimento que, aliás, deve ser evitado nessa fase, pelo risco de bacteremia.

O ponto central do tratamento é a escolha do antimicrobiano com boa penetração no tecido prostático. As fluoroquinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino, ofloxacino) são a classe de eleição, pois atingem concentrações elevadas na próstata, mesmo na vigência de inflamação. A duração do tratamento é prolongada — 4 a 6 semanas — justamente para erradicar a bactéria do tecido prostático e prevenir a cronificação da infecção. Sulfametoxazol-trimetoprima é alternativa, porém com penetração inferior e maior resistência bacteriana.

A duração prolongada é o ponto que mais diferencia a prostatite de outras infecções urinárias: enquanto uma cistite não complicada se trata em 3 a 7 dias, a prostatite exige semanas de antibiótico. Isso ocorre porque a próstata é um tecido de difícil penetração antimicrobiana, e a erradicação bacteriana completa demanda tempo. A via oral é preferível na prostatite aguda não complicada, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável e sem sinais de sepse grave; a via intravenosa fica reservada para casos mais graves ou com necessidade de internação.

A banca explora exatamente essa diferença: alternativas com duração curta (5 dias, 7 dias, 2 semanas) ou com antibióticos de espectro inadequado (nitrofurantoína, tetraciclina) são distratores. A nitrofurantoína, por exemplo, não atinge concentrações terapêuticas no tecido prostático, sendo inútil na prostatite. A amoxicilina-clavulanato, embora ativa contra E. coli, tem penetração prostática limitada e duração insuficiente. A ceftriaxona intravenosa é opção para casos graves, mas não por apenas 5 dias seguida de doxiciclina — esquema que não cobre adequadamente os patógenos uropatogênicos.

Guarde o tripé do tratamento da prostatite bacteriana aguda: fluoroquinolona + via oral + 4 a 6 semanas. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Fluoroquinolona (ciprofloxacino)
  2. 2Via oral
  3. 34 a 6 semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ceftriaxona intravenosa por 5 dias seguida de doxiciclina oral não é o esquema recomendado para prostatite bacteriana aguda. Embora a ceftriaxona seja ativa contra E. coli, a duração de 5 dias é insuficiente para erradicar a infecção do tecido prostático, e a doxiciclina não é a primeira escolha para uropatógenos gram-negativos. Esse esquema lembra mais o tratamento de orquiepididimite por IST em pacientes jovens (ceftriaxona + doxiciclina), não da prostatite aguda.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O ciprofloxacino oral por 4 a 6 semanas é o tratamento de escolha para prostatite bacteriana aguda. As fluoroquinolonas têm excelente penetração no tecido prostático, e a duração prolongada é necessária para erradicar a bactéria e prevenir cronificação. O ciprofloxacino é ativo contra E. coli, o agente mais comum, e a via oral é adequada para pacientes estáveis.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A amoxicilina-clavulanato por 5 dias é inadequada por dois motivos: a duração é curta demais para prostatite (que exige 4 a 6 semanas) e a penetração prostática desse antibiótico é limitada. Embora seja ativa contra E. coli, não é a classe de escolha para infecções do tecido prostático.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A nitrofurantoína é contraindicada na prostatite, pois não atinge concentrações terapêuticas no tecido prostático. Ela é útil apenas para cistite não complicada, atuando na urina, não no parênquima da próstata. Além disso, 7 dias de tratamento seriam insuficientes mesmo que o antibiótico fosse adequado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tetraciclina oral por 2 semanas não é o tratamento de escolha para prostatite bacteriana aguda. As tetraciclinas (como doxiciclina) são mais indicadas para prostatite por Chlamydia trachomatis ou outras ISTs, não para o quadro típico por E. coli. Além disso, a duração de 2 semanas é insuficiente para erradicar a infecção prostática.

Gabarito: letra B

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