Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg184673
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AApenas II.
- BApenas III.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III.
Gabarito: letra D (apenas II e III). As assertivas II e III estão corretas: a terapia hormonal da menopausa (THM) não é indicada para prevenção primária cardiovascular, e iniciá-la após os 60 anos ou com mais de 10 anos desde a menopausa pode aumentar o risco absoluto de doença coronariana. A assertiva I está incorreta, pois a Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomenda hormônios bioidênticos ou implantes em detrimento dos comprimidos combinados — essa é uma afirmação sem respaldo nas evidências contemporâneas.
A terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores moderados a graves, como os fogachos, e também é aprovada para o manejo da atrofia urogenital e prevenção da osteoporose. No entanto, a história da THM no contexto cardiovascular é marcada por uma reviravolta importante: estudos observacionais iniciais sugeriam proteção contra doença coronariana, mas ensaios clínicos randomizados posteriores demonstraram ausência de benefício e até aumento de risco de eventos cardiovasculares, acidente vascular cerebral e tromboembolismo. Por isso, as diretrizes atuais — incluindo as da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) — recomendam que a THM não seja utilizada com a finalidade exclusiva de reduzir risco cardiovascular.
A questão da "janela de oportunidade" é central: a THM parece mais segura e benéfica quando iniciada em mulheres mais jovens, próximas à menopausa (geralmente antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos do último período menstrual). Iniciar a terapia tardiamente, após essa janela, está associado a maior risco de doença coronariana e outros eventos cardiovasculares. Essa é a base da assertiva III.
Sobre a assertiva I, é importante entender que "bioidênticos" e "implantes hormonais" são frequentemente comercializados como alternativas "naturais" ou "mais seguras" à terapia hormonal convencional. No entanto, as principais sociedades médicas não endossam essa superioridade. Os hormônios bioidênticos manipulados não passaram pelos mesmos testes rigorosos de segurança e eficácia que os medicamentos aprovados, e os implantes têm a desvantagem de não poderem ser removidos rapidamente em caso de efeitos adversos. A recomendação é usar as preparações aprovadas, na menor dose eficaz, pelo menor tempo necessário, individualizando o tratamento.
A pegadinha desta questão está na assertiva I: ela inverte a recomendação real, sugerindo que a Sociedade Brasileira de Cardiologia prefere bioidênticos/implantes quando, na verdade, a posição é de cautela e uso das formulações convencionais aprovadas. As assertivas II e III, por sua vez, refletem corretamente o consenso atual baseado em evidências.
A assertiva afirma que a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda hormônios bioidênticos ou implantes em detrimento dos comprimidos combinados. Isso é falso. As evidências contemporâneas não apoiam a superioridade de bioidênticos ou implantes sobre as formulações convencionais aprovadas. Pelo contrário, as sociedades médicas recomendam cautela com preparações manipuladas, que não têm os mesmos estudos de segurança e eficácia, e destacam que a via de administração e o tipo de hormônio devem ser escolhidos com base nas necessidades individuais, não por uma preferência genérica por "bioidênticos". A banca explora aqui a confusão entre o marketing de produtos "naturais" e a posição científica oficial.
A assertiva está correta. Não há indicação de iniciar a terapia hormonal da menopausa com o objetivo de prevenção primária cardiovascular. Os ensaios clínicos randomizados demonstraram que a THM não reduz eventos cardiovasculares em prevenção primária e pode até aumentar o risco em alguns grupos. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) são claras: a THM não deve ser usada com a finalidade exclusiva de reduzir risco cardiovascular. A indicação principal permanece o alívio dos sintomas vasomotores moderados a graves e a prevenção da osteoporose em mulheres selecionadas.
A assertiva está correta. Iniciar a terapia hormonal da menopausa com mais de 60 anos de idade ou com mais de 10 anos após a menopausa pode elevar o risco absoluto de doença coronariana. Isso se deve ao conceito de "janela de oportunidade": a THM é mais segura e benéfica quando iniciada em mulheres mais jovens, próximas à menopausa. Iniciar tardiamente, fora dessa janela, está associado a maior risco cardiovascular, incluindo doença coronariana, acidente vascular cerebral e tromboembolismo venoso. Essa é uma das principais recomendações das diretrizes atuais para a seleção de candidatas à THM.
Conclusão: Corretos os itens II e III → portanto, a alternativa é a letra D.
Gabarito: letra D
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