A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) tem como causa o acúmulo de mutações somáticas em células precursoras da linhagem linfoide B ou T (linfoblastos), levando a um descontrole da proliferação celular, interrupção na diferenciação e resistência à indução apoptótica. Analise as assertivas abaixo sobre essa leucemia, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) Na maioria dos casos, estão envolvidos linfócitos de linhagem B, sendo que a causa citogenética mais comum é a translocação entre os cromossomos 12 e 21, t(12;21) (p13;q22) (TEL-AML1).( ) Células leucêmicas podem infiltrar o tecido linfoide periférico, o sistema nervoso central, bem como os testículos.( ) Os achados laboratoriais no hemograma geralmente são anemia, neutropenia e trombocitopenia. A intensidade dessas citopenias é diretamente proporcional ao grau de comprometimento da medula óssea pelas células blásticas leucêmicas e, na maioria dos casos, também ao número de blastos circulantes. A leucometria é variável, podendo ser baixa, normal ou alta, ou seja, desde uma leucopenia (1.000 leucócitos/μL) até uma leucocitose extrema, acima de 150.000 leucócitos/μL.( ) A medula óssea é hipocelular, com contagem de blastos superior a 20% entre as células nucleadas.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AF – V – F – F.
BV – F – V – F.
CF – F – F – V.
DV – V – V – F.
EV – V – V – V.
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GabaritoD — V – V – V – F.
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Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) – Análise de assertivas
Gabarito: letra D (V – V – V – F). A sequência correta é: primeira assertiva verdadeira (maioria dos casos é de linhagem B, com a t(12;21) sendo a alteração citogenética mais comum), segunda verdadeira (infiltração de tecido linfoide periférico, SNC e testículos), terceira verdadeira (citopenias proporcionais ao comprometimento medular, com leucometria variável) e quarta falsa (a medula óssea é hipercelular, não hipocelular, e o critério diagnóstico é ≥20% de blastos).
A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal e bloqueio maturativo de precursores linfoides (linfoblastos) na medula óssea. O acúmulo de mutações somáticas nessas células precursoras leva ao descontrole da proliferação, interrupção da diferenciação e resistência à apoptose, resultando em substituição difusa da medula óssea por células neoplásicas. Essa substituição compromete a hematopoese normal, gerando as citopenias periféricas características — anemia, neutropenia e trombocitopenia — que se manifestam clinicamente como fadiga, infecções e sangramentos.
A LLA é a neoplasia maligna mais comum na infância, e sua classificação atual (OMS) incorpora dados citogenéticos e moleculares. Em cerca de 75-80% dos casos, a linhagem envolvida é a de precursores B, sendo a translocação t(12;21)(p13;q22), que gera o gene de fusão TEL-AML1 (ETV6-RUNX1), a alteração citogenética mais frequente, presente em aproximadamente 25% dos casos pediátricos. Essa translocação confere prognóstico favorável. As células leucêmicas podem infiltrar diversos sítios extramedulares, incluindo tecido linfoide periférico (linfonodos, baço, fígado), sistema nervoso central (comprometimento meníngeo) e testículos, o que explica a necessidade de quimioprofilaxia do SNC no tratamento.
Os achados laboratoriais refletem a insuficiência medular: anemia, neutropenia e trombocitopenia, cuja intensidade é diretamente proporcional ao grau de comprometimento da medula óssea pelos blastos. A leucometria é variável — pode haver leucopenia (até 1.000 leucócitos/μL) ou leucocitose extrema (acima de 150.000 leucócitos/μL). O diagnóstico é confirmado pela medula óssea, que se apresenta hipercelular (não hipocelular), com infiltração de blastos ≥20% das células nucleadas, conforme os critérios da OMS. A quarta assertiva erra ao afirmar que a medula é hipocelular — na verdade, é hipercelular devido à proliferação neoplásica.
A pegadinha central está na quarta assertiva: a banca inverte o padrão de celularidade medular (hipocelular em vez de hipercelular) e, de quebra, usa o critério de blastos de forma imprecisa (diz "superior a 20%" quando o correto é "≥20%"). O candidato que decora o número 20% mas não associa à hipercelularidade pode marcar como verdadeira. Guarde: LLA = medula hipercelular + blastos ≥20%.
A maioria dos casos de LLA é de linhagem B (precursores B), e a translocação t(12;21)(p13;q22) (TEL-AML1) é a alteração citogenética mais comum, especialmente em crianças. Essa translocação gera o gene de fusão ETV6-RUNX1, associado a prognóstico favorável. A assertiva está correta ao afirmar ambos os fatos.
Assertiva 2 — ✅ Verdadeira
As células leucêmicas podem infiltrar tecido linfoide periférico (linfonodos, baço, fígado), sistema nervoso central (comprometimento meníngeo) e testículos. Essa capacidade de infiltração extramedular é característica da LLA e justifica medidas terapêuticas como quimioprofilaxia do SNC. A assertiva está correta.
Assertiva 3 — ✅ Verdadeira
Os achados laboratoriais descritos — anemia, neutropenia e trombocitopenia — são proporcionais ao comprometimento medular pelos blastos. A leucometria é variável, podendo haver leucopenia (1.000 leucócitos/μL) ou leucocitose extrema (>150.000 leucócitos/μL). A assertiva está correta em todos os detalhes.
Assertiva 4 — ❌ Falsa
A medula óssea na LLA é hipercelular, não hipocelular, devido à proliferação neoplásica dos blastos. Além disso, o critério diagnóstico da OMS é blastos ≥20% das células nucleadas, não "superior a 20%" (embora na prática valores acima de 20% sejam comuns, o limiar é ≥20%). A assertiva erra ao afirmar hipocelularidade.
Conclusão: Corretas: 1, 2 e 3 → portanto a alternativa é a letra D (V – V – V – F).
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de LLA, memorize o tripé: (1) linhagem B predominante + t(12;21) como alteração mais comum; (2) infiltração extramedular típica (SNC, testículos); (3) medula hipercelular com blastos ≥20%. A banca adora inverter "hiper" por "hipo" e trocar o limiar de blastos — fique atento a esses detalhes.