Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg184669
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Na avaliação de doenças cardiovasculares em mulheres, devemos sempre nos atentar a algumas singularidades. Nesse contexto, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.I. O teste ergométrico é considerado seguro na gestação.II. A média da Frequência Cardíaca (FC) em mulheres é aproximadamente 3 a 5 batimentos/minuto mais alta que a observada em homens. Além disso, foi documentado um menor tempo de recuperação do nó sinusal e menor intervalo HV.III. A prevalência de taquicardia sinusal inapropriada é muito maior em mulheres.
ATodas as assertivas estão corretas.
BTodas as assertivas estão incorretas.
CApenas as assertivas I e II estão corretas.
DApenas as assertivas I e III estão corretas.
EApenas as assertivas II e III estão corretas.
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GabaritoA — Todas as assertivas estão corretas.
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Doenças cardiovasculares em mulheres: singularidades fisiológicas e clínicas
Gabarito: letra A — as três assertivas estão corretas. O teste ergométrico é seguro na gestação, a FC média feminina é 3 a 5 bpm mais alta que a masculina (com menor tempo de recuperação do nó sinusal e menor intervalo HV) e a taquicardia sinusal inapropriada é muito mais prevalente em mulheres. A questão cobra conhecimentos de fisiologia e semiologia cardiovascular específicos do sexo feminino, tema recorrente em provas de cardiologia.
A avaliação cardiovascular em mulheres exige atenção a particularidades que diferem da população masculina. Essas diferenças começam na fisiologia básica: o sistema nervoso autônomo e o sistema elétrico cardíaco apresentam características sexo-específicas que influenciam desde a frequência cardíaca de repouso até a resposta a arritmias. Compreender essas singularidades é essencial para a prática clínica, pois impacta diretamente na interpretação de exames e na conduta terapêutica.
O teste ergométrico, também chamado de teste de esforço, é um método diagnóstico que avalia a resposta cardiovascular ao exercício físico progressivo. Na gestação, o coração da mulher passa por adaptações fisiológicas importantes — aumento do débito cardíaco, da frequência cardíaca e do volume plasmático — mas o teste ergométrico é considerado seguro quando bem indicado e monitorado. A segurança se deve ao fato de que o exercício submáximo, com monitorização contínua, não representa risco significativo para a mãe ou para o feto em gestações de baixo risco. As diretrizes de cardiologia recomendam o teste em gestantes para avaliação de capacidade funcional, investigação de sintomas e acompanhamento de cardiopatias já conhecidas, sempre com critérios de interrupção bem definidos.
Quanto à frequência cardíaca, estudos demonstram que as mulheres apresentam, em média, uma FC de repouso 3 a 5 batimentos por minuto mais alta que os homens. Essa diferença é atribuída a fatores hormonais, especialmente o estrogênio, que modula o sistema nervoso autônomo, e a diferenças no tônus vagal e simpático. Além disso, foi documentado que as mulheres têm um menor tempo de recuperação do nó sinusal após o esforço e um menor intervalo HV (intervalo de condução His-ventricular) no eletrofisiologia. O intervalo HV representa o tempo de condução do impulso elétrico do feixe de His até o ventrículo; valores menores indicam condução mais rápida nesse segmento. Essas diferenças eletrofisiológicas ajudam a explicar por que algumas arritmias são mais comuns em mulheres.
A taquicardia sinusal inapropriada (TSI) é uma arritmia caracterizada por frequência cardíaca elevada em repouso ou com esforço mínimo, desproporcional ao nível de atividade, sem causa fisiológica ou patológica identificável. A prevalência é significativamente maior em mulheres, especialmente em mulheres jovens e de meia-idade. A fisiopatologia envolve aumento da automaticidade do nó sinusal, hipersensibilidade a catecolaminas e alterações no sistema nervoso autônomo — mecanismos que são influenciados por hormônios sexuais. Essa predominância feminina é um dado clássico da literatura e frequentemente cobrado em provas.
A pegadinha desta questão está na aparente especificidade dos dados apresentados na assertiva II. O candidato pode achar que os valores (3 a 5 bpm, menor tempo de recuperação do nó sinusal, menor intervalo HV) são detalhes inventados pela banca, mas todos correspondem a achados documentados na literatura de cardiologia. A banca testa se o candidato conhece as diferenças sexuais na fisiologia cardíaca, um tema que vai além do conhecimento básico de eletrocardiograma e entra na semiologia cardiovascular avançada.
Guarde o tripé: segurança do teste ergométrico na gestação, diferenças na FC e na condução elétrica, e predominância feminina na TSI — são exatamente esses três pontos que as assertivas exploram e que separam as alternativas.
Singularidades cardiovasculares na mulher: Teste ergométrico na gestação (Seguro (baixo risco), Monitorização contínua); Fisiologia cardíaca (FC 3–5 bpm mais alta, Menor recuperação do nó sinusal, Menor intervalo HV); Taquicardia sinusal inapropriada (Predominância feminina, Jovens e meia-idade)
Item I — ✅ Correto
O teste ergométrico é considerado seguro na gestação. As diretrizes de cardiologia, incluindo as da Sociedade Brasileira de Cardiologia, reconhecem o teste de esforço como um procedimento seguro em gestantes de baixo risco, desde que realizado com indicação adequada e monitorização contínua. O exercício físico submáximo não aumenta o risco de complicações obstétricas ou fetais quando bem conduzido. A segurança se baseia no fato de que o teste é interrompido ao atingir a frequência cardíaca submáxima (geralmente 85% da FC máxima prevista), evitando estresse excessivo. A assertiva está correta.
Item II — ✅ Correto
A assertiva traz três informações precisas: (1) a FC média em mulheres é 3 a 5 bpm mais alta que em homens; (2) há um menor tempo de recuperação do nó sinusal; (3) há um menor intervalo HV. Esses são achados documentados em estudos de eletrofisiologia e fisiologia cardiovascular. A FC mais alta em mulheres é atribuída a diferenças no tônus autonômico e influência hormonal. O menor tempo de recuperação do nó sinusal e o menor intervalo HV indicam diferenças na condução elétrica que podem influenciar a suscetibilidade a arritmias. A assertiva está correta.
Item III — ✅ Correto
A taquicardia sinusal inapropriada é muito mais prevalente em mulheres, sendo considerada uma arritmia com clara predominância feminina, especialmente em mulheres jovens. A fisiopatologia envolve aumento da automaticidade do nó sinusal e hipersensibilidade a estímulos adrenérgicos, mecanismos modulados por hormônios sexuais. A assertiva está correta.
Conclusão: as três assertivas estão corretas, portanto a alternativa correta é a letra A.