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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg184670
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Em relação à doença isquêmica cardíaca em mulheres, analise as assertivas abaixo:I. Em relação à anatomia, mulheres têm artérias coronárias epicárdicas menores do que homens.II. Em comparação aos homens, as mulheres têm maior prevalência de aterosclerose coronariana obstrutiva.III. As mulheres que apresentam doença coronariana obstrutiva geralmente são mais velhas do que os homens e têm mais comorbidades cardiovasculares.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença isquêmica cardíaca em mulheres: particularidades anatômicas e clínicas

Gabarito: letra C (corretas I e III). As mulheres apresentam artérias coronárias epicárdicas menores que os homens (assertiva I correta) e, quando desenvolvem doença coronariana obstrutiva, geralmente são mais velhas e têm mais comorbidades cardiovasculares (assertiva III correta). A assertiva II está incorreta porque as mulheres têm menor prevalência de aterosclerose coronariana obstrutiva em comparação aos homens — elas apresentam mais doença microvascular e disfunção endotelial, com menos lesões obstrutivas.

A doença isquêmica cardíaca (DIC) é um conjunto de condições causadas por desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio ao miocárdio, na maioria das vezes por aterosclerose coronariana. Historicamente, a DIC foi estudada predominantemente em homens, mas sabe-se hoje que há diferenças importantes na apresentação, fisiopatologia e prognóstico entre os sexos. Essas diferenças são o cerne desta questão.

Anatomia coronariana: as mulheres têm artérias coronárias epicárdicas de menor calibre que os homens, mesmo após ajuste para superfície corporal. Isso tem implicações práticas: vasos menores dificultam procedimentos invasivos e podem gerar mais resultados falso-positivos em exames não invasivos, como o teste ergométrico.

Aterosclerose obstrutiva: contrariamente ao que muitos imaginam, as mulheres têm menor prevalência de doença coronariana obstrutiva (lesões que estreitam significativamente o lúmen) do que os homens. Em contrapartida, apresentam com mais frequência doença microvascular coronariana, disfunção endotelial e vasoespasmo — condições que causam isquemia sem obstrução epicárdica significativa. Isso explica por que as mulheres frequentemente têm angina com coronariografia "normal" ou com lesões não obstrutivas.

Idade de apresentação: as mulheres desenvolvem doença coronariana obstrutiva, em média, 7 a 10 anos mais tarde que os homens. A proteção estrogênica pré-menopausa retarda o desenvolvimento da aterosclerose; após a menopausa, a incidência aumenta progressivamente. Por isso, quando a mulher apresenta DAC obstrutiva, ela tende a ser mais velha e a acumular mais comorbidades (hipertensão, diabetes, dislipidemia) — o que piora o prognóstico.

Outras diferenças relevantes: as mulheres têm mais sintomas atípicos (dispneia, fadiga, dor epigástrica), maior mortalidade após infarto e revascularização, e recebem menos terapias comprovadamente eficazes (betabloqueadores, AAS, estatinas). Também são mais propensas a condições como dissecção espontânea de artéria coronária e síndrome de takotsubo.

A pegadinha desta questão está na assertiva II: a banca inverte o conceito, afirmando que as mulheres têm maior prevalência de aterosclerose obstrutiva, quando na verdade têm menor. O conhecimento correto é que as mulheres têm mais doença microvascular e menos doença obstrutiva — é exatamente essa inversão que separa as alternativas.

Característica

Mulheres

Homens

Calibre das artérias coronárias epicárdicas

Menores

Maiores

Prevalência de aterosclerose coronariana obstrutiva

Menor

Maior

Idade de apresentação da doença obstrutiva

Mais velhas (7–10 anos depois)

Mais jovens

Comorbidades cardiovasculares na apresentação

Mais comorbidades

Menos comorbidades

Padrão de doença isquêmica predominante

Doença microvascular, disfunção endotelial, vasoespasmo

Doença obstrutiva epicárdica

1Anatomia
Coronárias epicárdicas menores
Vasos de menor calibre
2Aterosclerose
Menos obstrutiva que nos homens
Mais doença microvascular
Disfunção endotelial
3Apresentação clínica
Mais velhas (7-10 anos depois)
Mais comorbidades
Sintomas atípicos
DIC em mulheres
LEVELsoulevel.com.br
DIC em mulheres: Anatomia (Coronárias epicárdicas menores, Vasos de menor calibre); Aterosclerose (Menos obstrutiva que nos homens, Mais doença microvascular, Disfunção endotelial); Apresentação clínica (Mais velhas (7-10 anos depois), Mais comorbidades, Sintomas atípicos)

Item I — ✅ Correto

As mulheres têm artérias coronárias epicárdicas menores que os homens. Este é um fato anatômico bem estabelecido: o calibre dos vasos coronarianos é menor no sexo feminino, mesmo considerando a superfície corporal. Essa diferença tem implicações clínicas, como maior dificuldade técnica em intervenções percutâneas e maior probabilidade de resultados falso-positivos em exames não invasivos.

Item II — ❌ Incorreto

A assertiva inverte a realidade: as mulheres têm menor prevalência de aterosclerose coronariana obstrutiva em comparação aos homens. Elas apresentam mais frequentemente doença microvascular coronariana, disfunção endotelial e vasoespasmo — condições que causam isquemia sem obstrução significativa das artérias epicárdicas. Quando há obstrução, esta tende a ser menos extensa que nos homens.

Item III — ✅ Correto

As mulheres que desenvolvem doença coronariana obstrutiva geralmente são mais velhas que os homens e têm mais comorbidades cardiovasculares. Isso ocorre porque o estrogênio pré-menopausa tem efeito protetor, retardando o desenvolvimento da aterosclerose. Assim, a doença se manifesta, em média, 7 a 10 anos mais tarde nas mulheres, que nessa idade já acumulam mais fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia).

Conclusão: corretos os itens I e III → gabarito letra C.

Gabarito: letra C

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