Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FUNDATEC 2024
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg184427
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Água Santa - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Qual é a conduta mais apropriada no manejo de um paciente vítima de picada de escorpião?
AAdministração imediata de soro antiescorpiônico, independentemente da gravidade dos sintomas, para prevenir complicações sistêmicas.
BUso de analgésicos e aplicação de compressas frias na área da picada para alívio da dor e controle local da inflamação.
CAvaliação da gravidade dos sintomas, considerando critérios clínicos e laboratoriais, e administração seletiva de soro antiescorpiônico em casos moderados a graves.
DUtilização de corticosteroides sistêmicos como terapia adjuvante para prevenir reações alérgicas tardias.
EIndicação de antiveneno polivalente apenas em pacientes pediátricos, uma vez que a gravidade de envenenamento é geralmente maior nesse grupo etário.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Avaliação da gravidade dos sintomas, considerando critérios clínicos e laboratoriais, e administração seletiva de soro antiescorpiônico em casos moderados a graves.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escorpionismo: manejo e indicação de soroterapia
Gabarito: letra C. A conduta mais apropriada no manejo de picada de escorpião é avaliar a gravidade dos sintomas e administrar seletivamente o soro antiescorpiônico apenas em casos moderados a graves, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A soroterapia não é indicada para todos os casos, e o tratamento varia conforme a classificação clínica do acidente.
O escorpionismo é o envenenamento causado pela picada de escorpiões, sendo um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões urbanas. A espécie de maior relevância clínica é o Tityus serrulatus (escorpião amarelo), responsável pela maioria dos casos graves. O veneno atua principalmente em canais de sódio, provocando despolarização neuronal e liberação maciça de neurotransmissores como catecolaminas e acetilcolina, o que explica as manifestações autonômicas observadas nos pacientes.
A classificação da gravidade é o ponto central do manejo. Os acidentes são divididos em leves, moderados e graves, com base nas manifestações clínicas. Nos casos leves, predominam sintomas locais como dor, parestesia e eritema, sem repercussão sistêmica. Nos moderados, há dor intensa acompanhada de sudorese, náuseas, vômitos, taquicardia e hipertensão. Já nos graves, surgem manifestações neurológicas, cardiovasculares e respiratórias, como agitação, convulsões, arritmias, edema agudo de pulmão e choque. Crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis a quadros graves.
A decisão de administrar o soro antiescorpiônico (SAEsc) ou o soro antiaracnídico (SAA) depende diretamente dessa classificação. O Ministério da Saúde orienta que a soroterapia seja reservada para casos moderados e graves, sendo que nos casos leves não há indicação de antiveneno, apenas medidas de suporte e analgesia. Essa conduta seletiva evita exposições desnecessárias a um produto biológico heterólogo, que pode causar reações de hipersensibilidade, e otimiza o uso de um recurso limitado.
A alternativa C reflete exatamente essa lógica: avaliação criteriosa da gravidade, considerando critérios clínicos e laboratoriais, e administração seletiva do soro nos casos que realmente se beneficiam. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas, seja por generalizar a indicação do soro, por subestimar o tratamento, por usar medicações sem evidência ou por restringir a soroterapia a um único grupo etário. O critério decisivo para separar as alternativas é, portanto, a classificação de gravidade como gatekeeper da soroterapia.
Escorpionismo: manejo: Classificar gravidade (Leve: sintomas locais, Moderado: dor intensa + autonômicos, Grave: neurológicos/cardiovasculares); Conduta por gravidade (Leve: analgesia e observação, Moderado/grave: [+] soro antiescorpiônico); Grupos de risco (Crianças, Idosos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A administração imediata e indiscriminada de soro antiescorpiônico, independentemente da gravidade, contraria as diretrizes do Ministério da Saúde. A soroterapia é indicada apenas para casos moderados e graves; nos casos leves, não há benefício comprovado e a exposição desnecessária a imunoglobulinas heterólogas aumenta o risco de reações de hipersensibilidade, incluindo a doença do soro. A conduta correta é avaliar a gravidade antes de decidir pela soroterapia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora o alívio da dor seja parte do manejo, a alternativa é incompleta e insuficiente como conduta mais apropriada. O uso de analgésicos é recomendado, mas a aplicação de compressas frias não é a medida central e, mais importante, a alternativa ignora a necessidade de avaliar a gravidade do envenenamento e a possível indicação de soroterapia. Em casos moderados e graves, apenas analgesia e medidas locais são insuficientes, podendo levar a complicações sistêmicas graves.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente a conduta recomendada. A avaliação da gravidade dos sintomas, utilizando critérios clínicos e laboratoriais, é o primeiro passo no manejo do escorpionismo. A administração seletiva do soro antiescorpiônico em casos moderados a graves segue as orientações do Ministério da Saúde, que não recomenda soroterapia para casos leves. Essa abordagem equilibra a necessidade de neutralizar o veneno nos casos graves com a prevenção de reações adversas desnecessárias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso profilático de corticosteroides sistêmicos não é recomendado no manejo do escorpionismo. As diretrizes apontam que corticosteroides e anti-histamínicos não impedem completamente o surgimento de manifestações alérgicas e, dada a baixa frequência desses eventos, seu uso profilático não se justifica. A terapia adjuvante com corticosteroides não previne reações alérgicas tardias e não faz parte do protocolo padrão de tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A indicação de antiveneno não se restringe a pacientes pediátricos. Embora crianças e idosos sejam grupos de maior risco para quadros graves, a decisão de administrar o soro é baseada na gravidade do envenenamento, independentemente da faixa etária. Adultos com manifestações moderadas ou graves também têm indicação de soroterapia. Restringir o tratamento a um único grupo etário é um erro conceitual e pode levar a subtratamento de pacientes adultos graves.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "soroterapia para todos" e "soroterapia seletiva". A alternativa A parece protetora, mas generaliza a indicação; a alternativa E parece específica, mas restringe indevidamente. O ponto central é que a gravidade clínica, e não a idade ou a simples ocorrência da picada, determina a necessidade de soro. Memorize: casos leves = analgesia e observação; moderados e graves = soroterapia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de acidentes por animais peçonhentos, sempre identifique primeiro a classificação de gravidade (leve, moderado, grave) e depois relacione a conduta. Essa sequência lógica resolve a maioria das questões sobre o tema. Lembre-se também de que a soroterapia é indicada para casos moderados e graves, e que medidas como torniquete, incisão e sucção são contraindicadas.