Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg184659
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AApenas III.
- BApenas I, II e III.
- CApenas I, II e IV.
- DApenas II, III e IV.
- EI, II, III e IV.
GabaritoB — Apenas I, II e III.
Gabarito: letra B. Estão corretos os itens I, II e III — ser eficaz por via oral, poder ser usado em associação e ser administrado preferencialmente em dose única diária são características desejadas dos anti-hipertensivos. O item IV está incorreto porque a espironolactona, embora seja a quarta droga na hipertensão arterial resistente, não é citada nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020) como causadora de mastalgia — esse é um efeito colateral associado a outros fármacos, e a mastalgia não é um critério para sua indicação como quarta droga.
As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020) estabelecem princípios gerais para a escolha de fármacos anti-hipertensivos, priorizando aqueles que podem ser administrados por via oral, que podem ser combinados entre si para potencializar o efeito e que permitem posologia simplificada, preferencialmente em dose única diária, para melhorar a adesão ao tratamento. Esses critérios são fundamentais na prática clínica, pois a hipertensão arterial é uma condição crônica que exige tratamento contínuo, e a adesão é um dos maiores desafios no controle pressórico.
A via oral é a forma mais prática e aceita para o tratamento crônico, permitindo que o paciente se automedique em casa. A possibilidade de associação é essencial porque a maioria dos hipertensos não atinge a meta pressórica com monoterapia, sendo necessária a combinação de fármacos com mecanismos de ação complementares. A dose única diária é preferida por simplificar o esquema terapêutico, reduzindo o número de comprimidos e horários, o que aumenta a adesão e a persistência ao tratamento.
A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é recomendada como a quarta droga na hipertensão arterial resistente (HAR), conforme as diretrizes. No entanto, a mastalgia não é um efeito colateral classicamente associado a ela — esse efeito é mais comumente relacionado a outros fármacos, como a espironolactona pode causar ginecomastia, mas não mastalgia como efeito isolado. A diretriz menciona a espironolactona como a quarta droga preferencial na HAR, mas não associa esse fármaco à mastalgia como característica desejada ou como justificativa para seu uso.
A pegadinha da questão está em associar a espironolactona à mastalgia, um efeito colateral que não é descrito nas diretrizes como característica do fármaco. O candidato que conhece o papel da espironolactona na HAR pode ser induzido a marcar o item IV como correto, mas a mastalgia não é um efeito colateral listado nas diretrizes para esse fármaco. A banca explora a confusão entre ginecomastia (efeito colateral da espironolactona) e mastalgia (dor mamária), que são conceitos distintos.
Guarde a fronteira entre as características desejadas dos fármacos (itens I, II e III) e o papel específico da espironolactona na HAR (item IV): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Ser eficaz por via oral é uma característica desejada dos anti-hipertensivos, pois o tratamento da hipertensão é crônico e a via oral é a mais prática e aceita para uso contínuo. As diretrizes priorizam fármacos que podem ser administrados por via oral, permitindo que o paciente mantenha o tratamento em casa, sem necessidade de supervisão médica constante.
Poderem ser usados em associação é outra característica desejada, pois a maioria dos hipertensos necessita de combinação de fármacos para atingir a meta pressórica. As diretrizes recomendam o início do tratamento com associação dupla de medicamentos, preferencialmente em comprimido único, para potencializar o efeito anti-hipertensivo e melhorar a adesão.
Serem administrados preferencialmente em dose única diária é uma característica desejada, pois simplifica o esquema terapêutico e aumenta a adesão ao tratamento. A posologia simplificada é um fator importante para o controle pressórico a longo prazo, reduzindo o risco de esquecimento de doses.
A espironolactona é recomendada como a quarta droga na hipertensão arterial resistente, mas a mastalgia não é um efeito colateral descrito nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020) para esse fármaco. O efeito colateral classicamente associado à espironolactona é a ginecomastia, não a mastalgia. A banca troca o efeito colateral para induzir o candidato ao erro, fazendo parecer que a mastalgia é uma característica que justifica o uso da espironolactona como quarta droga.
A banca troca a ginecomastia (efeito colateral real da espironolactona) pela mastalgia (dor mamária), um efeito que não é descrito nas diretrizes para esse fármaco. O candidato que conhece o papel da espironolactona na HAR pode ser induzido a marcar o item IV como correto, mas a mastalgia não é um critério para sua indicação. Fique atento: a espironolactona é a quarta droga na HAR, mas a mastalgia não é um efeito colateral listado nas diretrizes.
Gabarito: letra B — corretos os itens I, II e III.
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