Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg179409
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
Criança de 2 anos chega acompanhada de seus pais na emergência do hospital com quadro de diarreia há 2 dias. A mãe refere episódios de fezes líquidas sem a presença de sangue ou muco. Apresentou cerca de 6 a 7 episódios nas últimas 24 horas. Não há relato de febre e teve 2 episódios de vômitos. Recusa a dieta, mas está ávida por líquidos. Sinais vitais na chegada: Sat 96%, Tax 37,1ºC, Frequência respiratória 49 rpm. Frequência cardíaca 95 bpm. Ao exame físico: Aspecto geral bom, saliva espessa, ativa e reativa. Olhos encovados. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome depressível, globoso ruídos hidroaéreos aumentados e dor leve na palpação, sem visceromegalias. A melhor conduta nesse caso é:
AAlta para o domicílio com soro fisiológico e antibióticos do tipo cefalosporinas.
BAdministrar o soro de reidratação oral sob supervisão médica (reparação das perdas vinculadas à desidratação). Manter o aleitamento materno e reavaliar após.
CAlta hospitalar com receita de analgésicos e anti eméticos.
DManter em observação hospitalar até visualizar o aspecto das fezes.
EIniciar com 20 mL/kg de peso de soro fisiológico 0,9% em 5 minutos. Repetir essa quantidade até que a criança esteja hidratada, reavaliando os sinais clínicos após cada fase de expansão administrada.
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GabaritoB — Administrar o soro de reidratação oral sob supervisão médica (reparação das perdas vinculadas à desidratação). Manter o aleitamento materno e reavaliar após.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diarreia aguda na infância: planos de tratamento A, B e C
Gabarito: letra B. A criança apresenta sinais de desidratação (saliva espessa, olhos encovados) sem critérios de gravidade, o que a enquadra no Plano B da estratégia AIDPI do Ministério da Saúde: reidratação oral supervisionada com soro de reidratação oral (SRO), manutenção do aleitamento materno e reavaliação. A alternativa E descreve o Plano C (expansão venosa), reservado à desidratação grave, e as demais envolvem condutas inadequadas ou incompletas.
A doença diarreica aguda (DDA) é definida pela diminuição da consistência das fezes, com evacuações amolecidas ou líquidas, e/ou aumento da frequência para 3 ou mais evacuações em 24 horas. No caso, a criança tem 6 a 7 episódios nas últimas 24 horas, sem sangue ou muco — o que caracteriza diarreia aquosa aguda, tipicamente viral e autolimitada. O ponto central do manejo não é tratar o agente, mas avaliar o estado de hidratação e repor as perdas, pois a desidratação é a principal causa de morbimortalidade nesse cenário.
A avaliação clínica da hidratação é feita por sinais como estado geral, olhos fundos/encovados, presença de lágrimas, mucosa oral (saliva) e turgor da pele. Com base nesses achados, a criança é classificada em três planos de tratamento, conforme a estratégia AIDPI:
Plano
Indicação
Conduta
A
Diarreia sem sinais de desidratação
Tratamento domiciliar: SRO após cada evacuação, alimentação habitual, aumento de líquidos
B
Diarreia com sinais de desidratação (não grave)
SRO sob supervisão médica, em pequenos goles, com reavaliação; manter aleitamento materno
C
Diarreia com desidratação grave
Expansão venosa com soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato, 20 mL/kg, repetindo até melhora
A criança do enunciado tem saliva espessa (mucosa oral seca) e olhos encovados — dois sinais clássicos de desidratação. Porém, o estado geral é bom, o enchimento capilar é de 2 segundos e não há alteração do nível de consciência, o que afasta a desidratação grave. Portanto, o plano correto é o B: reidratação oral supervisionada, com reavaliação após 2 a 4 horas. O aleitamento materno deve ser mantido, pois o leite materno é seguro e nutritivo mesmo durante a diarreia.
A pegadinha da questão está em distinguir o Plano B do Plano C. A alternativa E descreve exatamente a expansão venosa do Plano C (20 mL/kg de soro fisiológico em 5 minutos, repetido até hidratação), mas isso só se aplica à desidratação grave — que não é o caso. Já a alternativa A erra ao prescrever antibióticos (cefalosporinas), desnecessários na diarreia aquosa sem sangue, e a C erra ao dar alta com analgésicos e antieméticos, sem tratar a desidratação. A D propõe observação apenas para "ver as fezes", sem intervenção terapêutica — conduta passiva e inadequada.
Guarde a fronteira entre os planos: sinais de desidratação presentes → Plano B (SRO); sinais de gravidade (letargia, incapacidade de beber, enchimento capilar > 3 s) → Plano C (IV). É exatamente nessa linha que as alternativas se dividem.
Diarreia aguda (AIDPI): Plano A (Sem sinais de desidratação, SRO domiciliar + alimentação); Plano B (Com desidratação (não grave), SRO supervisionada + reavaliação); Plano C (Desidratação grave, Expansão venosa 20 mL/kg)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao indicar antibióticos (cefalosporinas) para diarreia aquosa aguda sem sangue. A terapia antimicrobiana não é rotina na DDA — a maioria dos casos é viral e autolimitada. Antibióticos são reservados a situações específicas (disenteria por Shigella, cólera, diarreia do viajante). Além disso, a criança tem sinais de desidratação e precisa de reidratação, não apenas de alta com soro fisiológico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é o Plano B: administrar SRO sob supervisão médica, em pequenos goles e com frequência, para repor as perdas da desidratação. Manter o aleitamento materno (lactentes amamentados devem continuar recebendo leite materno) e reavaliar após 2 a 4 horas, verificando se a ingestão supera as perdas. A criança tem sinais de desidratação (saliva espessa, olhos encovados), mas sem gravidade — exatamente a indicação do Plano B.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alta com analgésicos e antieméticos não trata a desidratação, que é o problema central. A criança precisa de reposição de líquidos e eletrólitos, não apenas de sintomáticos. Além disso, não há indicação de analgesia (a dor abdominal é leve) e os antieméticos não são recomendados como rotina na DDA — os vômitos costumam cessar após 2 a 3 horas do início da reidratação oral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Manter em observação apenas para "visualizar o aspecto das fezes" é conduta passiva e sem fundamento. A avaliação clínica já foi feita e a criança tem sinais de desidratação que exigem intervenção imediata (SRO). Não há indicação de esperar para ver as fezes — o tratamento deve começar já, com reidratação oral supervisionada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve o Plano C (expansão venosa): 20 mL/kg de soro fisiológico 0,9% em 5 minutos, repetido até hidratação. Isso é reservado à desidratação grave, caracterizada por letargia/coma, incapacidade de beber, enchimento capilar > 3 segundos, pulso fraco ou ausente. A criança do caso tem estado geral bom, enchimento capilar de 2 segundos e está ávida por líquidos — portanto, não se enquadra no Plano C. A via oral é suficiente e preferível.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os planos de tratamento: a alternativa E descreve corretamente o Plano C (expansão venosa), mas o aplica a uma criança que só tem desidratação leve a moderada (Plano B). O candidato que decora os números (20 mL/kg) sem associar à gravidade clínica cai na armadilha. Lembre-se: Plano B = SRO oral; Plano C = IV, só na desidratação grave.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte um fluxo rápido: (1) há sinais de desidratação? Não → Plano A. Sim → (2) há sinais de gravidade (letargia, incapacidade de beber, TEC > 3 s)? Não → Plano B. Sim → Plano C. Essa sequência resolve a maioria das questões de DDA.