Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg179404
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Cardiologia Pediátrica
Ainda sobre as mudanças metabólicas das mulheres no climatério, analise as assertivas abaixo:I. Ocorrem alterações do metabolismo glicídico associadas ao aumento da adiposidade central, que predispõem o desenvolvimento de Diabetes Melito (DM).II. O risco de doença isquêmica do coração aumenta na menopausa, além de piorar o prognóstico das portadoras da doença previamente, com maiores taxas de revascularização.III. Mulheres com hipertensão arterial sistêmica têm maior incidência de hipertrofia ventricular esquerda na pós-menopausa, com maior risco de disfunção diastólica.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas I e II.
DApenas II e III.
EI, II e III.
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GabaritoE — I, II e III.
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Mudanças metabólicas no climatério: análise das assertivas
Gabarito: letra E. As três assertivas estão corretas: no climatério ocorrem alterações do metabolismo glicídico com aumento da adiposidade central (predispondo ao DM), o risco de doença isquêmica do coração aumenta na menopausa (com pior prognóstico e maiores taxas de revascularização nas portadoras), e mulheres hipertensas têm maior incidência de hipertrofia ventricular esquerda na pós-menopausa, com maior risco de disfunção diastólica. A base fisiopatológica é a deficiência estrogênica, que altera o perfil metabólico e cardiovascular.
O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, marcado pela diminuição progressiva da função ovariana e, consequentemente, dos níveis de estrogênio. Essa deficiência hormonal desencadeia uma cascata de alterações metabólicas que aumentam o risco cardiovascular e metabólico. A menopausa, que é o marco da última menstruação, representa o ponto em que essas mudanças se tornam mais evidentes.
O estrogênio exerce efeitos protetores importantes no sistema cardiovascular e no metabolismo. Com sua queda, observa-se:
Metabolismo glicídico: há aumento da resistência insulínica e maior predisposição ao diabetes melito, especialmente associado ao acúmulo de gordura visceral (adiposidade central). A obesidade central é um componente-chave da síndrome metabólica, que por sua vez está intimamente ligada ao desenvolvimento de DM.
Perfil lipídico: a menopausa produz um perfil pró-aterogênico, com elevação do colesterol total, LDL-c e triglicerídeos, e redução do HDL-c. Essas alterações favorecem a formação de placas ateroscleróticas.
Risco cardiovascular: o risco de doença arterial coronariana aumenta de três a sete vezes após a menopausa, sendo a principal causa de morte no sexo feminino nessa fase. Nas mulheres que já têm doença isquêmica, o prognóstico piora, com maiores taxas de eventos e necessidade de revascularização.
Hipertensão arterial: a deficiência estrogênica contribui para o aumento da rigidez arterial e da pressão arterial. Em mulheres hipertensas na pós-menopausa, há maior incidência de hipertrofia ventricular esquerda, que é um fator de risco para disfunção diastólica e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
A síndrome metabólica, que frequentemente se instala ou se agrava no climatério, é definida por um conjunto de fatores de risco que incluem obesidade central, dislipidemia, hipertensão e alterações da glicemia. A adiposidade central, medida pela circunferência abdominal, é o índice antropométrico mais representativo da gordura visceral, que é metabolicamente mais ativa e está mais associada a eventos cardiovasculares.
A banca explora exatamente a inter-relação entre esses sistemas: a questão não cobra um fato isolado, mas a compreensão de como a deficiência estrogênica afeta simultaneamente o metabolismo glicídico, o risco coronariano e a estrutura cardíaca. O candidato que entende a fisiopatologia do climatério reconhece que as três assertivas são verdadeiras e complementares.
Guarde o eixo fisiopatológico: deficiência estrogênica → resistência insulínica + dislipidemia + hipertensão → risco cardiovascular aumentado. É esse raciocínio que separa as alternativas.
A assertiva está correta. No climatério, a deficiência estrogênica leva ao aumento da resistência insulínica e à redistribuição da gordura corporal para a região central (adiposidade visceral). Esse acúmulo de gordura visceral é metabolicamente mais ativo e está diretamente associado ao desenvolvimento de diabetes melito tipo 2. A obesidade central é um dos componentes da síndrome metabólica, que predispõe ao DM.
Item II — ✅ Correto
A assertiva está correta. O risco de doença isquêmica do coração aumenta significativamente após a menopausa, sendo a principal causa de morte em mulheres nessa fase. Nas mulheres que já são portadoras de doença coronariana, o prognóstico piora, com maiores taxas de eventos cardiovasculares e necessidade de procedimentos de revascularização (angioplastia ou cirurgia de revascularização miocárdica).
Item III — ✅ Correto
A assertiva está correta. A hipertensão arterial sistêmica é mais prevalente e mais grave na pós-menopausa. Em mulheres hipertensas, a deficiência estrogênica contribui para o desenvolvimento de hipertrofia ventricular esquerda, que é um mecanismo adaptativo do coração à sobrecarga pressórica. Essa hipertrofia aumenta o risco de disfunção diastólica, que é a alteração da capacidade do ventrículo de relaxar e se encher adequadamente, podendo evoluir para insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Conclusão: as três assertivas (I, II e III) estão corretas, portanto o gabarito é a letra E.