Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg184668
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoB — Apenas I e II.
Gabarito: letra B. Estão corretos os itens I (parto pré-termo) e II (diabetes gestacional), pois ambos são reconhecidos como fatores de risco cardiovascular não tradicionais e específicos das mulheres, conforme a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2025). A obesidade (item III), embora seja um fator de risco cardiovascular clássico e tradicional, não se enquadra na categoria de "emergente não tradicional" — é justamente essa distinção que a questão explora.
A pergunta exige distinguir duas categorias de fatores de risco cardiovascular que frequentemente se confundem: os tradicionais (ou clássicos) e os emergentes não tradicionais. Os fatores tradicionais são aqueles há muito estabelecidos na prática clínica e incorporados aos escores de risco, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, obesidade e sedentarismo. Já os fatores emergentes não tradicionais são condições ou marcadores mais recentemente reconhecidos, que não fazem parte dos escores clássicos, mas que demonstram associação independente com eventos cardiovasculares e merecem consideração na avaliação de risco.
No contexto específico das mulheres, a diretriz brasileira de dislipidemias destaca um grupo de fatores agravantes de risco cardiovascular próprios do sexo feminino. Entre eles, incluem-se a idade da menarca (tanto precoce quanto tardia), os distúrbios durante a gestação — como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional, parto pré-termo e restrição de crescimento intrauterino — e as complicações relacionadas à gestação que aumentam o risco cardiovascular futuro da mulher.
A obesidade, por sua vez, é um fator de risco cardiovascular tradicional e amplamente reconhecido, presente nos escores clássicos de risco (como o Escore de Framingham e o ESC SCORE). Ela não é considerada um fator "emergente" ou "não tradicional", pois sua associação com doença cardiovascular é conhecida há décadas e está incorporada à prática clínica rotineira. A diretriz a classifica dentro do grupo de "adiposidade e suas manifestações", que integra os fatores agravantes, mas não a coloca na categoria de fatores específicos das mulheres nem de fatores emergentes não tradicionais.
A pegadinha da questão está exatamente em o candidato considerar a obesidade como um fator "emergente não tradicional" por ser um tema muito discutido atualmente. No entanto, o termo "emergente" refere-se a fatores recentemente identificados ou ainda não incorporados aos escores tradicionais, e não à relevância ou atualidade do tema. A obesidade é um fator clássico, conhecido e já integrado à avaliação de risco cardiovascular há muito tempo.
Para fixar: a banca cobra a classificação dos fatores de risco cardiovascular em tradicionais versus emergentes não tradicionais, com ênfase nos fatores específicos das mulheres. O parto pré-termo e o diabetes gestacional são eventos obstétricos que sinalizam risco cardiovascular futuro e, portanto, são considerados fatores emergentes não tradicionais. A obesidade, apesar de sua importância, é um fator tradicional.
Item | Classificação | É fator emergente não tradicional? | É específico de mulheres? |
|---|---|---|---|
I. Parto pré-termo | Emergente não tradicional | ✅ Sim | ✅ Sim |
II. Diabetes gestacional | Emergente não tradicional | ✅ Sim | ✅ Sim |
III. Obesidade | Tradicional/clássico | ❌ Não | ❌ Não (aplica-se a ambos os sexos) |
O parto pré-termo é explicitamente citado na diretriz como um dos distúrbios durante a gestação associados a aumento do risco cardiovascular futuro. A diretriz afirma que "distúrbios hipertensivos durante a gestação (pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hipertensão gestacional), diabetes gestacional, parto prematuro e restrição de crescimento intrauterino são associados a aumento do risco cardiovascular futuro". Portanto, o parto pré-termo é um fator de risco emergente não tradicional, específico das mulheres.
O diabetes gestacional é igualmente citado na diretriz como um dos distúrbios gestacionais associados a aumento do risco cardiovascular futuro. A diretriz menciona explicitamente o "diabetes gestacional" entre os fatores de risco não tradicionais específicos das mulheres. Mulheres que desenvolvem diabetes gestacional apresentam risco aumentado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 e doença cardiovascular nos anos seguintes à gestação.
A obesidade é um fator de risco cardiovascular tradicional, não emergente. Ela está incorporada aos escores clássicos de risco e é reconhecida há décadas como fator de risco para doença cardiovascular. A diretriz a classifica dentro do grupo de "adiposidade e suas manifestações", que integra os fatores agravantes, mas não a coloca na categoria de fatores emergentes não tradicionais nem de fatores específicos das mulheres. A confusão entre "fator de risco importante" e "fator de risco emergente não tradicional" é a armadilha central desta questão.
A banca explora a confusão entre "fator de risco relevante" e "fator de risco emergente não tradicional". A obesidade é um fator de risco cardiovascular clássico e tradicional, presente nos escores de risco há décadas. O termo "emergente" refere-se a fatores recentemente identificados ou ainda não incorporados aos escores tradicionais — como o parto pré-termo e o diabetes gestacional, que são específicos das mulheres e sinalizam risco cardiovascular futuro. Não confunda importância clínica com classificação temporal.
Gabarito: letra B — corretos apenas os itens I e II.
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