Líquido cefalorraquidiano nas meningites: padrões citológicos e bioquímicos
Gabarito: letra C. A ordem correta é 2 – 1 – 3: o primeiro padrão descrito (leucócitos > 1000/mm³, neutrófilos, glicose diminuída, proteínas aumentadas) é típico da meningite bacteriana; o segundo (leucócitos < 1000/mm³, linfócitos, glicose normal ou levemente diminuída, proteínas normais ou levemente aumentadas) é da meningite viral; e o terceiro (20–500 leucócitos, linfócitos, glicose diminuída, proteínas aumentadas) é da meningite tuberculosa. A distinção se baseia no padrão de resposta inflamatória e nos achados bioquímicos do LCR, conforme a literatura médica.
A meningite é a inflamação das leptomeninges, e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o exame fundamental para o diagnóstico etiológico. Cada agente (bactéria, vírus ou micobactéria) induz um padrão inflamatório característico, que se reflete na celularidade (tipo e quantidade de leucócitos), na glicose (glicorraquia) e nas proteínas. Compreender esses padrões é essencial para a conduta imediata, pois a meningite bacteriana exige antibioticoterapia empírica urgente, enquanto a viral é geralmente autolimitada e a tuberculosa requer tratamento específico prolongado.
Meningite bacteriana: a resposta inflamatória é intensa e predominantemente neutrofílica. O LCR costuma apresentar pleocitose com contagem de leucócitos na faixa de centenas a milhares (frequentemente > 1000/mm³), com predomínio de neutrófilos polimorfonucleares. A glicose está diminuída (hipoglicorraquia) devido ao consumo bacteriano e à alteração do transporte, e as proteínas estão aumentadas pela quebra da barreira hematoencefálica. O aspecto é turvo, de cor branco-leitosa.
Meningite viral: a resposta inflamatória é mais branda, com predomínio de linfócitos. A celularidade costuma ser menor que 1000/mm³ (frequentemente entre 10 e 500/mm³), com linfócitos. A glicose geralmente é normal ou levemente diminuída, e as proteínas podem ser normais ou levemente aumentadas. O LCR é límpido ou opalescente.
Meningite tuberculosa: apresenta um padrão intermediário, com pleocitose linfocitária (20–500 leucócitos/mm³), glicose diminuída e proteínas aumentadas. A hipoglicorraquia e o aumento de proteínas são mais acentuados que na viral, refletindo o processo inflamatório crônico. O LCR pode ser límpido ou opalescente, por vezes xantocrômico.
A tabela abaixo resume os padrões típicos, que são a chave para a correlação:
Característica | Bacteriana | Viral | Tuberculosa |
|---|
Leucócitos | > 1000/mm³ | < 1000/mm³ | 20–500/mm³ |
Predomínio celular | Neutrófilos | Linfócitos | Linfócitos |
Glicose | Diminuída | Normal ou levemente ↓ | Diminuída |
Proteínas | Aumentadas | Normais ou levemente ↑ | Aumentadas |
Aspecto | Turvo | Límpido/opalescente | Límpido/opalescente |
A pegadinha desta questão está em não confundir o padrão da meningite tuberculosa com o da viral: ambos têm predomínio linfocitário, mas a tuberculosa cursa com glicose diminuída e proteínas mais elevadas, enquanto a viral tende a manter a glicose normal. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ordem 1 – 2 – 3 inverte os padrões bacteriano e viral. O primeiro parêntese (leucócitos > 1000/mm³, neutrófilos, glicose diminuída, proteínas aumentadas) é claramente bacteriano, não viral. A meningite viral apresenta celularidade menor e predomínio linfocitário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ordem 1 – 3 – 2 também erra ao colocar o padrão bacteriano como viral (1) e o viral como tuberculoso (3). O padrão com > 1000 leucócitos e neutrófilos é da bactéria, e o padrão com glicose normal ou levemente diminuída é da virose.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ordem 2 – 1 – 3 associa corretamente: o primeiro parêntese (bacteriana), o segundo (viral) e o terceiro (tuberculosa). O padrão bacteriano é o mais inflamatório (neutrófilos, glicose baixa, proteínas altas); o viral é o mais brando (linfócitos, glicose normal); e o tuberculoso é intermediário (linfócitos, glicose baixa, proteínas altas).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ordem 3 – 1 – 2 coloca a tuberculose no primeiro parêntese, mas o padrão com > 1000 leucócitos e neutrófilos é bacteriano, não tuberculoso. A tuberculose tem celularidade menor (20–500) e predomínio linfocitário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ordem 2 – 3 – 1 troca o padrão viral pelo tuberculoso no segundo parêntese. O padrão com glicose normal ou levemente diminuída e proteínas normais ou levemente aumentadas é viral, não tuberculoso. A tuberculose cursa com glicose diminuída e proteínas aumentadas.
A regra de ouro para a prova: na meningite bacteriana, pense em neutrófilos e glicose baixa; na viral, linfócitos e glicose normal; na tuberculosa, linfócitos com glicose baixa e proteínas altas. Essa tríade de padrões resolve a maioria das questões de LCR.
Gabarito: letra C