Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg180853
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AV – V – V.
- BV – F – V.
- CV – F – F.
- DF – V – F.
- EF – F – V.
GabaritoC — V – F – F.
Gabarito: letra C (V – F – F). A primeira assertiva está correta, pois o risco relativo em estudos de coorte é calculado pela razão entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos. A segunda e a terceira assertivas estão incorretas: as razões de verossimilhança (RV) não se restringem a resultados dicotômicos, e as fórmulas apresentadas para conversão entre probabilidade e chances estão matematicamente erradas.
O risco relativo (RR) é uma medida de associação fundamental em epidemiologia, utilizada principalmente em estudos de coorte. Ele quantifica quantas vezes o risco de desenvolver uma doença é maior (ou menor) entre os expostos a um determinado fator, em comparação com os não expostos. A fórmula é RR = Incidência nos expostos / Incidência nos não expostos. Por exemplo, se em um grupo de 100 fumantes 20 desenvolvem câncer de pulmão (incidência de 20%) e em um grupo de 100 não fumantes 5 desenvolvem a doença (incidência de 5%), o RR é 20/5 = 4, ou seja, fumantes têm 4 vezes mais risco de desenvolver a doença.
As razões de verossimilhança (RV) são medidas que expressam o desempenho de um teste diagnóstico, indicando o quanto o resultado de um teste altera a probabilidade de o paciente ter a doença. A RV positiva é calculada como sensibilidade / (1 - especificidade), e a RV negativa como (1 - sensibilidade) / especificidade. Uma característica importante é que as RV podem ser aplicadas a testes com múltiplos níveis de resultado, não apenas a resultados dicotômicos (positivo/negativo). Por exemplo, um teste de glicemia pode ter RV específicas para diferentes faixas de valores, permitindo uma interpretação mais refinada.
As etapas do uso de RV envolvem a conversão entre probabilidade e chances (odds). A fórmula correta para converter probabilidade pré-teste em chances pré-teste é: Chances = Probabilidade / (1 - Probabilidade). A assertiva apresenta a fórmula como Chances pré-teste = Prevalência / (1 + Prevalência), o que está incorreto. Além disso, a conversão de chances pós-teste em probabilidade pós-teste é feita por: Probabilidade = Chances / (1 + Chances), e não Chances / (1 - Chances) como afirmado. Esses erros matemáticos tornam a terceira assertiva falsa.
A banca explora a confusão entre as fórmulas de conversão entre probabilidade e chances, um erro comum em provas. É importante memorizar as fórmulas corretas e praticar com exemplos numéricos para evitar cair nessa armadilha.
A assertiva está correta. Em estudos de coorte, o risco relativo é calculado dividindo-se a incidência da doença nos expostos pela incidência nos não expostos. Essa é a definição clássica de RR, que mede a força da associação entre um fator de exposição e um desfecho.
A assertiva está incorreta ao afirmar que as RV são usadas apenas para resultados dicotômicos. As RV podem ser calculadas para múltiplos níveis de resultado de um teste, como faixas de valores contínuos, permitindo uma avaliação mais detalhada do desempenho diagnóstico.
A assertiva está incorreta nas fórmulas apresentadas. A conversão correta de probabilidade para chances é Chances = Probabilidade / (1 - Probabilidade), e não / (1 + Probabilidade). A conversão de chances para probabilidade é Probabilidade = Chances / (1 + Chances), e não / (1 - Chances). Esses erros invalidam a assertiva.
Conclusão: Corretas: apenas a primeira assertiva. Portanto, a alternativa correta é a letra C (V – F – F).
Gabarito: letra C
Link permanente: /questoes/qg180853