Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg180849
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior

- AA / (A+C).
- BC / (B+D).
- CD / (B+D).
- DD / (C+D).
- EA / (C+D).

GabaritoD — D / (C+D).
Gabarito: letra D. O valor preditivo negativo (VPN) é a probabilidade de o paciente não ter a doença quando o resultado do exame é negativo, calculado pela fórmula D / (C + D) — onde D são os verdadeiros negativos e C os falsos negativos. Essa é a definição clássica de epidemiologia clínica, aplicada à interpretação de exames diagnósticos.
O valor preditivo negativo é um dos quatro indicadores que avaliam o desempenho de um teste diagnóstico a partir de uma tabela 2×2 que cruza o resultado do exame (positivo ou negativo) com a presença ou ausência da doença (confirmada por um padrão-ouro). Nessa tabela, cada célula recebe uma letra convencional: A = verdadeiros positivos (doentes com exame positivo), B = falsos positivos (sadios com exame positivo), C = falsos negativos (doentes com exame negativo) e D = verdadeiros negativos (sadios com exame negativo).
A pergunta que o VPN responde é: "dado que o exame deu negativo, qual a chance de o paciente estar realmente livre da doença?" — ou seja, ele mede a confiança em um resultado negativo. É um conceito distinto da sensibilidade, que pergunta "entre os doentes, quantos o exame detecta?" (A / (A+C)), e da especificidade, que pergunta "entre os sadios, quantos o exame aponta como normais?" (D / (B+D)). A diferença crucial é o denominador: sensibilidade e especificidade usam como referência o estado real do paciente (doente ou sadio), enquanto os valores preditivos usam como referência o resultado do exame (positivo ou negativo).
Na prática, imagine 100 pacientes com suspeita de uma doença. Após o exame, 20 têm resultado negativo; desses, 18 realmente não têm a doença (D) e 2 têm a doença mas o exame não detectou (C). O VPN seria 18 / (2 + 18) = 0,90, ou seja, 90% de chance de um resultado negativo estar correto. Esse indicador é especialmente útil em situações de triagem e em doenças de baixa prevalência, onde um resultado negativo é muito informativo — como ilustra o contexto sobre o teste rápido para doença de Chagas, em que a alta sensibilidade permite que resultados negativos descartem o diagnóstico.
A pegadinha clássica da banca é trocar o denominador: usar o total de sadios (B+D) em vez do total de exames negativos (C+D), ou usar o total de doentes (A+C). O candidato que confunde VPN com especificidade ou com sensibilidade cai exatamente nesses distratores. Guarde a fronteira: VPN = verdadeiros negativos ÷ todos os resultados negativos do exame — é nela que as alternativas se dividem.
A fórmula A / (A+C) representa a sensibilidade (proporção de doentes corretamente identificados pelo exame), não o valor preditivo negativo. O erro está no numerador: A são os verdadeiros positivos, que nada têm a ver com a confiança em um resultado negativo.
A fórmula C / (B+D) não corresponde a nenhum indicador clássico. O denominador (B+D) é o total de sadios, mas o numerador C são os falsos negativos (doentes com exame negativo) — uma combinação sem sentido epidemiológico, pois mistura categorias de linhas diferentes da tabela 2×2.
A fórmula D / (B+D) representa a especificidade (proporção de sadios corretamente identificados pelo exame), não o valor preditivo negativo. O denominador (B+D) é o total de pessoas sem a doença, enquanto o VPN exige no denominador o total de exames com resultado negativo (C+D).
A fórmula D / (C+D) é exatamente a definição de valor preditivo negativo: verdadeiros negativos (D) divididos pelo total de resultados negativos do exame (C+D, ou seja, falsos negativos + verdadeiros negativos). Responde à pergunta: entre todos os exames que deram negativo, quantos correspondem a pessoas realmente sem a doença?
A fórmula A / (C+D) mistura categorias incompatíveis: o numerador A (verdadeiros positivos) com o denominador C+D (total de exames negativos). Não corresponde a nenhum indicador válido — seria um cálculo sem interpretação clínica.
A banca explora a confusão entre os quatro indicadores da tabela 2×2. A armadilha está no denominador: sensibilidade e especificidade usam o estado real do paciente (A+C para doentes, B+D para sadios), enquanto os valores preditivos usam o resultado do exame (A+B para positivos, C+D para negativos). Trocar um pelo outro é o erro mais comum — e é exatamente o que as alternativas A e C fazem, apresentando sensibilidade e especificidade como se fossem VPN.
Para não errar, memorize a tabela 2×2 com as letras na ordem: A (VP) e B (FP) na linha de cima (exame positivo); C (FN) e D (VN) na linha de baixo (exame negativo). Depois, decore as quatro fórmulas como pares: sensibilidade = A/(A+C), especificidade = D/(B+D), valor preditivo positivo = A/(A+B) e valor preditivo negativo = D/(C+D). Na hora da prova, identifique primeiro o que a questão pede (positivo ou negativo) e monte o denominador com o resultado do exame, não com o estado real.
Gabarito: letra D
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