Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Dermatologia
Código
qg179398
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Cardiologia Pediátrica
Um pediatra discute com os pais de uma criança sobre o prognóstico e tratamento do molusco contagioso. Qual das seguintes informações é a mais precisa?
APor ser causada por um fungo, piora no inverno.
BO uso de emolientes está contraindicado.
CAs lesões podem persistir por meses a anos, mas eventualmente desaparecem.
DAumentar o número dos banhos, e de preferência em maior temperatura, melhora o quadro.
EO tratamento com sulfeto de selênio pode ser a melhor opção nos bebês menores de 6 meses.
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GabaritoC — As lesões podem persistir por meses a anos, mas eventualmente desaparecem.
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Molusco contagioso: história natural e manejo
Gabarito: letra C. O molusco contagioso é uma infecção viral cutânea autolimitada em imunocompetentes, com involução espontânea em meses a anos — exatamente o que afirma a alternativa C. As demais alternativas trazem erros conceituais: não é fúngica, emolientes não são contraindicados, banhos quentes não melhoram e sulfeto de selênio não é tratamento de escolha em lactentes.
O molusco contagioso é causado pelo Molluscum contagiosum virus (MCV), um poxvírus que infecta exclusivamente a epiderme. A transmissão ocorre por contato direto pele a pele ou por fômites (toalhas, roupas, utensílios de banho). As lesões típicas são pápulas peroladas, umbilicadas centralmente, que podem surgir em qualquer área da pele, mas são mais comuns em face, tronco e membros em crianças.
A característica mais importante para o manejo é a história natural autolimitada: em hospedeiros imunocompetentes, as lesões involuem espontaneamente em 1 a 2 anos, sem deixar cicatrizes. Por isso, a conduta expectante (observação) é aceitável, especialmente em crianças pequenas, reservando-se tratamentos ativos (curetagem, crioterapia, agentes tópicos) para casos numerosos, persistentes ou com impacto estético/funcional. Em imunossuprimidos, as lesões podem ser disseminadas e refratárias.
A alternativa C espelha exatamente essa realidade: "as lesões podem persistir por meses a anos, mas eventualmente desaparecem". É a informação mais precisa para orientar os pais, pois transmite a natureza benigna e autolimitada da doença, evitando intervenções desnecessárias e ansiedade.
As demais alternativas exploram erros comuns: a confusão com infecção fúngica (A), a contraindicação equivocada de emolientes (B), a crença de que banhos quentes melhoram (D) e o uso de sulfeto de selênio como tratamento de escolha em lactentes (E). Vamos analisar cada uma.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o molusco contagioso é causado por um fungo e piora no inverno. Erro duplo: o agente etiológico é um vírus (poxvírus), não um fungo. Além disso, a sazonalidade não é característica marcante; a transmissão é por contato direto ou fômites, independentemente da estação. A confusão com infecções fúngicas (como dermatofitoses) é comum, mas a morfologia das lesões (pápulas peroladas umbilicadas) e a evolução autolimitada são distintas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o uso de emolientes está contraindicado. Erro: emolientes são permitidos e até recomendados para aliviar o ressecamento e o prurido associados às lesões. Não há contraindicação; pelo contrário, hidratar a pele pode melhorar o conforto e reduzir a irritação. A banca tenta induzir o candidato a pensar que qualquer produto tópico seria prejudicial, mas emolientes são inócuos e benéficos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que as lesões podem persistir por meses a anos, mas eventualmente desaparecem. Correta: em imunocompetentes, o molusco contagioso é autolimitado, com involução espontânea em 1 a 2 anos. Essa é a informação mais precisa para orientar os pais, pois transmite a natureza benigna e a possibilidade de resolução sem tratamento agressivo. A conduta expectante é aceitável, especialmente em crianças.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere aumentar o número de banhos e em maior temperatura para melhorar o quadro. Erro: banhos quentes não têm efeito terapêutico e podem até irritar a pele, piorando o prurido. A higiene adequada é importante para evitar infecções secundárias, mas não há evidência de que banhos quentes ou frequentes melhorem as lesões. A banca explora a ideia errônea de que calor/umidade eliminaria o vírus, o que não procede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o sulfeto de selênio pode ser a melhor opção em bebês menores de 6 meses. Erro: o sulfeto de selênio é um antifúngico tópico, usado principalmente para dermatite seborreica e pitiríase versicolor, não para molusco contagioso (que é viral). Além disso, em lactentes menores de 6 meses, a pele é mais sensível e a absorção percutânea é maior, aumentando o risco de irritação e toxicidade. Não é tratamento de escolha nessa faixa etária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura conceitos de diferentes dermatoses: troca a etiologia viral por fúngica (A), contraindica emolientes que são benéficos (B), sugere banhos quentes como terapia (D) e usa um antifúngico como se fosse antiviral (E). O candidato que decora tratamentos sem entender a fisiopatologia cai facilmente. Lembre-se: molusco é vírus, autolimitado, e o manejo é expectante na maioria dos casos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de dermatologia pediátrica, foque na história natural da doença: se é autolimitada, o tratamento é sintomático/expectante; se é crônica, exige terapia específica. No molusco, a involução espontânea em 1-2 anos é a chave. Compare com outras infecções virais cutâneas (verrugas por HPV) que também são autolimitadas, mas podem persistir por mais tempo.