Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg179440
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica e Multiprofissional em Saúde - Área de Atuação - Medicina Intensiva Pediátrica
Uma criança de 3 anos é trazida ao pronto-socorro com tosse persistente, febre e dificuldade respiratória. O exame físico revela estertores crepitantes, tiragem intercostal e 55 movimentos respiratórios por minuto. Aferida a temperatura axilar, mostrando 38,8ºC. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
ABronquiolite.
BPneumonia comunitária.
CAsma.
DLaringite.
EFaringite.
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GabaritoB — Pneumonia comunitária.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pneumonia comunitária na infância: diagnóstico clínico
Gabarito: letra B. A criança de 3 anos apresenta febre (38,8°C), tosse, taquipneia (55 mrm — muito acima do normal para a idade, que é < 40 mrm), tiragem intercostal e estertores crepitantes, configurando o quadro clássico de pneumonia adquirida na comunidade. A ausência de sibilância e o predomínio de estertores crepitantes afastam bronquiolite e asma, e a localização do processo (vias aéreas inferiores, com crepitações) exclui laringite e faringite.
A pneumonia comunitária é uma infecção aguda do parênquima pulmonar, causada por agentes adquiridos fora do ambiente hospitalar. Na criança, o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade febre + tosse + taquipneia, sendo a taquipneia o sinal mais sensível e específico, especialmente quando não há sibilância. Os estertores crepitantes (finos) são o achado auscultatório típico, refletindo o preenchimento alveolar por exsudato inflamatório. A tiragem intercostal indica esforço respiratório aumentado, sinal de gravidade que, segundo a OMS, classifica a pneumonia como grave quando há tiragem subcostal.
A frequência respiratória é o parâmetro-chave: para crianças de 1 a 4 anos, o limite normal é < 40 mrm. Com 55 mrm, a criança está francamente taquipneica, o que reforça a suspeita. A febre de 38,8°C (axilar) é moderada e compatível com processo infeccioso bacteriano ou viral. A combinação desses achados — febre, tosse, taquipneia e crepitações — é o padrão-ouro clínico para o diagnóstico de pneumonia na infância, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da OMS.
O diagnóstico diferencial é o ponto central da questão. A bronquiolite, embora comum nessa faixa etária, caracteriza-se por sibilância e predomínio de sintomas de vias aéreas superiores, geralmente em menores de 2 anos, sem febre alta e sem estertores crepitantes como achado principal. A asma cursa com sibilância recorrente e resposta a broncodilatadores, não com febre e crepitações. A laringite (crupe) manifesta-se com estridor inspiratório, tosse metálica e rouquidão, sem estertores pulmonares. A faringite é uma infecção de vias aéreas superiores, com dor de garganta e sem comprometimento pulmonar.
A pegadinha da banca está em oferecer bronquiolite como alternativa, pois ambas são infecções respiratórias comuns em crianças. O discriminador é a presença de sibilância (bronquiolite) versus estertores crepitantes (pneumonia), além da idade (bronquiolite é mais comum em < 2 anos) e da intensidade da febre. A taquipneia isolada não diferencia, mas a ausência de sibilância e a presença de crepitações focais apontam decisivamente para pneumonia.
Guarde o critério: febre + tosse + taquipneia + estertores crepitantes = pneumonia; sibilância + desconforto respiratório = bronquiolite/asma; estridor + tosse metálica = laringite. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A bronquiolite é uma infecção viral aguda que acomete principalmente lactentes < 2 anos, caracterizada por sibilância, taquipneia e desconforto respiratório, mas com ausência de febre alta e de estertores crepitantes como achado predominante. A criança de 3 anos com febre de 38,8°C e crepitações não se encaixa no perfil típico de bronquiolite, que cursa com sibilos expiratórios e predomínio de obstrução de pequenas vias aéreas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pneumonia comunitária é a hipótese mais provável: febre, tosse, taquipneia (55 mrm, muito acima do normal de < 40 mrm para 1-4 anos), tiragem intercostal e estertores crepitantes são os achados clássicos. A ausência de sibilância reforça o diagnóstico, pois a sibilância é o principal sinal que diferencia outras condições (bronquiolite, asma) da pneumonia, conforme a estratégia AIDPI.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por sibilância recorrente, tosse e desconforto respiratório, geralmente desencadeada por alérgenos ou infecções virais. Não cursa com febre alta nem com estertores crepitantes como achado principal, e a resposta a broncodilatadores é característica. A criança do caso não tem história de sibilância recorrente nem resposta a broncodilatadores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A laringite (crupe viral) é uma infecção das vias aéreas superiores, manifestando-se com estridor inspiratório, tosse metálica ("de cachorro"), rouquidão e desconforto respiratório, geralmente em crianças de 6 meses a 3 anos. Não há estertores crepitantes nem tiragem intercostal como achados principais, e o comprometimento é laríngeo, não pulmonar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A faringite é uma infecção da faringe, com dor de garganta, odinofagia e febre, mas sem comprometimento das vias aéreas inferiores. Não há tosse produtiva, taquipneia, tiragem intercostal nem estertores crepitantes. O exame físico da criança do caso aponta claramente para um processo pulmonar, não faríngeo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre bronquiolite e pneumonia, duas infecções respiratórias comuns na infância. O candidato que se fixa apenas na taquipneia e na febre pode cair na alternativa A. O discriminador é a ausência de sibilância e a presença de estertores crepitantes, que apontam para pneumonia. Lembre-se: bronquiolite sibila, pneumonia crepita.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, monte o raciocínio em etapas: 1) a criança tem febre + tosse + taquipneia? Se sim, pense em pneumonia. 2) Há sibilância? Se sim, pense em bronquiolite/asma. 3) Há estridor? Se sim, pense em laringite. 4) Há dor de garganta sem sintomas pulmonares? Se sim, pense em faringite. Esse fluxo resolve a maioria das questões de diagnóstico diferencial respiratório na infância.