Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg179400
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Cardiologia Pediátrica
Os pais muitas vezes procuram seu pediatra, pois a maioria dos lactentes regurgita nos primeiros meses de vida, sem que isso signifique que eles sejam portadores da doença do refluxo gastresofágico. O refluxo fisiológico do lactente raramente inicia antes das primeiras semanas de vida ou após os 6 meses. Quais são as manifestações clínicas mais comuns e típicas do RGE em lactentes?
ADiarreia.
BConstipação.
CVômitos e as regurgitações.
DFebre.
ETosse.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Vômitos e as regurgitações.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Refluxo gastroesofágico no lactente: manifestações clínicas
Gabarito: letra C. As manifestações clínicas mais comuns e típicas do refluxo gastroesofágico (RGE) em lactentes são vômitos e regurgitações — o próprio enunciado destaca que a maioria regurgita nos primeiros meses, e o RGE fisiológico se caracteriza por episódios de vômito sem repercussões sistêmicas. As demais opções (diarreia, constipação, febre, tosse) não são manifestações típicas do RGE fisiológico; a tosse, por exemplo, aparece apenas na doença do refluxo (DRGE), quando há comprometimento respiratório.
O refluxo gastroesofágico é a passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem regurgitação e vômito. Trata-se de um processo fisiológico que ocorre várias vezes ao dia em crianças hígidas, especialmente lactentes, devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior. A distinção crucial é entre RGE fisiológico e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): no primeiro, há apenas vômitos/regurgitações, sem manifestações pulmonares ou sistêmicas; na DRGE, além dos vômitos, surgem sintomas como sibilância, tosse, laringite, pneumonia, apneia e repercussão no ganho de peso. Essa diferença é o coração da questão: a banca pergunta justamente pelas manifestações do RGE (fisiológico), não da DRGE.
Na prática clínica, cerca de 50% das crianças com até 3 meses apresentam episódios diários de regurgitação, que se resolvem espontaneamente entre 12 e 14 meses. O lactente com RGE fisiológico é o chamado "vomitador feliz": aparência saudável, ganho de peso adequado e sem sinais de alarme. Já a criança que vomita com frequência, perde peso ou apresenta sintomas respiratórios deve ser investigada para DRGE ou outras causas de vômitos repetidos (infecções, estenose hipertrófica do piloro, alergia à proteína do leite de vaca, entre outras).
A pegadinha desta questão está em confundir RGE fisiológico com DRGE. A alternativa E (tosse) é um clássico distrator: a tosse é manifestação da DRGE, não do RGE fisiológico. O candidato que memoriza apenas "refluxo causa tosse" sem distinguir as duas entidades cai na armadilha. Guarde a fronteira: RGE fisiológico = vômitos/regurgitações apenas; DRGE = vômitos + sintomas respiratórios/sistêmicos.
Refluxo gastroesofágico no lactente: RGE fisiológico (Vômitos e regurgitações, "Vomitador feliz", Ganho de peso adequado, Sem sinais de alarme); DRGE (doença) (Tosse, Sibilância, Pneumonia, Perda de peso); Diagnóstico diferencial (Infecções, Estenose hipertrófica do piloro, Alergia à proteína do leite de vaca)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Diarreia não é manifestação típica do RGE em lactentes. A diarreia está mais associada a gastroenterites, alergia à proteína do leite de vaca ou outras causas intestinais. No RGE fisiológico, o trânsito intestinal é normal; na DRGE, a diarreia também não faz parte do quadro clássico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Constipação não é manifestação de RGE. A constipação funcional do lactente é um distúrbio gastrointestinal funcional distinto, com fisiopatologia própria (retenção fecal, dor ao evacuar). Não há relação causal com o refluxo gastroesofágico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Vômitos e regurgitações são as manifestações clínicas mais comuns e típicas do RGE em lactentes. O próprio enunciado afirma que "a maioria dos lactentes regurgita nos primeiros meses de vida" e que o refluxo fisiológico se manifesta com episódios de vômito. A regurgitação é a expressão clássica do RGE fisiológico, enquanto vômitos podem ocorrer em quadros mais intensos, mas ainda sem sinais de alarme.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Febre não é manifestação de RGE. A febre sugere processo infeccioso (otite, infecção urinária, gastroenterite, meningite, etc.), que pode cursar com vômitos, mas não é causada pelo refluxo. No lactente com vômitos e febre, a investigação deve buscar infecção, não RGE.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tosse é manifestação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), não do RGE fisiológico. Na DRGE, o refluxo ácido atinge a via aérea, causando sibilância, tosse, laringite e pneumonia. No RGE fisiológico, não há manifestações respiratórias — essa é a distinção central que a banca explora.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca RGE fisiológico por DRGE. A tosse (alternativa E) é o distrator clássico: quem lembra que "refluxo causa tosse" sem distinguir as duas entidades cai na armadilha. No RGE fisiológico, as manifestações são exclusivamente digestivas (vômitos/regurgitações); sintomas respiratórios indicam DRGE.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver "refluxo" em pediatria, pergunte-se: é fisiológico ou doença? Se o enunciado fala em "lactente que regurgita, ganha peso bem, sem outros sintomas", é RGE fisiológico → manifestações = vômitos/regurgitações. Se há tosse, sibilância, perda de peso ou recusa alimentar, é DRGE → aí sim entram os sintomas respiratórios.