Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Epidemiologia
Código
qg179438
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Medicina Intensiva Pediátrica
Sobre a hepatite A, assinale a alternativa correta.
ADesenvolvimento de hepatite crônica na maioria dos casos.
BA principal forma de prevenção é o tratamento antiviral em caso de exposição.
CCausada por um vírus que pertence ao grupo dos coronavírus.
DA doença é de notificação compulsória.
EFase de incubação prolongada, geralmente superior a 6 meses.
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GabaritoD — A doença é de notificação compulsória.
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Hepatite A: características e prevenção
Gabarito: letra D. A hepatite A é uma doença de notificação compulsória no Brasil, conforme a Portaria de Consolidação nº 4/2017 do Ministério da Saúde (anexo 1, lista nacional de notificação compulsória). As demais alternativas apresentam erros conceituais: a infecção pelo vírus da hepatite A (HAV) não cronifica, a prevenção é feita por vacina e medidas de higiene (não por tratamento antiviral), o agente é um picornavírus (não coronavírus) e o período de incubação é de 15 a 50 dias (não superior a 6 meses).
A hepatite A é uma infecção hepática aguda causada pelo vírus da hepatite A (HAV), um vírus de RNA da família Picornaviridae, gênero Hepatovirus. Diferentemente das hepatites B e C, a infecção pelo HAV não evolui para cronicidade: o sistema imunológico elimina o vírus na grande maioria dos casos, e a doença é autolimitada. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por ingestão de água ou alimentos contaminados, e também pode ocorrer por contato sexual com práticas que envolvam risco de contato oral-fecal. O período de incubação varia de 15 a 50 dias (média de 28 a 30 dias).
A prevenção da hepatite A é feita por meio da vacina (disponível no SUS para grupos prioritários, como crianças de 15 meses a 5 anos, e em situações especiais) e por medidas de higiene, como lavar as mãos, tratar a água e cozinhar bem os alimentos. Não existe tratamento antiviral específico para a infecção aguda; o manejo é de suporte, com hidratação e repouso. A imunoglobulina humana pode ser usada como profilaxia pós-exposição em situações específicas, mas não é a principal forma de prevenção.
A notificação compulsória é uma obrigação legal de todo profissional de saúde de comunicar às autoridades sanitárias a ocorrência de determinadas doenças, para fins de vigilância epidemiológica. A hepatite A está incluída na lista nacional de doenças de notificação compulsória, o que significa que todo caso suspeito ou confirmado deve ser notificado ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Essa medida permite o monitoramento de surtos e a implementação de ações de controle.
A banca explora a confusão entre as hepatites virais: enquanto a hepatite B e C podem cronificar, a hepatite A não; enquanto a hepatite B tem transmissão parenteral/sexual, a A é fecal-oral; e enquanto a hepatite B tem incubação de 45 a 160 dias, a A tem incubação mais curta. Guarde essas diferenças: são elas que separam as alternativas corretas das incorretas.
Hepatite A (HAV)
1Agente etiológico
Picornavírus (Hepatovirus)
RNA
2Transmissão
Fecal-oral (água/alimentos)
Contato sexual oral-fecal
3Evolução
Aguda e autolimitada
Não cronifica
Imunidade permanente
4Incubação
15 a 50 dias
5Prevenção
Vacina
Higiene (mãos, água, alimentos)
Imunoglobulina pós-exposição
6Vigilância
Notificação compulsória
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hepatite A desenvolve hepatite crônica na maioria dos casos. Errado: a infecção pelo HAV é aguda e autolimitada, não cronifica. A cronificação é característica das hepatites B e C, que podem evoluir para cirrose e hepatocarcinoma. A hepatite A, ao contrário, confere imunidade permanente após a infecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a principal forma de prevenção é o tratamento antiviral em caso de exposição. Errado: não existe tratamento antiviral específico para a hepatite A aguda. A principal prevenção é a vacina e as medidas de higiene (lavar as mãos, tratar água, cozinhar alimentos). A imunoglobulina pós-exposição é uma medida secundária, não a principal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o vírus da hepatite A pertence ao grupo dos coronavírus. Errado: o HAV é um picornavírus (família Picornaviridae, gênero Hepatovirus), não um coronavírus. Os coronavírus são outra família viral (Coronaviridae), responsáveis por doenças respiratórias, como a COVID-19.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hepatite A é uma doença de notificação compulsória no Brasil. A lista nacional de doenças de notificação compulsória, prevista na Portaria de Consolidação nº 4/2017 do Ministério da Saúde, inclui a hepatite A. Isso significa que todo caso suspeito ou confirmado deve ser notificado às autoridades de vigilância epidemiológica, permitindo o monitoramento e o controle de surtos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a fase de incubação é prolongada, geralmente superior a 6 meses. Errado: o período de incubação da hepatite A é de 15 a 50 dias (média de 28 a 30 dias), bem inferior a 6 meses. Incubação prolongada (superior a 6 meses) é característica da hepatite B (45 a 160 dias) e, principalmente, da hepatite C (14 a 180 dias, mas com média de 50 dias).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura características das hepatites virais para confundir: a cronificação (B e C), a transmissão parenteral (B e C), o período de incubação longo (B e C) e o agente etiológico (coronavírus, que nada tem a ver). A hepatite A é a única que não cronifica, tem transmissão fecal-oral e incubação curta. Fique atento a essas trocas!
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as hepatites, lembre-se: A = água (fecal-oral), aguda, não cronifica; B = sangue/sexual, pode cronificar; C = crônica, silenciosa. A notificação compulsória vale para todas as hepatites virais, mas a A é a que mais se destaca em surtos de transmissão hídrica.