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Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024

MedicinaEpidemiologia
Código
qg180853
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Sobre o campo da Epidemiologia, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) Estudos de coorte permitem estimar o risco relativo, dividindo-se a incidência da doença em pessoas expostas pela incidência da doença em não expostas ao fator de estudo.( ) As Razões de Verossimilhança (RV) são uma forma de expressar o desempenho de um teste diagnóstico, com a desvantagem de que as RV são usadas apenas para resultados dicotômicos: teste anormal ou normal.( ) As etapas do uso de Razões de Verossimilhança (RV) incluem: 1) converter probabilidade pré-teste (prevalência) em chances pré-teste através da fórmula Chances pré-teste = Prevalência / (1 + Prevalência); 2) multiplicar as chances pré-testes pela RV de um teste para obter as chances pós-teste; 3) converter as chances pós-teste em probabilidade pós-teste através da fórmula Probabilidade pós-teste = Chances pós-teste / (1 – Chances pós-teste).
  1. AV – V – V.
  2. BV – F – V.
  3. CV – F – F.
  4. DF – V – F.
  5. EF – F – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — V – F – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epidemiologia: risco relativo e razões de verossimilhança

Gabarito: letra C (V – F – F). A primeira assertiva está correta, pois o risco relativo em estudos de coorte é calculado pela razão entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos. A segunda e a terceira assertivas estão incorretas: as razões de verossimilhança (RV) não se restringem a resultados dicotômicos, e as fórmulas apresentadas para conversão entre probabilidade e chances estão matematicamente erradas.

O risco relativo (RR) é uma medida de associação fundamental em epidemiologia, utilizada principalmente em estudos de coorte. Ele quantifica quantas vezes o risco de desenvolver uma doença é maior (ou menor) entre os expostos a um determinado fator, em comparação com os não expostos. A fórmula é RR = Incidência nos expostos / Incidência nos não expostos. Por exemplo, se em um grupo de 100 fumantes 20 desenvolvem câncer de pulmão (incidência de 20%) e em um grupo de 100 não fumantes 5 desenvolvem a doença (incidência de 5%), o RR é 20/5 = 4, ou seja, fumantes têm 4 vezes mais risco de desenvolver a doença.

As razões de verossimilhança (RV) são medidas que expressam o desempenho de um teste diagnóstico, indicando o quanto o resultado de um teste altera a probabilidade de o paciente ter a doença. A RV positiva é calculada como sensibilidade / (1 - especificidade), e a RV negativa como (1 - sensibilidade) / especificidade. Uma característica importante é que as RV podem ser aplicadas a testes com múltiplos níveis de resultado, não apenas a resultados dicotômicos (positivo/negativo). Por exemplo, um teste de glicemia pode ter RV específicas para diferentes faixas de valores, permitindo uma interpretação mais refinada.

As etapas do uso de RV envolvem a conversão entre probabilidade e chances (odds). A fórmula correta para converter probabilidade pré-teste em chances pré-teste é: Chances = Probabilidade / (1 - Probabilidade). A assertiva apresenta a fórmula como Chances pré-teste = Prevalência / (1 + Prevalência), o que está incorreto. Além disso, a conversão de chances pós-teste em probabilidade pós-teste é feita por: Probabilidade = Chances / (1 + Chances), e não Chances / (1 - Chances) como afirmado. Esses erros matemáticos tornam a terceira assertiva falsa.

A banca explora a confusão entre as fórmulas de conversão entre probabilidade e chances, um erro comum em provas. É importante memorizar as fórmulas corretas e praticar com exemplos numéricos para evitar cair nessa armadilha.

Medidas em Epidemiologia
  • 1Risco relativo (coorte)
    • Incidência nos expostos ÷ incidência nos não expostos
  • 2Razão de verossimilhança (RV)
    • RV+ = sensibilidade ÷ (1 − especificidade)
    • RV− = (1 − sensibilidade) ÷ especificidade
    • Aplica-se a múltiplos níveis de resultado
  • 3Conversão probabilidade ↔ chances
    • Probabilidade → chances: P ÷ (1 − P)
    • Chances → probabilidade: O ÷ (1 + O)
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Assertiva 1 — ✅ Verdadeira

A assertiva está correta. Em estudos de coorte, o risco relativo é calculado dividindo-se a incidência da doença nos expostos pela incidência nos não expostos. Essa é a definição clássica de RR, que mede a força da associação entre um fator de exposição e um desfecho.

Assertiva 2 — ❌ Falsa

A assertiva está incorreta ao afirmar que as RV são usadas apenas para resultados dicotômicos. As RV podem ser calculadas para múltiplos níveis de resultado de um teste, como faixas de valores contínuos, permitindo uma avaliação mais detalhada do desempenho diagnóstico.

Assertiva 3 — ❌ Falsa

A assertiva está incorreta nas fórmulas apresentadas. A conversão correta de probabilidade para chances é Chances = Probabilidade / (1 - Probabilidade), e não / (1 + Probabilidade). A conversão de chances para probabilidade é Probabilidade = Chances / (1 + Chances), e não / (1 - Chances). Esses erros invalidam a assertiva.

Conclusão: Corretas: apenas a primeira assertiva. Portanto, a alternativa correta é a letra C (V – F – F).

Gabarito: letra C

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