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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2024

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg179214
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Anestesiologia
Durante o desenvolvimento da sepse, várias alterações imunológicas e vasculares ocorrem, levando a disfunção orgânica e hipotensão. Qual dos mecanismos abaixo é considerado um dos principais responsáveis pela vasodilatação periférica e queda da pressão arterial observada no choque séptico?
  1. AProdução excessiva de cortisol.
  2. BAumento da liberação de endotelina.
  3. CAtivação do sistema complemento.
  4. DExcesso de óxido nítrico (NO) devido à indução de óxido nítrico sintase (iNOS).
  5. EProdução excessiva de tromboxano A2.
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GabaritoD — Excesso de óxido nítrico (NO) devido à indução de óxido nítrico sintase (iNOS).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque séptico: o papel do óxido nítrico na vasodilatação

Gabarito: letra D. No choque séptico, a vasodilatação periférica e a queda da pressão arterial decorrem principalmente do excesso de óxido nítrico (NO), produzido em grandes quantidades pela isoforma induzível da enzima óxido nítrico sintase (iNOS), estimulada por citocinas pró-inflamatórias e endotoxinas. Esse é um dos mecanismos centrais da fisiopatologia do choque distributivo, conforme a literatura médica sobre sepse.

O choque séptico é o tipo mais comum de choque distributivo, caracterizado por vasodilatação periférica grave com queda da resistência vascular sistêmica. A sepse desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica desregulada, na qual mediadores pró-inflamatórios como TNF e IL-1 estimulam a expressão da iNOS nas células endoteliais e musculares lisas vasculares. A iNOS, diferentemente da óxido nítrico sintase constitutiva (eNOS/nNOS), produz quantidades muito maiores de NO de forma sustentada. O NO difunde-se para as células musculares lisas vasculares, ativa a guanilato ciclase solúvel e aumenta os níveis de GMPc, levando ao relaxamento da musculatura lisa e à vasodilatação. Esse mecanismo explica a hipotensão refratária à reposição volêmica, característica do choque séptico, e a necessidade frequente de vasopressores para manter a pressão arterial média acima de 65 mmHg.

Além da vasodilatação, o NO em excesso contribui para a disfunção miocárdica e para a falência circulatória, pois também inibe a contratilidade cardíaca. A compreensão desse mecanismo é essencial para o manejo clínico, pois justifica o uso de vasopressores como noradrenalina e vasopressina, que atuam promovendo vasoconstrição para contrabalançar o efeito do NO. A produção excessiva de NO também está associada à hiporreatividade vascular às catecolaminas, o que explica a necessidade de doses elevadas de vasopressores em alguns pacientes.

É importante distinguir o papel do NO no choque séptico de outros mediadores vasoativos. Enquanto o NO é o principal vasodilatador, a prostaciclina (PGI2) também contribui para a vasodilatação, mas em menor escala. Por outro lado, substâncias como endotelina e tromboxano A2 são vasoconstritores, e o cortisol tem papel anti-inflamatório e de manutenção do tônus vascular. A ativação do sistema complemento participa da resposta inflamatória, mas não é o mecanismo primário da vasodilatação periférica. A banca explora exatamente essa confusão entre mediadores vasodilatadores e vasoconstritores, e entre os diferentes mecanismos da resposta inflamatória.

Guarde a distinção central: no choque séptico, o que causa a vasodilatação é o excesso de óxido nítrico (via iNOS), e não a produção de vasoconstritores como endotelina ou tromboxano A2. É esse critério que separa a alternativa correta das demais.

Choque séptico (distributivo)
  • 1Vasodilatação periférica
    • Excesso de NO (iNOS)
      • TNF e IL-1 induzem iNOS
      • GMPc → relaxamento muscular
    • Prostaciclina (PGI2) — menor escala
  • 2Vasoconstritores (não causam hipotensão)
    • Endotelina
    • Tromboxano A2
  • 3Outros mediadores
    • Cortisol (tônus vascular)
    • Complemento (inflamação, não vasodilatação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A produção excessiva de cortisol não é um mecanismo de vasodilatação no choque séptico. Na verdade, o cortisol é um hormônio com efeito permissivo na resposta ao estresse e na manutenção do tônus vascular, e sua deficiência (insuficiência adrenal) pode contribuir para hipotensão, mas não é o principal responsável pela vasodilatação periférica observada no choque séptico. A banca usa esse distrator para confundir com o papel do cortisol no estresse metabólico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O aumento da liberação de endotelina é um mecanismo de vasoconstrição, não de vasodilatação. A endotelina é um potente vasoconstritor endógeno, e sua produção pode até estar aumentada na sepse como tentativa compensatória, mas não é responsável pela queda da resistência vascular periférica. A alternativa inverte o efeito fisiológico da endotelina.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ativação do sistema complemento participa da resposta inflamatória sistêmica na sepse, contribuindo para a lesão endotelial e para a liberação de mediadores, mas não é o mecanismo primário da vasodilatação periférica. O complemento atua na opsonização, quimiotaxia e lise de microrganismos, e sua ativação exacerbada pode causar dano tecidual, mas não é o principal responsável pela hipotensão no choque séptico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O excesso de óxido nítrico (NO) devido à indução da óxido nítrico sintase (iNOS) é o principal mecanismo de vasodilatação periférica no choque séptico. As citocinas pró-inflamatórias (TNF, IL-1) e endotoxinas induzem a expressão da iNOS nas células endoteliais e musculares lisas vasculares, levando à produção massiva de NO. O NO ativa a guanilato ciclase solúvel, aumentando o GMPc intracelular, o que causa relaxamento da musculatura lisa vascular e vasodilatação, com consequente queda da resistência vascular sistêmica e hipotensão. Esse é o mecanismo fisiopatológico central do choque distributivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A produção excessiva de tromboxano A2 é um mecanismo de vasoconstrição e agregação plaquetária, não de vasodilatação. O tromboxano A2 é produzido pelas plaquetas e tem efeito vasoconstritor, contribuindo para a microtrombose e disfunção orgânica na sepse, mas não é responsável pela vasodilatação periférica e queda da pressão arterial. A alternativa confunde o papel do tromboxano A2 com o do óxido nítrico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre mediadores vasodilatadores e vasoconstritores. O candidato pode ser tentado a marcar endotelina ou tromboxano A2 por serem "mediadores" da sepse, mas ambos são vasoconstritores. O óxido nítrico é o único vasodilatador potente entre as opções, e é exatamente o mecanismo que explica a hipotensão do choque séptico. Fique atento: na sepse, o que predomina é a vasodilatação por NO, não a vasoconstrição.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de fisiopatologia do choque séptico, lembre-se do tripé: vasodilatação (NO), aumento da permeabilidade capilar (extravasamento de fluidos) e disfunção miocárdica. O NO é o protagonista da vasodilatação. Se a alternativa citar um vasoconstritor (endotelina, tromboxano A2, angiotensina II), descarte-a imediatamente.

Gabarito: letra D

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