Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg180850
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AV – V – V.
- BV – V – F.
- CV – F – F.
- DF – F – V.
- EF – F – F.
GabaritoC — V – F – F.
Gabarito: letra C (V – F – F). A primeira assertiva é verdadeira, pois o Índice de Quételet (IMC) exige parâmetros apropriados para a vigilância nutricional, considerando fases do curso da vida, idade, sexo e situação fisiológica. A segunda é falsa, pois o Indicador de Swaroop-Uemura (ISU) considera óbitos a partir dos 50 anos, não 60. A terceira é falsa, pois a avaliação de processo de Donabedian refere-se às atividades desenvolvidas na prestação do cuidado, e não à estrutura (equipe, treinamento, espaço físico e equipamentos), que é o componente de estrutura.
A avaliação em saúde utiliza indicadores e índices para mensurar diferentes dimensões da situação de saúde, das práticas e das ações de saúde. Entre os indicadores, destacam-se os de mortalidade, morbidade, nutrição e qualidade dos serviços. O Índice de Massa Corporal (IMC), também chamado de Índice de Quételet, é um dos principais instrumentos de avaliação nutricional, calculado pela razão entre o peso (kg) e o quadrado da altura (m²). Sua interpretação, porém, não é uniforme para toda a população: é necessário considerar a fase do curso da vida (criança, adolescente, adulto, idoso), o sexo e a situação fisiológica (gestação, lactação, atleta), pois os pontos de corte e a significância clínica variam. Por exemplo, em idosos, o IMC entre 22 e 27 kg/m² é considerado adequado, enquanto em adultos o intervalo é de 18,5 a 24,9 kg/m². Essa necessidade de parâmetros específicos é exatamente o que a primeira assertiva afirma, tornando-a correta.
O Indicador de Swaroop-Uemura (ISU), também conhecido como razão de mortalidade proporcional, é um indicador clássico de saúde que mede a proporção de óbitos ocorridos em pessoas com 50 anos ou mais em relação ao total de óbitos de uma população. O ponto de corte de 50 anos é o que define o indicador, e não 60 anos como afirma a segunda assertiva. Esse indicador é utilizado para avaliar o nível de desenvolvimento e a qualidade de vida de uma população: quanto maior a proporção de óbitos em idosos, melhor o nível de saúde, pois indica que as pessoas estão vivendo mais. A banca trocou o ponto de corte de 50 para 60 anos, uma pegadinha clássica de inversão de valor.
O modelo de avaliação da qualidade dos serviços de saúde criado por Donabedian, na década de 1960, é um dos mais utilizados e divide a avaliação em três componentes: estrutura, processo e resultado. A estrutura refere-se aos recursos disponíveis, como equipe de saúde, nível de treinamento, espaço físico e equipamentos. O processo refere-se às atividades desenvolvidas na prestação do cuidado, como diagnóstico, tratamento e acompanhamento. O resultado refere-se aos efeitos das ações de saúde sobre a população, como mortalidade, morbidade e satisfação do paciente. A terceira assertiva afirma que a avaliação de processo pode ser exemplificada pela distribuição da equipe de saúde, seu nível de treinamento e o tipo de espaço físico e de equipamentos disponíveis, mas esses elementos são exemplos de estrutura, não de processo. Portanto, a assertiva é falsa.
A distinção entre estrutura, processo e resultado é fundamental para a avaliação da qualidade em saúde. A estrutura é o que se tem, o processo é o que se faz e o resultado é o que se alcança. A banca explora exatamente essa confusão, apresentando elementos de estrutura como se fossem de processo. Para não errar, o aluno deve identificar a que componente cada elemento pertence: recursos e condições → estrutura; ações e procedimentos → processo; efeitos e desfechos → resultado.
A assertiva afirma que o Índice de Quételet (IMC) exige parâmetros apropriados para a vigilância do estado nutricional, tais como as fases do curso da vida, a idade, o sexo e a situação fisiológica específica. Isso está correto, pois o IMC, embora seja um índice simples calculado pela razão entre peso e altura ao quadrado, não tem interpretação uniforme para toda a população. Os pontos de corte variam conforme a fase do curso da vida (criança, adolescente, adulto, idoso), o sexo e a situação fisiológica (gestação, lactação, atleta). Por exemplo, em crianças e adolescentes, o IMC é interpretado por percentis ou escore Z, enquanto em adultos utiliza-se faixas de 18,5 a 24,9 kg/m² para eutrofia. Em gestantes, o ganho de peso é avaliado por faixas específicas de IMC pré-gestacional. Portanto, a assertiva está correta.
A assertiva afirma que o Indicador de Swaroop-Uemura (ISU) somente leva em consideração a porcentagem de pessoas que morreram a partir dos 60 anos ou mais de idade, em relação ao total de óbitos ocorridos em determinada população. Isso está incorreto, pois o ISU considera óbitos a partir dos 50 anos, não 60. O ponto de corte de 50 anos é o que define o indicador, e a banca trocou esse valor. O ISU é um indicador de mortalidade proporcional que avalia o nível de saúde e desenvolvimento de uma população: quanto maior a proporção de óbitos em pessoas com 50 anos ou mais, melhor o nível de saúde, pois indica que as pessoas estão vivendo mais. A troca de 50 para 60 anos é uma pegadinha clássica de inversão de valor numérico.
A assertiva afirma que a avaliação de processo, no modelo de Donabedian, pode ser exemplificada pela distribuição da equipe de saúde, seu nível de treinamento e o tipo de espaço físico e de equipamentos disponíveis. Isso está incorreto, pois esses elementos são exemplos de estrutura, não de processo. No modelo de Donabedian, a estrutura refere-se aos recursos disponíveis, como equipe, treinamento, espaço físico e equipamentos. O processo refere-se às atividades desenvolvidas na prestação do cuidado, como diagnóstico, tratamento e acompanhamento. O resultado refere-se aos efeitos das ações de saúde sobre a população. A banca trocou o componente de estrutura pelo de processo, uma confusão clássica entre os três componentes do modelo.
A banca adora inverter os componentes do modelo de Donabedian e os pontos de corte de indicadores. Nesta questão, ela trocou o ponto de corte do ISU (50 anos por 60) e apresentou elementos de estrutura como se fossem de processo. Para não cair, lembre-se: estrutura é o que se tem (recursos), processo é o que se faz (ações) e resultado é o que se alcança (efeitos). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
Para fixar os componentes do modelo de Donabedian, use a seguinte associação: Estrutura = Equipamentos e Espaço; Processo = Procedimentos e Práticas; Resultado = Respostas e Reflexos na saúde. E para o ISU, lembre-se: 50 anos é o ponto de corte, não 60. Anote esses números e revise antes da prova.
Gabarito: letra C (V – F – F).
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