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Questão de Legislação Federal — Lei 12.288 de 2010 - Estatuto da Igualdade Racial — FUNDATEC 2024

Legislação FederalLei 12.288 de 2010 - Estatuto da Igualdade Racial
Código
qg181838
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cidreira - RS
Ano
2024
Nível
Médio
Franciele, mulher negra, 29 anos, chegou ao hospital obstétrico do município em trabalho de parto, queixando-se de muitas dores. O médico plantonista admitiu a paciente e negou a ela analgesia para dor. Durante o parto, Franciele sentiu fortes dores, chegando a desmaiar. O mesmo médico que atendeu Franciele admitiu outro paciente, Cristian, homem branco, 31 anos, queixandose de dores abdominais, para o qual prontamente receitou analgesia. Com base nos fatos apresentados e no Estatuto Nacional de Igualdade Racial, Lei nº 12.288/2010, pode-se afirmar que o médico plantonista:
  1. AAgiu com desigualdade de gênero e raça.
  2. BAgiu apenas com desigualdade de gênero.
  3. CAgiu apenas com desigualdade de raça.
  4. DAgiu de forma correta com ambos os pacientes.
  5. EApenas tratou os desiguais de maneiras desiguais.
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GabaritoA — Agiu com desigualdade de gênero e raça.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) – Discriminação interseccional

Gabarito: letra A – O médico agiu com desigualdade de gênero e raça, pois negou analgesia à paciente negra em trabalho de parto, enquanto concedeu prontamente ao homem branco com queixas abdominais. A conduta evidencia discriminação racial (negra vs. branco) e de gênero (mulher vs. homem), ambas vedadas pelo Estatuto da Igualdade Racial, que visa combater a discriminação étnico-racial e, por sua finalidade ampla, abrange também a interseccionalidade com o gênero.

A banca testa a compreensão do âmbito de proteção do Estatuto e a capacidade de identificar discriminações múltiplas a partir dos fatos. O Estatuto, em seu art. 1º, estabelece como objetivo "garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica". A situação concreta mostra que Franciele (negra) recebeu tratamento inferior ao de Cristian (branco), configurando discriminação racial. Adicionalmente, a diferença de tratamento entre uma mulher em trabalho de parto e um homem com dor abdominal revela também desigualdade de gênero, que, embora não explicitamente regulada pelo Estatuto, é reconhecida como fator agravante e está alinhada com a finalidade de combate a toda forma de discriminação que atinja a população negra.

Paciente

Raça

Gênero

Queixa

Tratamento recebido

Discriminação identificada

Franciele

Negra

Mulher

Trabalho de parto com dores

Analgesia negada

Racial e de gênero

Cristian

Branco

Homem

Dores abdominais

Analgesia concedida prontamente

Nenhuma (tratamento adequado)

1Racial (negra vs. branco)
Negou analgesia à negra
Concedeu ao branco
2De gênero (mulher vs. homem)
Parturiente com dores
Homem com dor abdominal
3Interseccional
Raça + gênero
Vedada pelo Estatuto
Discriminação (Lei 12.288/2010)
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Discriminação (Lei 12.288/2010): Racial (negra vs. branco) (Negou analgesia à negra, Concedeu ao branco); De gênero (mulher vs. homem) (Parturiente com dores, Homem com dor abdominal); Interseccional (Raça + gênero, Vedada pelo Estatuto)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O médico discriminou Franciele tanto por sua raça (negra) quanto por seu gênero (mulher), conforme se extrai da comparação com o tratamento dispensado a Cristian (homem branco). O Estatuto da Igualdade Racial, em seu art. 1º, visa combater a discriminação étnico-racial, e a doutrina reconhece que a discriminação interseccional (raça e gênero) é abarcada por sua finalidade protetiva. Portanto, a alternativa descreve corretamente a conduta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que houve "apenas" desigualdade de gênero. Ignora o evidente componente racial: Franciele é negra e Cristian é branco, e a diferença de tratamento não pode ser atribuída exclusivamente ao gênero, já que a raça também foi fator determinante (a paciente negra foi preterida em relação ao paciente branco).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que houve "apenas" desigualdade de raça. Desconsidera o fator gênero: a dor do parto é historicamente subestimada, e a negação de analgesia a uma mulher em trabalho de parto, enquanto um homem com dor abdominal recebeu alívio imediato, indica também discriminação de gênero.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O médico agiu de forma discriminatória, e não correta. Viola os princípios do Estatuto da Igualdade Racial e os direitos fundamentais da paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase "tratar os desiguais de maneiras desiguais" remete ao princípio da isonomia material (dar tratamento desigual aos desiguais). Contudo, no caso, não se trata de uma diferenciação legítima baseada em necessidades específicas; ao contrário, a conduta foi arbitrária e discriminatória, sem fundamento razoável. Portanto, não se aplica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca pode fazer o candidato pensar que, como o Estatuto trata apenas de raça, a alternativa C ("apenas raça") seria a correta. No entanto, a situação concreta revela a interseccionalidade: a paciente é mulher e negra, e o tratamento diferenciado em relação ao homem branco evidencia ambas as formas de discriminação. O Estatuto não exclui a proteção contra discriminação de gênero quando ela se soma à racial; ao contrário, sua finalidade ampla abrange o combate a todas as formas de intolerância que atingem a população negra.

Gabarito: letra A

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